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A bem da Nação

LÁGRIMAS DO BRASIL

 

OS MEDICAMENTOS

 

É sabido que, com excepção d’aqueles que per obras misteriosas se vão com aposentadorias milionárias – os compadres da corrupção – os demais mortais, à medida que os anos avançam, mais dificuldade têm em arranjar dinheiro para os indispensáveis medicamentos que os ajudem na velhice.

Também não é segredo algum que a indústria farmacêutica está em segundo lugar no comércio mundial, só ultrapassada pelo armamento. É portanto um chorudíssimo negócio.

Na Europa a Segurança Social paga um percentual variável dos remédios da população e na velhice, a sua quase totalidade.

Aqui, país tropical, onde os beija-flor, papagaios e tucanos vêm com regularidade alegrar a nossa vista pousando a poucos metros dos nossos já cansados olhos, a (in)segurança social não prevê essa ajuda no prolongamento menos sofrido da última parte da vida da população.

Neste momento, e Deus sabe se não será pelo resto da vida, tenho que tomar nove medicinas diariamente. Tive que estabelecer um check-list para não me enganar o que é de manhã, ao almoço, ao deitar, etc. Uns são para o coração, outros para anemia, outros ainda para equilibrar os efeitos colaterais de alguns deles e por aí vai a festa.

Os preços dos mesmos medicamentos variam de farmácia para farmácia, tal como um bife com batatas varia do boteco para o restaurante cinco estrelas, com a diferença que a pílula não tem odaliscas a servirem-nos, nem copos de cristal para as engolirmos (as pílulas!).

Há que fazer uma consulta à praça!!! Piada? Não é piada. É assim mesmo. Vejamos o que se constatou em cinco farmácias

                                      Preço Mínimo          Preço Máximo          Dif. em %

Medicamento   A                  28,40                          67,98              + 139 %

                      B                    6,38                            8,86               + 39 %

                      C                    3,63                            8,10              + 123 %

                      D                  10,16                          12,70               +  25 %

                      E                    6,82                          10,42              +   53 %

e por aí vai. O pior é que não é uma farmácia que tem todos os melhores preços, e assim os vovôs peregrinam para salvar uns Reais aqui e outros além, antes de seguirem de vez para o tal Além. Descansados, sem preocupação de consultas a ladrões!

Mas muita sorte ainda temos, porque nos concursos públicos para fornecimento a hospitais a roubalheira é tanta que por vezes os mesmos medicamentos, sem impostos, de lucro reduzidíssimo, em embalagens hospitalares, aos milhares ou milhões, etc., chega a custar aos cofres públicos mais do que nas ditas farmácias!

Faltam oftalmologistas e otorrinos! Porque ninguém vê, ninguém sabe, ninguém ouve, o clamor dos doentes que se acercam dos hospitais e estes estão com a medicação em falta, as salas cirúrgicas a necessitar de obras, os médicos e restante pessoal com os salários em atraso, os leitos e as macas podres ou enferrujadas.

Enfim! Uma festa. Fúnebre.

 

Rio de Janeiro, 30 de Maio de 2007

 

Francisco Gomes de Amorim

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