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A bem da Nação

A PARTILHA DO PÃO

 

Última ceia de Cristo. Conjunto de esculturas em madeira policromada da autoria do Aleijadinho, existentes no Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas, Minas Gerais (Brasil).

 

Naquela noite, no fim da Ceia, o Senhor partiu o pão e disse: Tomai e comei TODOS.

Não deixou de fora nem aquele que por razões que ficarão para sempre ignoradas, o entregaria.

O Pão da Vida, ou simplesmente pão, é para ser dividido por TODOS. A ninguém pode faltar um pouco de pão, e ninguém em sã consciência consegue repousar a cabeça sabendo que cerca de dois terços da humanidade tem dificuldade, ou impossibilidade, de encontrar o pão nosso em cada dia!

A cegueira da cobiça, a ganância, deixa milhões de pães a apodrecer nos cofres de meia dúzia, enquanto alguns outros não têm mais força para levantar o braço e mendigar quaisquer migalhas.

A vergonha não é só “verde e amarela”, apesar de por estas bandas, onde plantando tudo dá, haver ainda muitos que não sabem, não querem ou não conseguem plantar para comer. O que se tem plantado muito é a planta da roubalheira. E como produz!

Diariamente assistimos a notícias que nos confrangem: milhares de desgraçados a procurarem, por meio dos maiores sacrifícios, sair de seus países de origem, a maioria em África, e entrar no que para eles é um autêntico Eldorado: a Europa. Quase todos são apanhados pelas polícias, repatriados e aí novamente entregues a si próprios, à sua miséria, ao descaso de milionários governantes.

Vê-se Dubai a crescer num esplendor luxuriante de petróleo, ouro e roubalheira, prédios imensos a saírem do chão para as alturas, onde os banheiros têm torneiras em ouro, e fora das vistas do esplendor, em míseras camaratas, os operários esfaimados vindos do Paquistão e outras vizinhanças, se acumulam, tendo que preparar a sua única refeição diária, porque trabalham 12 horas seguidas, para receberem no fim do mês $ 110. Espectáculo incessante em todas as longitudes do planeta, onde reina a mentira e a sem vergonhice.

Agora um dos ministros do nosso (des)governo foi apanhado com a boca na botija - botijinha de $ 100.000, - para liberar umas verbas públicas para a canalhada. Pressionado, teve que pedir demissão do cargo, clamando-se inocente e... pobre, que nem dinheiro tem para pagar a um advogado que o defenda de semelhante calúnia! É o máximo da desfaçatez, sabendo que o Estado tem obrigação de lhe arranjar um advogado público se ele provar a sua penúria.

Ao mesmo tempo o presidente do senado federal (minúsculas!) é denunciado, e provado, que tem inúmeros bens, propriedades e outros, em nome de terceiros porque não tem como justificar tamanha fortuna quem há trinta anos não faz outra coisa além de política. Chora e grita por sua lisura e, quem sabe, ainda acaba na presidência do país!

O pão não é para todos, nem sequer o Pão da Vida. A Terra terá uns 4,5 bilhões de anos, (cerca de um dia bramânico, igual a 4,32 bilhões de anos) e o homem, mesmo incluindo os pré sapiens somente 0,1% deste tempo. Dizem os hindus que estamos a viver a era do Kaly-Yuga, a era das desavenças, que dura 432.000 anos, a quarta e última de uma Maha-Yuga, igual a dez Kaly-Yuga, dos quais ainda só se passaram 5 mil.

Se a velha e grande sabedoria hindu estiver certa, quanto tempo ainda a humanidade vai esperar, para que com o pão nosso de cada dia o Tomai e comei TODOS seja a Verdade?

 

Rio de Janeiro, 28 de Maio de 2007

 

Francisco Gomes de Amorim

 

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