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A bem da Nação

A LUSOFONIA AÇORIANA - 1

   Ribeira Grande, S. Miguel, Açores - também aqui se faz Cultura independente dos subsídios públicos

De 4 a 6 de Maio, a Ribeira Grande recebeu o 2º Encontro Açoriano da Lusofonia, organizado pelos Colóquios da Lusofonia, este ano em parceria com a Direcção regional das Comunidades e o apoio logístico da Câmara Municipal da Ribeira Grande. Ao longo de três dias, quase uma centena de pessoas conviveu durante nove horas naquele que pode ser considerado um grande encontro de culturas em S. Miguel.

 

Mais uma vez, e à semelhança do que se passa em todo o país, dado não haver telenovela nem música pimba, a população ignorou o evento, mas o mais grave é que a população docente também se fez notar pela sua ausência. A cultura é, cada vez mais, elitista, não de privilegiados mas de preocupados pela sobrevivência da fala, e da cultura de todos nós. À excepção da cerimónia oficial de abertura, todos os presentes estavam lá porque queriam e não para aparecerem nos noticiários da televisão e rádio. Tratava-se de pessoas preocupadas e interessadas e é para elas que estes Encontros existem.

 

Ao fazermos o balanço – depois daquilo que os presentes consideraram um sucesso – resta-nos acertar agulhas em relação a apoios e parceiros e manter a aposta no desenvolvimento de actividades paralelas que este ano enriqueceram de forma inestimável o evento, para além de proporcionarem o lançamento de novos valores e talentos, esquecidos que estavam no seio duma comunidade onde a máxima “santos da casa não fazem milagres” parece ser a lei.

 

O salto quantitativo foi tão grande quanto o qualitativo pois este ano tivemos cerca de três dezenas de oradores/as representando politécnicos e universidades de Lisboa, Nova de Lisboa, Minho, Porto, Coimbra, Setúbal, Madeira, Açores, Presbiteriana Mackenzie e Federal de Santa Catarina (Brasil), Texas-Arlington e Massachusetts (EUA), British Colúmbia (Canadá), Salamanca (Espanha), para além da Direcção Regional das Comunidades e das escolas secundárias da Maia, da Ribeira Grande e Antero de Quental (Açores)

 

O ponto de partida destes Encontros foi trazer a debate a identidade açoriana, a sua escrita, as suas lendas e tradições, numa perspectiva de enriquecimento da LUSOFONIA, tal como a entendemos, com todas as suas diversidades culturais que com a nossa podem coabitar. Queremos manter anualmente este fluxo de autores e escritores para debater a permanência lusófona nos quatro cantos do mundo. Deste intercâmbio de experiências entre os açorianos residentes, expatriados e todos aqueles que dedicam a sua pesquisa e investigação à literatura, à linguística e à história dos Açores, podemos aspirar a tornar mais conhecida a identidade lusófona açoriana.  

 

O desconhecimento, a nível do Continente e do resto do mundo, da realidade insular combate-se levando a cabo iniciativas – como estes Encontros – que visam igualmente divulgar o nome dos Açores e a sua presença no seio de uma Lusofonia alargada com mais de duzentos e trinta milhões. Pretendemos aproximar povos e culturas no seio da grande nação dos lusofalantes, independentemente da sua nacionalidade, naturalidade ou ponto de residência, todos unidos pelo facto de falarmos uma mesma língua. Todos os anos mantemos uma sessão dedicada à tradução e na qual continuamos a apostar em tradutores de autores açorianos ou de escritores cuja tema seja os Açores. A tradução é uma forma de perpetuar e manter a criatividade da língua portuguesa nos quatros cantos do mundo. A língua vive através da tradução, pois esta permite a divulgação das obras escritas.

 

Saliente-se, uma vez mais, o carácter peculiarmente independente destes Encontros, interessados em alargar parcerias e protocolos mas sem serem subsídio-dependentes, de forma a descentralizar a realização destes eventos e assegurando essa sua “independência” através do simbólico pagamento das inscrições dos participantes.

 

 Ao contrário de outros eventos de formato tradicional que no final têm uma acta cheia de boas intenções com as conclusões, estes colóquios visam aproveitar a experiência profissional e pessoal de cada um dentro da sua especialidade e dos temas que estão a ser debatidos, para que os restantes oradores possam depois partir para o terreno, para os seus locais de trabalho e utilizarem instrumentos que já deram resultados noutras comunidades. Do passado constata-se a criação de uma rede informal que permite um livre intercâmbio de experiências e vivências, que se prolonga ao longo dos anos, muito para lá do colóquio em que intervieram.

 

A componente lúdica, como se viu nestas duas edições, permite induzir uma confraternização cordial, aberta, franca e informal entre oradores e participantes presenciais, em que do convívio saem reforçados os elos entre as pessoas, que se poderão manter a nível pessoal e profissional. Os participantes podem trocar impressões, falar de projectos, partilhar ideias e metodologias, fazer conhecer as suas vivências e pontos de vista, mesmo fora do ambiente mais formal dos Encontros.

 

Ribeira Grande, Maio de 2007

 

Chrys Chrystello

 

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