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A bem da Nação

CRÓNICAS DO BRASIL

RESCALDOS DE UMA VISITA

 

O mundo soube da visita de Bento XVI ao Brasil. Como sempre os órgãos de informação começaram, com antecedência, a especular sobre o que o Papa viria anunciar: aborto, casamento dos padres, atitudes perante a pedofilia, Teoria da Libertação, e mais uma série de problemas que a sociedade vai criando e espera do Papa uma palavra de consolo para «abençoar» os seus devaneios.

 

Acontece que a Igreja de Roma não é mais como no tempo de Nicolau V ou Alexandre VI que ajudaram a dividir o mundo então conhecido entre Portugal e Espanha. A Igreja tem a imensa responsabilidade de mostrar aos cristãos e ao mundo que o Reino de Deus não é o de César, e Bento XVI bem o frisou quando disse que a Igreja não pode ser confundida com um partido político. É evidente que condenou o abismo económico da «sociedade» brasileira, assim como a corrupção, o tráfico de drogas e armas, o banditismo, etc., mas sobretudo o que veio dizer é que mais uma vez a opção é pelos pobres. Levar-lhes a palavra de Cristo. Porta a porta. Sobretudo através de leigos que devem e queiram missionar. Esta opção pelos pobres nada tem a ver com revoluções sociais tipo marxista ou maoísta. A Igreja deve levar a palavra da Verdade a todos, sabendo que a Mensagem do Evangelho não enche a barriga do pobre.

Já foi tempo em que ser pobre era a esperança da salvação eterna. Mas continua a ser uma grande verdade a dificuldade que um rico terá para entrar no Reino dos Céus. Os bezerros de ouro devem impedir que as portas se abram.

A Igreja quer continuar como indestrutível baluarte na defesa da vida e dos oprimidos. Mas não voltará a armar exércitos ou a incitar a guerras “santas”. A Palavra é simples. A Verdade é a Vida interior. Cada um terá de combater o bom combate.

Do mesmo modo o hindu, o budista ou o taoista nos dão a mesma receita, que Kant sintetizou: Age de tal modo que o motivo que te levou a agir possa tornar-se lei universal.

Entretanto mais cheia de Amor outra lei universal fora já prescrita: Faz aos outros o que gostarias que te fizessem a ti.

 Se, com determinação, os cristãos seguirem esta lei, podemos ter a certeza de um dia ver renovada a face da Terra!

 

RESCALDOS LAICOS

 

1 – Que gesto interessante o da madama dona esposa do grande líder ao receber o Santo Padre! Talvez para nós, uma possível ligeira maioria, se desconheça que Fé e devoção serão proporcionais ao fervor do beijo ao anel do Papa!

Dona Sexa acorre, sofregamente agarra com as duas mãos a mão de Bento XVI e tasca um violento e repenicado beijo... não no anel mas em uma das suas próprias mãos! Beleza de cristianismo, né? Comovente.

 Fervor religioso ou protocolo "sui generis"?

 

2 – Quando o Papa foi visitar, em carácter oficial o nosso líder, pediu-lhe que fosse incluído nas escolas públicas o estudo da religião. Resposta rápida, há já tempo decorada para não falhar na hora do encontro, do Chefe de Estado: “o Brasil é um Estado laico e assim não pode impor uma religião sobre as outras”. Aplausos.

3– Dois dias depois Sexa volta a anunciar que continua a pretender criar uma TV pública. Ninguém sabe com que finalidade (está-se bem a ver que é para fazer self propaganda, sempre com o nosso dinheirinho, claro), mas enfatizou que essa TV vai ser uma TV... laica! Que beleza, hein! Uma TV laica. Filósofos, teólogos, filólogos e jornalistas devem pedir a criação duma CPI para definir o que será uma tal emissora. Talvez não se possa falar em qualquer religião, e nem os locutores estarão autorizados a dizer um “valha-me Deus” quando se sentirem perdidos, mesmo sendo ateus.

4.- A visita do Papa chegava ao fim. Hora da despedida.

O nosso líder, agora diminuído por outros caciques mais vivos (e mais destrutivos), posto de lado na liderança latino americana, preocupado com a integração de fronteiras, com o consumo do gás, com a integração de vias-férreas e rodo, com o livre comércio, e outros internacionais problemas, fez um último pedido a Sua Santidade: que o ajudasse a promover a integração religiosa na América Latina!

Carregando, Deus sabe a que custo, os seus 81 anos de idade e mais toda a enormíssima responsabilidade que o cargo lhe confere, lá voou Bento XVI de volta a Roma tentando desvendar o mistério da integração religiosa solicitada por um chefe de Estado... laico!

O que o grande líder quereria ter dito com isto? Talvez nem ele próprio saiba. Só uma frase de efeito bombástico? Quem sabe?! Tem cada problema, a Igreja!

Rio de Janeiro, 20 de Maio de 2007

Francisco Gomes de Amorim

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