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A bem da Nação

ILUSTRES ESQUECIDOS

GENERAL JOSÉ CELESTINO DA SILVA

 

(1849 - 1911) 

(Extracto de artigo de António Teixeira Homem publicado no “Notícias de Chaves”, edição de 30 de Setembro de 2005)

 

 

O General José Celestino da Silva era natural de Vilar de Nantes, Concelho de Chaves, onde nasceu em 6 de Janeiro de 1849. Oficial de Cavalaria 6 até ao posto de Capitão, casou com Amélia Coelho Montalvão, filha de distinta família flaviense.

 

Tendo dado nas vistas pelo seu aprumo, foi colocado em Lisboa à frente da Guarda Municipal. Aí o vai buscar D. Luís I pouco tempo depois para comandar o Esquadrão de Lanceiros 2, unidade em que servirá como subalterno o Príncipe Real D. Carlos de Bragança que, uma vez rei, entendeu tirar partido das muitas qualidades que viu no seu comandante, nomeando-o Governador de Timor.

 

Major de Cavalaria em 1894, encontra esta Colónia com a soberania e autoridade portuguesas pouco mais que quiméricas.

 

De terrenos acidentadíssimos, humidade extrema, vegetação luxuriante e povos constantemente em rebeldia, teve por diante uma tarefa homérica durando as campanhas de pacificação 12 anos, dos 14 que ali governou.

 

De princípio não comanda mais do que 29 europeus, 350 moradores em Díli e 12 mil “carregadores”. Começa por pedir a autonomia administrativa de Timor – até então dependente de Macau – e tropas. Mandam-lhe landins (1) de Moçambique e o decreto autonómico chega em 1896.

 

Muito embora não estivesse parado, só com a chegada dos landins pôde efectuar a lenta ocupação dos reinos rebeldes com muita cautela e perseverança. Mesmo assim, não evita revezes como o massacre da coluna do Capitão Câmara, apanhada numa penetração menos cuidada na densa floresta. Igualmente perde no assalto a uma tranqueira (obra de defesa indígena) o Alferes Francisco Duarte que tinha por alcunha “Major Arbiru”, “homem invencível”. Estes dois oficiais há muito que possuíam as mais altas condecorações, entre elas a Torre-e-Espada.

 

Durante os 12 anos de penetração, toma medidas administrativas, sociais, de cultura, saneamento e fomento agrícolas, tais como:

  • Construção de 22 postos militares de defesa, soberania e penetração;
  • Ligação dos postos (que não distavam mais de 40 kms) por estrada de penetração e escoamento de produtos;
  • Criação de uma escola de ensino oficial em Díli e outra agrícola em Remexio;
  • Distribuição dos alunos saídos da Escola Agrícola pelo interior do território com vista à divulgação das técnicas agrícolas;
  • Introdução da seringueira e do tabaco de qualidade bem como desenvolvimento das culturas do arroz, milho e café;
  • Introdução de árvores de fruto tais como pessegueiros, ameixieiras, figueiras e nespereiras criando postos de venda em feiras e mercados;
  • Criação de um horto para o fornecimento de sementes e plantas aos postos militares e distribuição gratuita às populações;
  • Proibição de corte do sândalo em toda a costa norte como forma de protecção da espécie, medida que vigorou até 1956;
  • Fundação da Sociedade Agrícola Pátria e Trabalho;
  • Condução das populações para a aprendizagem das técnicas agrícolas e de ofícios;
  • Administração da Justiça em conformidade com os usos e costumes nativos;
  • Drenagem e aterro de pântanos em Díli, abertura de ruas e avenidas, fundação do Museu, construção do Hospital e de casas para funcionários;
  • Captação, transporte e fornecimento de água a Díli, construção do cais acostável no porto da capital;
  • Ligação telefónica com cerca de 500 kms entre os vários postos militares;
  • Estabelecimento de ligações marítimas regulares com Macau e Austrália.

 

 As suas relações pessoais com os chefes locais levam-no a conseguir organizar uma reunião mensal para os ouvir, dialogar e almoçarem juntos. Durante os seus dois últimos anos de governo, estes encontros desenvolveram-se em completa paz.

 

A oposição política metropolitana chamava-lhe “o Rei de Timor” ao que D. Carlos, com muita estima, contrapunha com o epíteto jocoso de “o meu colega de Timor”.

 

Chegou entretanto o ano de 1908 e com o regicídio vê-se exonerado do cargo. Sem dinheiro, deixa Timor com a ajuda financeira de um malaio amigo que lhe paga a viagem de regresso a Portugal via Austrália. Não é louvado pelo trabalho levado a cabo e é nomeado Comandante do Regimento de Cavalaria de Almeida como o posto de Coronel.

 

Com a implantação da República é promovido a General e passa à situação de reserva. Morre a 10 de Fevereiro de 1911.

 

 

António Teixeira Homem

 

 (1) – Povos a sul do rio Save, zona meridional de Moçambique

 

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