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A bem da Nação

A REVOLUÇÃO COMERCIAL E A NOVA SOCIEDADE - 1

       
 
 
     Nos três séculos e meio que mediaram entre 1450 e 1800 ocorreram na vida económica europeia enormes mudanças descritas como a Revolução Comercial. Esta compreendeu uma transição da economia semi-estagnada, localizada e em grande parte de subsistência da Idade Média para o regime capitalista, dinâmico e de âmbito mundial, dos tempos modernos. A recuperação após as catástrofes económicas do século XIV foi estimulada pelos descobrimentos ultramarinos, pelo influxo de novos artigos de consumo e de metais preciosos, pela criação de mercados no além-mar e por progressos na actividade bancária e no comércio.
    Um maior número de pessoas passou a viver do comércio e da indústria e o impulso do lucro tornou-se mais acentuado do que nunca. Além disso, durante o período da Revolução Comercial, primeiro a Espanha e Portugal e depois a Inglaterra, França e Holanda substituíram as cidades do norte da Itália como os centros da iniciativa e prosperidade económica na Europa. No século XVIII, avanços revolucionários ocorridos na agricultura levaram a economia europeia ao limiar da Revolução Industrial. Todas essas mudanças, em conjunto, significaram o surgimento de uma riqueza sem precedentes para a Europa e provocaram importantes alterações na organização social e na cultura material.
    
   A economia europeia estava começando a expandir-se por volta de 1450, após cerca de um século e meio de grave depressão. A expansão teria prosseguido continuamente, mas ela foi muito acelerada, no século XVI e em séculos ulteriores, pelos efeitos dos descobrimentos e conquistas ultramarinas. As primeiras viagens de descobrimentos deveram-se aos espanhóis e portugueses de terem sua parcela de comércio com o oriente. Esse comércio era monopolizado pelas cidades italianas de Veneza e Génova e disso resultava que a população da Península Ibérica se via obrigada a pagar altos preços pelas especiarias, sedas e drogas importadas da Ásia. Era natural que marinheiros contratados pelos monarcas da Espanha e de Portugal tentassem descobrir um nova rota para o oriente, livre do controle italiano. Uma segunda causa das viagens de descobrimentos foi o fervor missionário dos espanhóis. Sua bem sucedida reconquista da Península Ibérica às forças do Islão gerara um excedente de zelo religioso que se traduzia no desejo de converter os "gentios" de ultramar. A essas causas cabe acrescentar o progresso no conhecimento geográfico e tecnológico como factor de terem permitido aos marinheiros se aventurarem mais intrepidamente no mar alto. Antes do século XII, pessoas instruídas acreditavam na forma redonda da Terra e a bússula e o astrolábio já eram conhecidos muito antes da viagem de Colombo. Os portugueses já haviam alcançado o Açores (um terço da distância até o Novo Mundo) antes de 1350. Com toda probabilidade, os europeus teriam atingido a América e o Extremo Oriente muito antes da época em que lá chegaram se não fossem os obstáculos da depressão e das agitações políticas da Idade Média tardia.
 
    Se exceptuarmos os nórdicos, que descobriram o continente norte-americano por volta do ano 1000 d.c, os primeiros da navegação oceânica foram os portugueses. Em meados do século XV, exploraram a costa africana para o sul, até à Guiné. Em 1497, Vasco da Gama contornou a extremidade meridional da África e no seguinte chegou à Índia. Entretanto, o marinheiro Cristovão Colombo convenceu-se da possibilidade de atingir a Índia navegando em direção ao ocidente. Fernando e Isabel, soberanos espanhóis, o apoiaram para o seu plano. Os descobrimentos que realizou constituíram a base das pretenções espanholas à posse de quase todo o Novo Mundo. A Colombo seguiram-se outros descobridores, representando a coroa espanhola. Logo depois os conquistadores Cortés e Pizarro. Daí resultou a fundação de um vasto império colonial que incluía a actual porção sudoeste dos Estados Unidos, a Flórida, o México, as Índias Ocidentais, a América Central e toda a América do Sul, com excepção do Brasil descoberto e colonizado por Portugal.
 
   Os ingleses e franceses seguiram o exemplo espanhol. As viagens de João Caboto e de seu filho Sebastião, em 1497-1498, constituíram a base da pretensão inglesa na América do Norte, embora nada tenha existido que pudesse ser chamado de um império britânico no Novo Mundo antes da colonização da Virgínia, em 1607. No começo do século XVII, o explorador francês Cartier subiu o rio São Lourenço, dando assim à sua pátria um motivo de direito ao leste do Canadá. Mais de cem anos depois, as explorações de Joliet, La Salle e do padre Marquette permitiram que os franceses se estabelecessem no vale do Mississipi e na região dos Grandes Lagos. Após vencerem sua guerra de independência, no começo do século XVII, os holandeses também participaram da luta pela obtenção de um império colonial. A viagem de Henrique Hundson, remontando o rio que tem seu nome, conduziu à formação da Nova Holanda em 1623, mas cerca de 40 anos depois os holandeses foram forçados a entregá-la à Inglaterra. As possessões mais valiosas dos holandeses eram Malaca, as Molucas e os portos da Índia e da África, tomados aos portugueses no começo do século XVII.
 
   Os resultados dessas viagens de descobrimento e a fundação de impérios coloniais foram a expansão do comércio, tirando-o dos limites do Mediterrâneo e dando-lhe proporções de um empreendimento mundial. Génova e Veneza mergulharam aos poucos numa relativa obscuridade, enquanto os portos de Lisboa, Bordéus, Liverpool, Bristol e Armsterdão se viam congestionados de navios. Um segundo resultado foi o aumento no volume do comércio e na variedade dos artigos de consumo.
 
 
Belo Horizonte, 4 de maio de 2007
Therezinha B. de Figueiredo     

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