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A bem da Nação

MOMENTO GRAVE

César Augusto, antes da queda

Jupiter prius dementat quos perdere vult. Assim despachavam os Antigos aos poderosos à beira da queda. Hoje falamos da entropia, quando a energia dos sistemas não se consegue transformar em trabalho.

Algo de semelhante se está a passar em Portugal.

Surpreendentemente, para alguns!" Afinal, somos um país da União Europeia. Nem sequer dos piores classificados em muitos dos rankings da OCDE. Funcionam as garantias do estado de direito. E 30 anos de democracia sustentada pela "pachorra" dos portugueses criaram uma estrutura de fazer inveja a outras classes políticas europeias, sempre em bolandas de mudar de partidos ou de pessoas.

Somos um país atlântico situado na Europa. E como outros, partilhamos poderes de governação, permitindo que o orçamento seja pilotado de Bruxelas – o que nem é um mal – e que a política externa dependa dos faxes de Washington – o que nem sempre é um bem. Muitas das nossas decisões deixaram de ser soberanas. Isso não é o problema. Fomos independentes 4 séculos antes de se reinventar a palavra soberania. O problema é se sabemos utilizar a independência que nos resta.

Isso exige tomar decisões esclarecidas e cada vez mais urgentes sobre o nosso futuro. E aqui vemos uma crescente entropia e desordem dos políticos republicanos – chamemos-lhe com o nome do regime que temos – acompanhada de uma incapacidade de encomendar as soluções aos nossos técnicos e sabedores, de estimular o capitalismo popular para que nasçam empresários a sério, de apoiar o emprego dos jovens em vez de os seduzir com a pasmaceira ou de os atirar para a emigração. Temos de aproveitar a sério a independência que ainda temos e uma das últimas oportunidades é ordenar o país, tornar viável uma série de cidades região que se estendem pelo norte até à Galiza e pelo leste até Castela e pelo sul até ao Maghreb e que pelo mar e ar podem ser ponto de encontro com o resto do globo.

Mas em vez de agarrarmos essa margem de independência e de arrumarmos a casa, deixamos a loucura crescer. Veja-se os projectos faraónicos da Ota e TGV; já se calculou que a remoção das terras na Ota equivaleria a 6 pirâmides de Gizé. A classe política que nos governa – republicana pois que assim se auto identifica o regime – deixou de ter amarras nos sabedores. O episódio da "espécie de engenheiro" é um epifenómeno disto mesmo; do modo como a classe politica se desamarrou da classe dirigente: de como a classe dirigente deixou de acreditar noutros compromissos excepto os seus próprios interesses; de como o que resta de bom senso, de dedicação e de coragem se vê afastado das decisões nacionais. De tudo isto resulta que estamos num momento grave em que os poderosos fazem actos estúpidos e dizem coisas estúpidas, como se estivessem loucos. Porque os deuses os querem perder! Mas somos nós, portugueses, que nos temos que salvar a nós próprios!

 

Lisboa, Abril de 2007

 

Mendo Castro Henriques

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