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A bem da Nação

CRÓNICAS DO BRASIL

A burocracia no sistema de saúde brasileiro

 

A burocracia que actualmente ocorre na área da saúde brasileira é, em muitas situações, um estorvo ao bom senso e à inteligência. Em vez de agilizar e facilitar a vida daqueles aflitos que procuram atendimento na área pública, parece brincar de gato e rato, empurrando as pessoas de um lado para outro, usando termos de vocabulário técnico, difícil de entender, dando uma falsa ideia de competência. São filas e telefonemas para marcação de consultas, exames e retornos, que só serão feitos daqui não se sabe quanto tempo, com sorte daqui alguns dias ou quem sabe daqui alguns meses, tudo ignorando a angustia do doente ou a gravidade do problema. São retornos que na realidade são consultas a novos médicos. São pacientes que se transformam em clientes (em geral pela falta de resolução do seu problema), são pedidos de exames sem consultas, ou solicitações de outros médicos para seus pacientes, que desejam fazer economia utilizando os serviços laboratoriais da rede pública. São pacientes que perdem as marcações e que mesmo assim ocupam o horário, sem estar presentes. São rotinas e regras de trabalho que, bitoladas, desconhecem as excepções e o improviso, ocasionalmente necessário. São os mutirões para isso ou para aquilo, organizados pelas Secretarias de Saúde para levantar estatísticas, nem sempre fiéis, para o Governo. Tudo isso atravanca o verdadeiro atendimento, transformando o médico, servidor público, num perfeito burrocrata, peça da máquina administrativa.

Burocracia médica ou ...

  

...medicina burocrática?

 

Os tempos mudaram dizem os modernistas, a medicina também mudou, mas não sabemos se foi para melhor. Se por um lado houve facilitação ao acesso da população à tecnologia e às novidades médico-farmacêuticas, por outro lado o atendimento ao indivíduo perdeu no sentido de humanidade, eficiência e qualidade.

A função da medicina, como nas demais áreas sociais, é se adaptar às necessidades da sociedade. Médico e paciente fazem uma equação que procura a qualidade de vida.

Quando a medicina é socializada, como no Brasil, para o bom atendimento médico é preciso que o Estado dê uma boa formação aos seus profissionais, controle a qualidade de ensino das escolas públicas e particulares e lhes dê condições dignas de trabalho em local seguro e equipado, com apoio laboratorial complementar.

 

O profissional da área de saúde é um cidadão como outro qualquer. Ele tem direitos e deveres inerentes ao seu ofício e à cidadania. Deve executar suas tarefas em ambiente adequado, recebendo salário correspondente à sua qualificação e responsabilidade. O respeito por parte dos pacientes e colegas é código de ética que só aumenta o empenho profissional e traz benefício ao doente. É preciso que a burocracia que rege o nosso sistema de atendimento não destrua a liberdade do médico e com isso, a sua consequente responsabilidade. É preciso que haja flexibilidade para o bom atendimento.  Ainda é possível olhar o paciente como uma pessoa com sensibilidade e necessidades únicas e não como mais um número nas listas e nas estatísticas do Governo. Acreditemos que, apesar de tudo, o homem (atendente ou atendido) seja capaz de preservar a sua maior virtude: a humanidade.

 

Uberaba, 25/03/07

 

Maria Eduarda Fagundes

 

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