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A bem da Nação

CURTÍSSIMAS - 1

A  BOA  EDUCAÇÃO 

 

Naquele tempo... segunda metade do século XIX, quando não havia telefones, nem fax, nem e-mails via Internet, as pessoas comunicavam-se por cartas ou pequenos bilhetes, muitas das vezes enviados ao destinatário por portador, para rapidamente trazer de volta a resposta.

Era assim que, por exemplo, Bulhão Pato, que morava na “outra banda” de Lisboa, mandava convidar uns quantos amigos para uma almoçarada em sua casa. Almoço que ele fazia questão de preparar! Deixou o seu nome ligado à gastronomia, com as famosas “ameijoas à Bulhão Pato”, e, segundo me dizia, há muitos anos, um dos seus convivas, quando alguém não lhe elogiava os petiscos, o anfitrião amuava, e o “deselegante” podia ter a certeza de não voltar a ser convidado!

Francisco Gomes de Amorim, meu xará e bisavô, foi contemporâneo e amigo desta gente, que fazia questão na elegância das palavras e nas demonstrações de amizade.

 Francisco Gomes de Amorim, bisavô, pintado pelo seu bisneto Francisco Gomes de Amorim (caneta de ponta de feltro)

Não deixavam de ser mordazes e até ferozes ao combater uma idéia ou o governo quando fosse necessário, mas sempre o cuidado com a nossa rica língua portuguesa, era seu apanágio.

Uma das cartas mais bonitas que eu vi em toda a minha vida (e olhem que vai sendo longa) escreveu-a Julio César Machado (1835-1890) a meu bisavô. Não era bem uma carta. Letra grande, linhas inclinadas para ocupar bastante espaço da folha, dizia assim:

 

Amorim

O que tu queres é apanhar um abraço em papel ofício!

Ele aqui vai, até porque não há outro aqui na repartição.

Teu do c.ão

Julio C. Machado

 

Quanta elegância, amizade e carinho numa folha de “papel ofício”, dobrada em quatro e enviada, por portador a um amigo!

Será que perdemos esta qualidade? Mesmo no século da tecnologia, o romantismo continua a ser tão bonito. Infelizmente raro!

 

Rio de Janeiro, 21 de Fevereiro de  2007

Francisco Gomes de Amorim

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