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A bem da Nação

CRÓNICAS DO BRASIL

O  HORROR

 

Senhores

Presidente da República

Presidente do Supremo Tribunal Federal

Presidente do Senado Federal

Presidente da Câmara de Deputados

Ministro da Justiça

 

O Rio, o Brasil e até o mundo inteiro, assistiram há dias, estupefactos e horrorizados, a uma das mais violentas e desumanas demonstrações de bestialidade, que jamais alguém pudesse imaginar. Nem Hollywood, na sua fobia dos estúpidos filmes de horror alguma vez inventou algo tão chocante.

Três energúmenos, três bestas-feras, assaltam uma senhora, uma mãe, no meio da rua para lhe roubarem o carro. No banco da frente, a seu lado, uma filha de 13 anos e no banco traseiro, um filhinho, de 6, o João, preso com o cinto de segurança, como manda a lei e a prudência.

A mãe diz à filha que saia correndo do carro e abre a porta de trás para de lá tirar o filho, pedindo às bestas-feras que lhe dessem tempo para soltar o cinto e pegar na criança. Como resposta ouviu: “Vai embora sua vagabunda!” e arrancam com o carro em alta velocidade, a criança pendurada do lado de fora. Correram 7 quilómetros através de bairros vários, a criança a desfazer-se arrastada pelo chão!

Não há palavras que possam significar a dor daquela família. Não há. Dor essa que se alastrou pelo país e além fronteiras. Não era meu filho, nem meu neto, mas a dor que senti foi muito profunda também.

A bestialidade dos energúmenos não tem tamanho.

O que vai acontecer agora aos assaltantes? Têm a protegê-los os chamados Direitos Humanos. Como é possível, Deus meu, falar em Direitos Humanos para bestas deste calibre que não têm um pingo de humanidade? Se um cão Pitt-Bull ou Rottweiler atacasse uma criança no meio da rua a polícia não hesitaria em descarregar o revolver na cabeça da besta fera. E neste caso? O que faz a esta canalha? Todos eles, até um menor, que pela lei, suceda o que suceder daqui a três anos está livre, nas ruas, têm diversas passagens pela polícia com as mais graves acusações. E andam à solta.

 Presidários: que direitos deverão ter?

Se forem novamente presos são-lhes conferidas pela lei, uma quantidade de regalias que nem sequer de absurdas se podem chamar:

- é proibido aos guardas das prisões ler a correspondência que os presos enviam e recebem - por onde também são transmitidas ordens de assaltos, de desordens públicas como incendiar ónibus, compra de armas, lutas de gangs, etc.

- têm o direito a receber quantas mulheres quiserem para, em privado, praticarem o sexo, aproveitando para receber drogas, armas, etc.

- não se lhes nega o porte e uso de telefones celulares, com os quais se comunicam com quem querem, estabelecendo planos de ataque, assaltos, etc.

- recebem abertamente quantas visitas quiserem de seus advogados, a maioria dos quais são ignóbeis sócios na banditagem

- e etc., e tão etc. que há pouco tempo, por acaso, um preso ia recebendo uma encomenda enviada pelos Correios que levava dentro uma metralhadora e duas pistolas!

- além de sentenças judiciais que autorizem presos de alta periculosidade a ir passar o fim de semana em casa, quando os bem comportados aproveitam para assaltar mais um pouco, assassinar mais alguns rivais, etc.

Com esta legislação actual, a criação de bestas-feras, de energúmenos, de seres abjectos, não vai acabar nunca. Eu não sou a favor da pena de morte, mas se tivesse presenciado a cena acima descrita e tivesse deitado a mão a um dos assaltantes, que Deus me perdoasse, porque no auge do choque e da indignação, eu talvez não fosse capaz de perdoar!

O problema do banditismo é um problema social. Também. Mas é sobretudo um total descaso das autoridades que ou não querem (porquê???), ou não sabem, ou têm medo de propor uma profunda alteração às leis vigentes.

Basta copiar o sistema carcerário dos Estados Unidos. Lá o preso entra e... a única regalia que tem é poder ser morto por amáveis colegas.

Senhores Presidentes, o Brasil está a tornar-se um país inviável. Um país de luto. De luto pelos inocentes que diariamente são violentados pelas bestas, de luto pela guerrilha constante entre gangues, milícias e polícia, mas sobretudo de luto pelo descaso dos responsáveis, os senhores, Presidentes e Ministros, que não enfrentam o problema como deve ser, começando por alterar, profundamente, essas leis iníquas que favorecem o crescimento do caos.

Como católico custa-me rezar o Pai-nosso quando tenho que dizer perdoai-me Senhor... como nós perdoamos! Vamos perdoar a quem esta situação?

 

Rio de Janeiro, 12 de Fevereiro de 2007

Francisco Gomes de Amorim

 

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