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A bem da Nação

CRÓNICAS DO BRASIL

EFEMÉRIDES, FERIADOS  E O ÓCIO

  

 

Na nossa sociedade, onde a produção é factor de riqueza e evolução, os feriados e efemérides são encarados por muitos como atraso e prejuízo para a nação.

Enquanto o feriado é um dia em que há a suspensão das actividades laborais por determinação civil ou religiosa, a efeméride responde pela paralisação facultativa, onde a obrigatoriedade não existe. Por exemplo, podemos mencionar o dia de Natal, como feriado, e o dia de São João, como efeméride.

 

Até o século XVI os feriados eram determinados pela Igreja que liberava os seus seguidores para toleradas comemorações, que tinham quase sempre um carácter orgiástrico. Já no século XVII, o regule da Igreja obrigava a população a cumprir os deveres de ordem espiritual, naqueles dias.  O que nem sempre era bem aceito e feito.

 Dia de procissão, dia de excepção ao trabalho contínuo. Mas... não há fome que dê em fartura.

Para a plebe, o trabalho era do amanhecer ao fim do dia, e descanso só em duas situações: Nos feriados religiosos e nos dias determinados pelas necessidades, como nas doenças, no Inverno rigoroso, ou por outra situação de ordem conjuntural (epidemias, guerras, catástrofes, etc).  Somadas essas folgas, dava um total até de 160 dias, o que para aquela época, em que se comia o que se produzia, era um desperdício de tempo que levava a uma falta de alimento. Não era sem razão que a fome grassava naquela ocasião.

 

Com a revolução industrial, nos finais do século XIX, houve uma mudança radical na relação trabalho/produção. As máquinas facilitaram o trabalho e agilizaram a produção. A Indústria crescia dia a dia, oferecendo emprego e atraindo as pessoas para as cidades. O comércio se expandia oferecendo cada vez mais produtos de consumo. O dinheiro corria e aquecia a economia. Trabalhava-se até 13 horas por dia, até nos domingos e feriados. Mas isso não era para todos. Em todas as sociedades sempre existiram aqueles que não precisavam labutar para viver. Principalmente nos tempos idos, da aristocracia, em que aos nobres, detentores do dinheiro e do poder, cabia o ócio do bem-viver. A música, a pintura, as viagens, as artes em geral e em particular, eram as actividades das classes mais favorecidas que usufruíam das rendas que a Corte e os títulos de nobreza lhes conferiam. O trabalho braçal era para aqueles que viviam em suas propriedades ou para o populacho e artesãos, pessoas sem títulos e qualidade.

Até mesmo nos tempos do antigo Egipto, da Grécia e de Roma era dispensado um tempo periódico diário para o ócio, sempre ocupado com actividades que aprimoravam o corpo e a mente.

 

Só no século XX, com o aparecimento das leis trabalhistas, o ócio chegou às camadas populares. Apareceram as férias, os feriados e efemérides, pelos governos regulamentados, em geral destinados a alguma comemoração nacional, mas pelo povo apreciados e aproveitados com actividades lúdicas, como o futebol, o cinema, passeios ou simplesmente desfrutados em casa, dormindo, vendo TV, ou mesmo sem fazer nada. O ócio das massas, embora mais frívolo, passou a ser valorizado como um tempo de descanso do trabalho rotineiro, quando a mente, liberada do estresse e da agitação diária, pode elucubrar, divagar e até mesmo, quem sabe, algo genial desvendar. É um tempo para alguns inspirados de poder alguma actividade cultural exercer ou então de voltar-se para a natureza, e relaxar.

 

Julga-se que em todo o mundo haja mais de cem mil datas comemorativas. E que o Brasil nesse ranking é o campeão, ficando a Alemanha em último lugar.   No Brasil “essa posição” vem do hábito, no povo já enraizado, de se esticar ou enforcar os dias entre os feriados. Essas falhas ao trabalho, com frequência,  acarretam prejuízos financeiros elevados à nação. Estatísticas dizem que o país perde uma média de 200 horas de trabalho/ano por conta das efemérides e feriados.

 

Mas, enquanto uns perdem há os que ganham, essa é a lei da sobrevivência. E estes são aqueles que fazem do lazer dos outros o seu trabalho. São os que têm no turismo, na hotelaria, no lazer e nos festejos populares a ocasião de ganhar o seu pão. Para eles os feriados e efemérides e até o ócio dos outros nunca são dias demais. Por isso cada vez é mais utópico conseguir o consenso entre os que querem os que não querem as paralisações.

 

Na esfera estudantil os feriados em demasia atrasam o calendário escolar, desaceleram o estudo e prejudicam o aprendizado. Embora para o estudante as folgas sejam motivo para a “curtição” de algum hobby ou para a celebração de algum festejo que promova a amizade e a sociabilização.

 

Quando a BIBLIA nos diz que DEUS trabalhou seis dias e no sétimo descansou, quem sabe não seja essa a solução!? Hum... não sei não...É pouco tempo para aproveitar e conhecer as tantas coisas que o mundo tecnológico de hoje nos oferece. Só o computador leva por dia horas e horas de navegação...

 

Uberaba, 27 de Janeiro 2007

Maria Eduarda Fagundes

 

 

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