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A bem da Nação

QUANDO A ANSIEDADE É UMA DOENÇA

   

A doença,  como a moda, sofre influência dos tempos, necessidades e conquistas. E é também parâmetro político de qualidade de vida de uma comunidade. Se nos tempos antigos era reflexo das "indisposições" divinas, onde tentar curá-la era sinal de infidelidade ou bruxaria, na “ditadura" médica da actualidade, até o que é natural, como a gestação e a velhice, é tratado como patologia, precisando do parecer de especialistas, para nossa tranquilidade!

 

Situações de stress vivemos quotidianamente desde o momento do nascimento até à morte. Viver é superar e administrar uma sucessão de eventos conhecidos e desconhecidos do dia-a-dia que nos leva a um estado sublimado de ansiedade normal, permanente. É através dele que nos mobilizamos, actuamos e fazemos as coisas acontecerem. A ansiedade em níveis de alerta é uma reacção normal do organismo, mas quando passa a interferir no bem-estar, na capacidade de desempenho das tarefas rotineiras ou nos relacionamentos, passa a ser patológica, necessita então de tratamento.

 

Apesar da evolução tecnológica e das conquistas científicas que produziram um sucesso excepcional na aplicação da Medicina, muitas doenças, antigas e modernas, continuam a desafiar a inteligência humana, como o cancro, as viroses e as doenças psicossomáticas que ainda estão sem uma explicação definitiva.

 

Quando Willam Cullen, no século XVIII, levantou a teoria da irritabilidade, como sendo uma propriedade das células nervosas, e a que deu o nome de Neurose, não imaginava o tanto que esse termo seria aplicado nos séculos seguintes às doenças psicossomáticas do indivíduo moderno.

 

As dificuldades em responder às demandas crescentes e cada vez mais exigentes de uma sociedade globalizada cria em certos indivíduos, de alguma maneira mais fragilizados ou despreparados, "le malade imaginaire" que os tira consciente ou inconscientemente das suas responsabilidades. Na Medicina procuram o alívio, o temporário afastamento, a compaixão do outro que, medicando-os,   vai legitimá-los. "Medicalizados",  terão suas necessidades confirmadas e assegurados os seus direitos às escapadas da dura realidade!

 

Mas nem todos seguem os mesmos caminhos. Num mundo que supervaloriza a beleza, a perfeição, o equilíbrio e a estabilidade, submeter-se a uma consulta psiquiátrica traz desconforto emocional pois é assumir que está doente, condição  que nem todos entendem ou aceitam por acharem nisso sinal de fraqueza mental ou de personalidade. Quantos "chatos", "cri-cris", "depressivos" ou "drogados" não escondem os antigos hipocondríacos e histéricos, vitimas das mesmas doenças da alma!   Enquanto isso os consultórios continuam atendendo pacientes ansiosos com suas fadigas crónicas e dores errantes,  somatizadas,  na esperança de obter respostas às suas dificuldades emocionais e ambiguidades do seu EU.

 

Mas é preciso não esquecer que a ansiedade pode apresentar semelhança com um estado ansioso produzido pelas alterações físico-químicas de certas doenças  ou medicamentos. A hipo ou hiperglicemia, o hipo ou hipertiroidismo, certas epilepsias (da região temporal), algumas medicações psicotrópicas podem levar o indivíduo a apresentar sinais e sintomas parecidos com os do distúrbio emocional, só identificado por um profissional qualificado.

 

O ansioso patológico vive em estado de agitação psico-motora, não coordenada, improdutiva. Sente falta de ar, refere palpitações e dores pré-cordiais. Tem alterações gastrointestinais, transpira excessivamente, tem boca seca e problemas de comunicação e desempenho. Sentindo-se inseguro ou ameaçado cai em isolamento e prostração. Com frequência o desencanto com o mundo  leva-o  a uma tristeza profunda, à depressão. Abandonado à própria sorte, desenvolve doenças dermatológicas, cardio-respiratórias e de ordem digestiva.

 

O paciente fóbico passa a evitar os contactos sociais, as viagens e as multidões. Nos quadros psicóticos não reconhece os outros e o medo do objecto real é substituído pelo imaginário. Quando o pânico se instala,  as crises agudas de mal estar o levam ao Hospital, acreditando que está enfartando, em risco de morte eminente.

 

A compreensão e o tratamento da ansiedade patológica podem levar a  um controle da doença. Tratá-la exige, além de um terapeuta e de medicação apropriada,  o apoio dos amigos e o carinho da família.

 

Uberaba, Dezembro de 2006

 

M. Eduarda Fagundes

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