Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

A bem da Nação

CAMINHO DA INFELICITAÇÃO - V

 

Viagem a fases pretéritas do nosso

(de)crescimento económico

em companhia do

Prof. José da Silva Lopes

 

 

LESO-José Silva Lopes.jpg

 

 

O planeamento também foi abolido. Em seu lugar, surgiram inicialmente alguns órgãos do Estado vocacionados para a monitorização e controle da economia, mas, com o tempo, estes foram neutralizados ou pura e simplesmente extintos. Outra – e mais grave – mentira. Os europeístas não estavam interessados em avaliações prévias de projectos e menos ainda em fiscalizações da execução dos mesmos. A ciência da governance não criou aqui raízes.

 

Silva Lopes observa: "Os gestores foram muitas vezes escolhidos mais pelas suas relações políticas do que pela sua capacidade profissional demonstrada. Além disso, nunca foram adequadamente responsabilizados ou penalizados pela sua actuação: os objectivos a atingir não eram definidos com clareza, despesas menos justificadas e operações desastrosas não davam origem a sanções e as intervenções do Governo nas decisões de gestão tornaram-se práticas correntes".

 

A opacidade da nossa economia aumentou correspondentemente. Após adesão ao Euro – desta feita sem reservas, nem salvaguardas – as empresas intermediárias do crédito multiplicaram-se como cogumelos. O consumo de bens duráveis e a compra de casa própria cresceram exponencialmente. A situação tornou-se rapidamente insustentável. Fortemente deficitários no consumo interno e sem empresas capazes de competir no mercado externo em proporções significativas, o país perdeu a confiança dos credores e dos investidores. O crédito externo cessou; a taxa de desemprego ultrapassou rapidamente o nível insustentável dos 15% e não desce. O nível salarial português para empregados qualificados situa-se sensivelmente em 30% dos praticados nos países desenvolvidos.

 

O tipo de pesquisa científica que oferece rápido retorno – a ligada às empresas e aos ramos onde dispomos de vantagem comparativa – ainda não existe. O esforço feito no domínio da formação é disperso, produz mão-de-obra com elevado grau de conhecimentos mas de fraca produtividade. No domínio empresarial os progressos também não são prometedores. O tecido empresarial português continua a ser dominado em larga percentagem (85,6%) pelas microempresas sem condições mínimas para competir em mercados globalizados. Capitalização nas bolsas ainda não entrou nos hábitos. (20 investidores apenas, a maioria estrangeiros, encaixam anualmente 50% dos lucros realizados na bolsa portuguesa!). O professor nota com estranheza que a reprivatização das empresas não trouxe, como seria de esperar, ganhos em produtividade. O prejuízo agregado das não financeiras subiu consideravelmente a partir de 1989. Os antigos monopolistas retornados que se valeram das facilidades que lhes foram concedidas procuraram ressarcir-se de prejuízos pessoais sofridos e poucos cuidaram da viabilidade das suas antigas empresas. Enfim, caminhávamos para a entropia.

LESO-Dívida Pública portuguesa.jpg

Divida pública portuguesa (2000/2014)

 

(continua)

 

Estoril, 10 de Maio de 2015

 

Luís Soares de Oliveira.jpg

Luís Soares de Oliveira

1 comentário

Comentar post

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2016
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2015
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2014
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2013
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2012
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2011
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2010
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2009
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2008
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2007
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2006
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D
  209. 2005
  210. J
  211. F
  212. M
  213. A
  214. M
  215. J
  216. J
  217. A
  218. S
  219. O
  220. N
  221. D
  222. 2004
  223. J
  224. F
  225. M
  226. A
  227. M
  228. J
  229. J
  230. A
  231. S
  232. O
  233. N
  234. D