Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

A bem da Nação

O Barroco Mineiro

 Barroco Autêntico e Nacional

Igreja de S. Francisco de Assis - Ouro Preto - Minas Gerais

 

 

 

A religiosidade católica, o fascínio pelo ouro e o desejo de afirmação e autonomia, unidos num só sentimento, explicam, nos planos psicológico e social, a criação da arte em Minas.

 

A religiosidade veio de Portugal e era cheia de pompa: forma de reafirmação católica diante da força crescente do protestantismo na Europa e do reforço do absolutismo na monarquia lusitana. O fascínio pelo ouro dominava todas as cabeças – portuguesas, brasileiras e africanas – enquanto a vontade de ser autónoma era companhia inseparável daquela sedução.

 

A influência mútua desses três factores fez com que as manifestações artísticas das  minas fossem a imitação do barroco europeu, mas ao mesmo tempo a sua recriação original, autêntica e nacional. Além disso, as catas de ouro e diamante estavam afastadas e mesmo isoladas do litoral, que se limitava a copiar a metrópole de além-mar, e só essa circunstância proporcionou para si ambiente à improvisação, à invenção, à própria criação artística autónoma. Daí ter nascido em Minas, "a mais forte, mais farta e mais bela expressão de uma arte verdadeiramente brasileira".

 

Barroco mineiro é a denominação genérica dada às artes que floresceram em Minas no século XVIII, o século da mineração, quando o barroco já havia sido superado na Europa. Lá, predominou no século XVII, quando o estilo foi transplantado para o litoral do Brasil, como se vê nas igrejas e conventos da Bahia e Nordeste.

 

Para se entender esse movimento artístico mineiro e a própria alma de Minas, para não dizer do Brasil, o ensaísta Afonso Ávila, um dos mais importantes estudiosos do tema, chama a atenção para as diferenças entre o barroco  de modo geral,   e o antigo classicismo da Renascença: o estilo clássico representou o império das formas lineares, independentes, rígidas e bem definidas, enquanto no barroco prevaleciam maior liberdade, movimento, curvas, pinturas, noção de conjunto e uma certa indefinição das formas individuais.

 

O estilo ocorrido em Minas tem cinco aspectos principais: exuberância de decoração interna das igrejas; uso intenso da talha de diferentes cores, sobretudo o revestimento de ouro; crescente tendência à movimentação e encurvamento, primeiro da arquitectura interna das igrejas, depois da externa; realismo das esculturas e imagens; e presença simultânea de ornamentos religiosos e profanos.

 

No entanto, se as características gerais do barroco e as específicas do barroco mineiro denotam um estilo mais desenvolto e livre, como foi ele ao mesmo tempo, o estilo do absolutismo e da dominação colonial? Para Afonso Ávila, esta questão é "o desafio mais fascinante do barroco", no qual ele identifica um jogo entre duas forças: de um lado, o poder repressor, que usou da exuberância do estilo cheio de movimentos, cores e curvas para fascinar e assim subjugar o povo, e de outro a força dos desejos, sonhos e fantasias do próprio povo, que utilizou o barroco como forma criativa e apaixonada de expressá-lo:

      « (...) o barroco soube encontrar, em meio aos fantasmas da Inquisição e do poder absoluto dos reis, a válvula de escape do jogo criativo» escreveu Afonso Ávila.

 

 

Therezinha Barreto de Figueiredo

 

 

Fonte: “Minas Colonial” Editora Efecê S.A

Comentar:

CorretorEmoji

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2007
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2006
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2005
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2004
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D