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A bem da Nação

CRÓNICA DO BRASIL

O  absurdo  das  leis

 

Naquele tal país, cheio de riquezas... lá... muito longe (graças a Deus que não é aqui...), era uma vez...

Reinava o caos. O rei e seus conselheiros não sabiam mais o que fazer. A banditagem corria solta, e cada vez mais gente procurava nas cidades uma migalha e sobretudo o sonho de enriquecer casando com um príncipe, ou princesa, milionário. Os mais modestos sonhavam só com um emprego, uma casinha, algo que lhes desse a sensação de participarem, um pouco que fosse, do bolo nacional. Mentira. Os governantes jamais pensaram neles. Ignoraram-nos. Não lhes deram emprego, nem casa, nem instrução, e a marginalidade tomou conta do país.

Os "cientistas sábios" (e ricos, claro) declararam ao rei (que não sabia de nada do que se passava no seu reino) que tudo isso era um simples caso de polícia. "Contratem policias!" Parecia lógico. "Mas onde procurar essa gente para policiar?"  - "Entre os marginalizados, que não precisam de ganhar muito!"

Assim se fez. Uma lei e para o cumprimento da mesma votou-se uma verbazinha. Pouco.

E os policiais, que têm que controlar os iguais marginalizados, são eles próprios uns miseráveis. E assim o reino, desgovernado que era, virou uma baderna generalizada.

Os homens da corporação da lei, pelo menos na cidade que devia ser maravilhosa, e não é mais, alguns estão há quatro anos sem receber fardamento! Patrulham de botas rotas, remendadas, roupa surrada e em carros, perdão, viaturas, grande parte a cair de podre! Já se tem visto bandidos dando uma mãozinha a empurrar as tais viaturas que não pegam com o motor de arranque! Descaso. O parque automóvel (ou viaturóvel ?) tem mais de 40% de unidades em inatividade por falta de manutenção.

Em compensação os policiais deste reino do «faz de conta» são muito bem pagos: ganham menos de 10% do que um colega nos USA e menos, por ano, de um londrino por mês! Nestes países nenhum policial pode sair em serviço sem estar impecavelmente fardado e com as viaturas em perfeito estado de mecânica e aparência. A única alternativa para os nossos defensores é viverem nas favelas e a pactuar com os bandidos que as dominam para que as famílias não sofram represálias (o que faria qualquer cidadão nessas circunstâncias), muitos deles acabando por ter que fazer jogo duplo!

Na campanha eleitoral não se ouviu falar do problema. Grave. O grave, gravíssimo, problema social... É um simples caso de polícia, e assim vai o reino!

Nos entrementes vão saindo mais leis. Uma das últimas é obrigar as padarias a venderem a quilo, e não à unidade, os pãezinhos comuns de 50 gramas (conhecidos por «pão francês»), para que o consumidor não seja enganado... e os fiscais não tenham que pesar uma montoeira de pães à procura de fraude! Parecia uma medida acertada. Não foi. Esqueceram-se de dizer aos padeiros que não podiam aproveitar a oportunidade para aumentarem o preço de venda em vinte ou trinta por cento! Aumentaram.

Quem se danou mais uma vez: o consumidor. O povo. Os sábios, os cientistas políticos, os que ditam a lei não fazem idéia de quanto custa um pão. O pobre sabe.

Dantes dizia-se «Deus guarde a vossa majestade». Hoje: «Deus nos acuda!»

«A sabedoria deste mundo é loucura perante Deus, pois está escrito: Eu apanharei os sábios na sua própria astúcia - Job, 5,13; - Cor. 3,18»

 Rio de Janeiro,  27 de  Outubro de  2006

Francisco Gomes de Amorim

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