Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

A bem da Nação

CRÓNICA DO BRASIL

000048ce

Francisco Gomes de Amorim

As  leis  do  absurdo

 

Num país longínquo, que podia ser visitado pela Alice, se fosse maravilhoso, onde milhares e milhares de indivíduos se locupletam da res publica, para isso mandatados por nós (absurdo, né?), há que inventar leis para se jogar poeira nos olhos dos eleitores. Do povo.

Inventa-se qualquer coisa que permita aos legisladores receberem os seus salários (altíssimos, além de tudo o resto) e, sobretudo, complicar a vida do contribuinte e trabalhador.

Por exemplo: a lei do glúten! O glúten é uma proteína que se encontra nos cereais: trigo, cevada, aveia e centeio, não no arroz e milho. Como há gente com doenças sensíveis ao glúten, publicou-se uma lei obrigando os fabricantes de produtos alimentícios, sólidos ou líquidos, a indicar nos rótulos, em destaque, se o produto contém ou não glúten, em vez de se obrigar a indicar unicamente os que o contém. Pasmem: agora até nas garrafas de vinho é obrigatória a indicação de «Não contém glúten»! Boa piada, né?

Corre entretanto um projeto de lei, no Rio de Janeiro, a cidade que podia ser a residência da Alice, se fosse mesmo a tal maravilha, querendo obrigar os laboratórios fotográficos a identificarem TODOS os clientes que ali mandam revelar fotografias. Isto, segundo os "cientistas políticos" para melhor se poder controlar o negócio da prostituição infantil! Já pensou: você tira fotografias dos seus filhos, da família, dos animais do zôo, do pôr do sol e... tem que ser identificado quase como um criminoso! Fantástico! Deve ser curioso pensar o que os laboratórios vão fazer para identificar os clientes, milhares e milhares deles, e depois o que a polícia fará com essa imensidão de registros bestas! Viva o Rio.

O ano passado, 2005, houve uma briga feia, nacional, por causa da venda e/ou porte de armas. O porte de armas ficou proibido, por lei federal, inafiançável, para toda a gente, com exceção dos bandidos, é claro. E a polícia. Esta com armas velhas, aqueles com metralhadoras, bazucas e até lança mísseis.

Há dias uma vovó, 67 anos, passeava o seu cachorrinho pela rua. Já tinha sido assaltada diversas vezes e resolveu ignorar a lei. Cachorrinho na trela, pistola na bolsa. Veio um assaltante e entre outras ameaças puxou duma faca. A vovó puxou da pistola e acertou a mão do marginal. Resultado o marginal foi socorrido no hospital, passou pela delegacia, onde já tinha um "brilhante currículo" e liberado logo a seguir. Num repente chegam oito - 8 - viaturas da polícia (a polícia não tem carros, tem viaturas!) que cercam a vovó que deliberadamente infringiu a lei. Na delegacia, com lei e tudo, mandaram a vovó para casa! O Ministério Público vai processá-la - Dura lex, sed lex - e a Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro decidiu condecorar a bravura da senhora, que entrevistada declarou o óbvio: "Têm que desarmar é os bandidos, não as pessoas de bem". Vamos ver se nos entendemos: a senhora infringe uma lei - não está em causa se a lei é boa ou não - e um órgão legislativo estadual condecora-a! A isto se pode chamar  de entendimento nacional!

Não é apologia da violência, mas «Quem não tem espada, venda sua túnica e compre uma» - Lc 22,36. ou então «Quando um valente armado guarda a entrada de sua casa, estão em segurança os bens que possui» - Lc 11,21 e Lc 11,22

Tem mais. Fica para a próxima.

 Rio de Janeiro, 25 de Outubro de 2006

Francisco Gomes de Amorim

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2011
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2010
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2009
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2008
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2007
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2006
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2005
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D
  209. 2004
  210. J
  211. F
  212. M
  213. A
  214. M
  215. J
  216. J
  217. A
  218. S
  219. O
  220. N
  221. D