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A bem da Nação

CRÓNICA DO BRASIL

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Francisco Gomes de Amorim

As  leis  do  absurdo

 

Num país longínquo, que podia ser visitado pela Alice, se fosse maravilhoso, onde milhares e milhares de indivíduos se locupletam da res publica, para isso mandatados por nós (absurdo, né?), há que inventar leis para se jogar poeira nos olhos dos eleitores. Do povo.

Inventa-se qualquer coisa que permita aos legisladores receberem os seus salários (altíssimos, além de tudo o resto) e, sobretudo, complicar a vida do contribuinte e trabalhador.

Por exemplo: a lei do glúten! O glúten é uma proteína que se encontra nos cereais: trigo, cevada, aveia e centeio, não no arroz e milho. Como há gente com doenças sensíveis ao glúten, publicou-se uma lei obrigando os fabricantes de produtos alimentícios, sólidos ou líquidos, a indicar nos rótulos, em destaque, se o produto contém ou não glúten, em vez de se obrigar a indicar unicamente os que o contém. Pasmem: agora até nas garrafas de vinho é obrigatória a indicação de «Não contém glúten»! Boa piada, né?

Corre entretanto um projeto de lei, no Rio de Janeiro, a cidade que podia ser a residência da Alice, se fosse mesmo a tal maravilha, querendo obrigar os laboratórios fotográficos a identificarem TODOS os clientes que ali mandam revelar fotografias. Isto, segundo os "cientistas políticos" para melhor se poder controlar o negócio da prostituição infantil! Já pensou: você tira fotografias dos seus filhos, da família, dos animais do zôo, do pôr do sol e... tem que ser identificado quase como um criminoso! Fantástico! Deve ser curioso pensar o que os laboratórios vão fazer para identificar os clientes, milhares e milhares deles, e depois o que a polícia fará com essa imensidão de registros bestas! Viva o Rio.

O ano passado, 2005, houve uma briga feia, nacional, por causa da venda e/ou porte de armas. O porte de armas ficou proibido, por lei federal, inafiançável, para toda a gente, com exceção dos bandidos, é claro. E a polícia. Esta com armas velhas, aqueles com metralhadoras, bazucas e até lança mísseis.

Há dias uma vovó, 67 anos, passeava o seu cachorrinho pela rua. Já tinha sido assaltada diversas vezes e resolveu ignorar a lei. Cachorrinho na trela, pistola na bolsa. Veio um assaltante e entre outras ameaças puxou duma faca. A vovó puxou da pistola e acertou a mão do marginal. Resultado o marginal foi socorrido no hospital, passou pela delegacia, onde já tinha um "brilhante currículo" e liberado logo a seguir. Num repente chegam oito - 8 - viaturas da polícia (a polícia não tem carros, tem viaturas!) que cercam a vovó que deliberadamente infringiu a lei. Na delegacia, com lei e tudo, mandaram a vovó para casa! O Ministério Público vai processá-la - Dura lex, sed lex - e a Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro decidiu condecorar a bravura da senhora, que entrevistada declarou o óbvio: "Têm que desarmar é os bandidos, não as pessoas de bem". Vamos ver se nos entendemos: a senhora infringe uma lei - não está em causa se a lei é boa ou não - e um órgão legislativo estadual condecora-a! A isto se pode chamar  de entendimento nacional!

Não é apologia da violência, mas «Quem não tem espada, venda sua túnica e compre uma» - Lc 22,36. ou então «Quando um valente armado guarda a entrada de sua casa, estão em segurança os bens que possui» - Lc 11,21 e Lc 11,22

Tem mais. Fica para a próxima.

 Rio de Janeiro, 25 de Outubro de 2006

Francisco Gomes de Amorim

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