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A bem da Nação

INTERRUPÇÃO VOLUNTÁRIA DA GRAVIDEZ

 Maria Eduarda Fagundes Nunes, médica brasileira de origem portuguesa, nascida nos Açores
Como  cidadã, concordo com o Sr. A. Palhinha Machado.  A interrupçao voluntária da gravidez não deve ser encarada como um simples procedimento médico. Não pode ter visão unicamente juridica. É um ato que implica em valores morais, éticos e culturais que devem ser observados pela nação.
A maneira como  se encara a vida, no caso em questão -o feto ou embrião-deve ser pessoal, pontual e cultural, e a decisão politica que se transformará em lei deve respeitar a decisão popular.
É importante que se façam debates esclarecedores, que se exponham opiniões do povo e balizadores, para que o país, no caso Portugal, não se deixe influenciar por esta ou aquela doutrina política, adotada por este ou aquele pais, pois dentro da universalidade, temos História e aspirações diferentes. 
 
 A introdução à modernidade, à tecnologia e aos novos conhecimentos, deve ter passos pensados e adaptados à realidade das necessidades do cidadão. Temos que, como mais velhos e experientes,  lembrar às novas gerações que há valores maiores a respeitar, como o direito à vida e a posição no mundo da globalização. Povo que não considera seu passado, sua história, perde a vez, nunca sustentará uma nação! 
 Enquanto a nossa civilização prestigiar o direito de viver, interromper gravidez normal é crime que merece punição.  Achar que o aborto é a solução para nossos problemas sociais é nos tratar como meros animais. Problemas sociais se resolvem com medidas educacionais, legais e com o amparo do Estado, afinal é também para isso que pagamos impostos.
Devemos ter cuidado com soluções políticas, pois podem estar perigosamente a serviço de ideais eugênicos ou de doutrinas hegemonicas, onde alguns querem ser DEUS.  É muito importante avaliar as nuances das terminologias usadas pelos políticos para despistar possíveis manipulações. Quando o governo diz despenalizar, no contexto aborto, é uma forma indireta de o liberar, pois, em fazê-lo,  não há cobrança ou penalização. A politica e a lei devem estar a serviço do seu povo, devem refletir os pareceres dos seus cidadãos.
 
 Argumentos como aqueles que dizem que as mulheres têm direito ao seu corpo caem por terra se julgarmos que elas poderiam, nesse caso,  dispor dele, também, para a vida ou para morte, ou ainda para usá-lo de maneira ilegal ou  imoral, como na prostituição. E depois como ficariam o livre arbitrio e o respeito aos preceitos do médico, que por toda a existência se norteou pela preservação e proteção da vida do ser humano? Vai ser obrigado a executar um ato que para ele é crime? E as implicações morais, religiosas, e psicológicas que essa situação pode acarretar  na cabeça do profissional? Como é que o governo vai tratar?São muitas as questões que devem ser exaustivamente pensadas e avaliadas.
 
A procura pelo bem-estar e a felicidade é sempre um sonho a perseguir. Mas sabemos que nem sempre a vida é aquilo que idealizamos, mas nem por isso deixamos de quer vivê-la, com todos os seus turtuoso, indecifráveis e às vezes dolorosos caminhos que nos fazem valorizá-la.
 
Como médica ginecologista tenho o dever de,enquanto Deus e o conhecimento me permitirem, preservar a saúde e a vida do meu semelhante. Adotar a solução do aborto para as gravidezes não desejadas, havendo na atualidade tantos  conhecimentos e  anteconcepcionais ao alcance da midia, é assinar a declaração publica de que os programas sociais  do governo, nesse setor, estão inadequados ou mal executados.
 
Recursos tecnológicos e farmacêuticos,  cada vez mais abrangentes, restringem as antigas indicações( estupro, malformação incompativel com a vida, risco de morte para a gestante),  de  abortamento.  Procedimentos e tecnicas cirurgicas atuais permitem tratamentos intrauterinos que curam fetos e preservam a saúde das gestantes.  Medicações potentes e com poucos efeitos colaterais contornam doenças materno-fetais, antes letais. Em toda a minha vida de GO nunca vi a retirada ( por curetagem, vácuo-aspiração ou micro-cesárea) de feto vivo para preservação da vida de uma gestante.
Já fiz sim, para salvar a vida de um feto de 6 meses incompletos, uma cesariana em uma jovem mãe que agonizava, vitima de um tumor cerebral, que a levou ao coma e morte. A criança sobreviveu, graças a Deus e à competência do pediatra que a atendeu, para a salvação da vida e do coração da avó que encontrou nela forças para viver e chorar a morte de sua filha.
 
Casos como de uma mulher solteira-, pobre e humilde, arrimo de pais velhos e doentes, não tendo como sustentar uma criança, engravidando, não tendo coragem de abortar, pediu-me para  arranjar  alguém para doar o seu filho quando nascesse, mas, que ao ouvir o choro da criança ao sair do seu ventre,quis segurá-lo e aconchegando-o ao peito não quis mais deixá-lo,- mostram que a vida é mais importante que qualquer dificuldade.
 
Todas as pacientes que atendi e que provocaram aborto, sem avaliar o aspecto legal, apresentaram maiores ou menores graus de sequelas físicas ou psicológicas que lhes marcaram a vida. E isso é inteligível, porque toda a mulher sabe da sua natureza especial, fundamental e intransferirvel, até qua a máquina o faça, que é a manutenção e a propagação da  espécie humana.
 
Uberaba, Outubro de 2006
M. Eduarda Fagundes Nunes

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