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A bem da Nação

A IBERICE

 

 

                                                           

 

Primeiro surge hipotética sondagem. Feita não se sabe bem como, por quem ou por quê. Tendo como alegada conclusão a exacta estatística de que vinte e sete por cento dos portugueses residentes (aos outros quatro milhões e tal lá fora ninguém “sondou”) não se importam nada mesmo de se “federar” ao reino da Espanha. O que não espanta muito, claro. Já há 860 anos que, mesmo sem sondagens, se intui da existência por cá de uma percentagem, variável mas permanente, de miguéis de vasconcelos. (Quase sempre pertencentes a elites. Intransigentes na defesa de interesses próprios. Que não os de todos em geral).

 

Seguem-se artigos vários de nacionais, aqui e ali. A dizer-nos, de uma ou d’outra forma, que na Ibéria é que estaríamos bem. Que muitos portugueses ilustres e famosos foram, e são, iberistas entusiastas. Cita-se até, como exemplo, um ex-futuro represidente, como iberista convicto. E que se formos voluntários para nos tornarmos espanhóis, ficamos logo todos a ganhar o dobro. E a poder comer tapas e “paella” à tripa forra (salvo seja...).

Aos "glutões" de Espanha e aos iberistas de Portugal, o "A bem da Nação" responde com a seguinte alternativa . . .

 . . . que é para eles aprenderem a respeitar Portugal e a vontade maioritária dos que não querem trair o seu País

Logo depois vêm uns tantos personagens galegos e catalães (bascos, não consta) clamando que não podem passar na federação ibérica sem a nossa deliciosa companhia. E que tal até os ajudava a conseguir também selecções nacionais reconhecidas pela Fifa, etc. e tal.

 

E, como cereja a coroar o bolo, aparece afinal, em sequência imediata (DN-10.10.06), extenso e erudito artigo de professor catedrático de uma universidade madrilena. Que expõe a questão de forma compreensiva e clara. Pondo tudo em pratos limpos. De forma simples para não nos ser difícil de entender. Assegura ele, pois, que a nossa integração no reino ibérico seria facílima. (Como já até o Antero e o Teófilo sabiam. Mas eram mal interpretados, coitados). É que, como é surpreendente e de conhecimento geral, qualquer português aprende portunhol em três semanas. Dá mesmo menos erros ortográficos do que os espanhóis mais atrasados. (Embora mais, do que os espanhóis menos atrasados...). Além disso, dos galegos nada temos a temer. As andaluzas adoram-nos. Com os estremenhos estamos em casa. Dos aragoneses nem se fala. Os manchegos, esses, são bons amigos; basta pensarmos no queijo. Os catalães fariam tudo por nós – se não fosse o Figo. E os castelhanos-velhos, sempre nos amaram. (Embora não contem tanto assim. São poucos e de terra pequena e árida). Enfim, deveríamos aproveitar agora para entrar no paraíso ibérico. (Trocando talvez com os bascos que falam difícil e que ninguém percebe?...).

De resto, e ainda, a Espanha exporta hoje mais para Portugal do que para toda a América. (O que decerto é de enorme vantagem para os portugueses e para a sua economia). Foi uma pena que não tivéssemos há anos votado “sim”, no referendo pela regionalização. Pois teria sido mais fácil integrar parcelas menores, e simplificado assim ainda mais a nossa entrada na feliz família. A esta hora já teríamos conseguido até mesmo igualar os espanhóis – os mais adiantados claro, no menor número de erros ortográficos de portunhol!

 

Muitos de nós (dos setenta e três por cento de ignorantes “refuszniks”), se paranóicos, poderiam pensar, perante este quadro, haver de novo em curso uma acção concertada – aliás recorrente e periódica desde sempre – para tentar convencer os portugueses da bondade e das inúmeras vantagens de que iriam beneficiar, se entrassem numa união ou federação ibérica.

É bom porém que cada um procure enumerar por si próprio tais alegadas vantagens – quando já fazemos parte de uma quase federação europeia. Elas são inexistentes para Portugal. Deve ter-se cuidado com teorias de conspiração. Mas lembremo-nos de desconfiar de coincidências. Pois o facto é que a campanha vai continuar.

Assim como assim e não só por estas mas por outras, Portugal deveria reinstituir o SMO, reequipar as FFAA e estabelecer, como os suíços, treino periódico de defesa para os cidadãos aptos até certa idade. Estamos infelizmente num mundo cada vez mais perigoso. E nunca se sabe o que por aí pode mais vir.

 

 

Cascais, Outubro de 2006

 

João M. Picado Horta

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