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A bem da Nação

CRÓNICA DO BRASIL

A coleira do demo

 

Nos antigamentes, Idade Média, em muitas igrejas representava-se o demônio na figura de um macaco. Em esculturas várias e nos capitéis, sempre o macaco está preso por uma coleira bem apertada no pescoço. O macaco simbolizava o demo, pela sua feiúra e semelhança com os homens e pelas "macaquices" que fazia (coitados dos macacos!), o aperto da coleira seria para o impedir de falar e conquistar almas para o seu inferninho ardente, onde a vida eterna é um "pan... demônio"!

Não aparece em gárgulas porque, para escoarem as águas das chuvas... tinham que abrir a goela!

Os tempos evoluíram, o padre Teillard de Chardin, um grande cientista, ajudou a confirmar a verdade da evolução das espécies e o Papa João Paulo II acabou com o tal obscurantismo de vez, afirmando que a evolução é uma ciência exata, e os simpáticos primatas saíram dessa representação demoníaca para serem considerados como os "nossos parentes mais próximos".

Nem toda a gente aceita esta idéia; há quem continue a pregar e considerar que descendemos de Adão e Eva e assim o homem só terá aparecido na terra uns quatro ou cinco mil anos atrás, somados os anos de vida que a Bíblia indica para os descentes do nosso pseudo vovôzinho primeiro. Enfim...

Hoje pouco se fala já em demônio; só quando alguns pastores procuram reverter o dinheiro gasto por pobres ovelhas em extras da dura vida, para os cofres das suas igrejas comerciais. Aí o demônio, para quem o não fizer, ameaça mais do que os macacos da Idade Média!

Bons tempos esses, medievais, quando se apertava a goela dos desbocados e muito menos besteira chegava aos ouvidos do povo. Palavras tais como roubar, corromper, matar, desgovernar e outras similares não atravessavam as cordas vocais! Não havia nem necessidade de escutas telefônicas! Nem de sermos obrigados a assistir a esta pseudocampanha eleitoral em que só se ouve vergonha!

  Macaquices diabólicas ou politiquices amacacadas?

Bons tempos... quando o homem culpado de homicídio era condenado a ser enterrado vivo debaixo da sua vítima, e o ladrão obrigado a indenizar a vítima no dobro, além de pagar uma multa de sete vezes o valor roubado.

E quem julgava e condenava não era o rei ou o senhor das terras, mas o concelho, composto dos homens bons, os homens livres!

Fiquem imaginando: 50.000 homicídios por ano no Brasil = 50.000 covas com 100.000 corpos dentro, e a "res publica" a receber duas mais sete vezes o valor roubado pelos mensalões, os sanguessugas, os anões, os... os... os... Êta paísinho rico!

Não são leis que estão faltando no país, ou quem as faça cumprir.

O que falta mesmo são coleiras. Apertadas.

 

Rio de Janeiro, 13 de Setembro de  2006

Francisco Gomes de Amorim

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