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A bem da Nação

CRÓNICA 24 - 30 MAIO – 1 de Junho 2006

Porque é que há guerras tribais em Timor – IV

0001d42q Chrys Chrystello

 

 

A última revolta ocorreu em 1959 e segundo escrevi em “Timor-Leste o dossier secreto 1973-1975” (Contemporânea Editora, 1999):

“Se as tropas aliadas tivessem deixado Timor neutral, pode ser que 60 mil timorenses tivessem sobrevivido à brutal invasão japonesa e aos bombardeamentos aliados. Depois do Armistício, a Administração Portuguesa escolhe como novos “Régulos” pessoas nas quais poderia confiar, embora, a sua maioria, carecesse de legitimidade real capaz de os impor às tribos e comunidades locais. A administração portuguesa continua a utilizar os mesmos métodos brutais e de trabalhos forçados com que experimentara antes da Guerra eclodir. Isto provoca a infame rebelião de 1959 em Uato-Lari (na costa leste) em que milhares de guerreiros indígenas marcham para lutarem contra os Portugueses.

 

Para alguns historiadores a rebelião foi provocada por agitadores indonésios mas não deixou sombras de dúvidas que se tratava de uma situação temível.

 

Eventualmente uma “Bére–Bi” (designação dada à mulher timorense) trai o seu próprio povo e lança o alarme no Sporting, um clube em Díli (Filipe Themudo Barata, ex Governador 1959-1963, em ‘Timor Contemporâneo’, ed. Equilíbrio Editorial, Lisboa 1998, apresenta a versão oficial da rebelião, que difere desta e que ocorreu enquanto ele estava em trânsito para tomar posse como Governador). Reforços são imediatamente enviados de Goa (uma então colónia portuguesa na Índia) e acaba por não se derramar sangue. Centenas de patriotas timorenses são deportados para as colónias africanas de Moçambique, Angola, Cabo Verde e S. Tomé e Príncipe. Para o povo de Timor-leste a guerra só voltará 16 anos mais tarde.

 

Entre 1945 e Junho 1974, o governo indonésio, cumprindo as leis internacionais, assevera nas Nações Unidas e fora dela ‘não ter ambições territoriais sobre o território de Timor’.

 

Em 1960, Timor era considerado um território não autónomo sob administração portuguesa de acordo com a Resolução 1514 (XV) de 14 Dezembro 1960. Entre 1962 e até 1973, a Assembleia-geral da ONU aprova várias Resoluções que apoiam o direito à autodeterminação de Timor-leste e das restantes colónias portuguesas, então eufemisticamente denominadas Províncias Ultramarinas, em sintonia com a França que designava os seus territórios coloniais como ‘Territoires d’outre Mer’.

 

A rebelião começou a 7 de Junho de 1959 na povoação de Uato-Lari e estendeu-se até Viqueque e, de acordo com Bruce Juddery do “Camberra Times”, combinava elementos anti-coloniais, anti-portugueses e tribais. O governador português exacerbou os ânimos ao formar uma milícia em Lospalos na ponta leste a fim de combater a rebelião. Numa semana morreram entre 500 a mil pessoas. Segundo Juddery, a Indonésia tinha infiltrado oficiais seus meses antes para semearem sentimentos dissidentes no litoral norte até Baucau mas Bill Nicoll, (The stillborn nation, Visa, Melbourne, 1978) explica que os indonésios eram dissidentes da Permesta (rebelião das ilhas exteriores da Indonésia, Molucas do Sul), apoiados pela CIA para lançarem uma guerra secessionista mais ampla na Indonésia. Aparentemente não tinham o apoio de Djakarta embora o cônsul indonésio fosse demitido em 3 Junho 1959. Os indonésios tinham obtido asilo português mas foram expulsos enquanto os dirigentes locais do movimento de Uato-Lari foram deportados para Angola e só foram autorizados a regressar a Timor em 1968. Nesse ano abriu a delegação da PIDE em Díli que além de vigiar timorenses também se preocupava com a Timor Oil Company e outras ameaças como os sindicalistas australianos. Abílio de Araújo liga a PIDE a uma resposta à insurreição de Junho 1959. Nesse mesmo ano, a sua equivalente australiana, ASIS (Australian Secret Intelligence Service) abre uma delegação em Díli. A comunidade árabe de Timor situava-se em Alor a oeste de Díli e quando tentou naturalizar-se indonésia no Consulado em Díli, os portugueses ofereceram-lhe a nacionalidade portuguesa (Kompas, 15 Agosto 1977).

 

Já Themudo Barata (‘Timor Contemporâneo’, ed. Equilíbrio Editorial, Lisboa 1998) narra assim a sublevação de 1959:

 

         “As primeiras notícias de que algo de preocupante se passa no leste chegam ao Administrador de Baucau nos primeiros dias de Junho, através duma informação do Encarregado do Posto de Baguia: dois dos indonésios de Viqueque ter-se-iam reunido com alguns chefes nativos de Uato-Lari e Uato-Carbau para planear uma revolta. As reuniões efectuaram-se de  noite e naqueles próprios postos. … Nesse mesmo dia o Administrador de Baucau é instruído para “ter os indonésios preparados para, se necessário, serem transportados para Díli.”

O Administrador – então em Díli – transmite estas instruções para Baucau, com o pedido de as comunicarem também para Viqueque. Porém, já em 3 de Junho aquele Administrador havia sido chamado pelo Encarregado do Governo, que o incumbiu de regressar de avião a Baucau para prender dois timorenses tidos como implicados no movimento (um deles o encarregado da estação postal).

O Administrador de Viqueque foi informado, em princípios de Junho, por carta da Administração vizinha (Baucau) dos acontecimentos de Díli e das movimentações dos asilados de Viqueque até Uato-Lari e Uato-Carbau. Pareceu-lhe, porém “que tais notícias não correspondiam à verdade”, pois todos os dias se avistava com os indonésios. E além disso, quatro deles tinham acabado de assinar uma declaração em papel selado pedindo para regressar à Indonésia. É provável que, pressentindo que as coisas não estariam a correr-lhe de feição, isto fosse uma simples tentativa de se escaparem.

 A bela Baucau, vítima da sua própria beleza, há muito que precisava de valores civilizacionais que a defendessem da cobiça alheia

Todavia, pela meia-noite de Domingo, dia 7, a residência do Administrador estava a ser assaltada e ele a ver-se obrigado a retirar sob fogo dos sublevados!

Nas vésperas, o Secretário da Administração de Baucau havia-lhe transmitido instruções do Governo para que os indonésios fossem avisados que uma viatura os viria buscar “a fim de regularizarem assuntos do seu interesse”. Santa ingenuidade!

Os indonésios apercebem-se que o cerco se aperta. Na manhã desse Domingo, o Administrador ouve alguns dos indigitados na presença dum velho colono. Todos garantem que nada fizeram e nada sabem.

Contudo, apesar disso, determina que um dos apontados como mais activo aguarde a conclusão das averiguações no quartel dos “cipaios”. Este finge obedecer, vai buscar a sua roupa a casa dum amigo, mas no percurso encontra-se com o Tenente Gerson que o manda seguir imediatamente para Uato-Lari para sublevar esse posto. Ele cumpre. O Administrador só a posteriori descobre tudo isto. Na ocasião continuava a confiar, considerando que “algum perigo que porventura pudesse existir havia passado”. Tanto assim que – como confessa no seu relatório – na tarde desse Domingo jogou tranquilamente futebol com os indonésios “quando já arriavam a bandeira nacional em Uato-Lari”.

De facto, pelas cinco da tarde, Uato-Lari é assaltado pelo chefe atrás referido com apoio de alguns cipaios, tendo o cuidado de cortar logo as ligações telefónicas com Viqueque. Convoca o povo e manda emissários a Uato-Carbau para falarem com dois chefes de suco desse posto e com instruções para fazerem o mesmo. O plano prossegue com êxito!

Pelas oito e meia dessa noite, três indonésios (Gerson, Jeremias Pello e Moniaga) reúnem-se em casa dum funcionário aposentado com mais três ou quatro timorenses de certo nível cultural e umas dezenas de outros mandados vir de localidades próximas. Moniaga havia procurado contacto telefónico com os asilados de Baucau. Ou não o conseguiu ou não foi convincente, pois estes nove indonésios foram presos na manhã seguinte sem qualquer dificuldade: estavam todos pacatamente dormindo.

Sentindo-se descobertos, os asilados políticos de Viqueque decidem assaltar a Secretaria da Administração e apropriar-se de todas as armas e munições, o que fizeram cerca das onze e meia da noite, regressando com esse espólio à casa onde se haviam reunido. Entretanto, Gerson mandou cortar as ligações telefónicas com Ossú (no caminho de Baucau – Viqueque) e interceptar a estrada com árvores para impedir o trânsito.

Nessa noite – num novo gesto bem revelador do seu estado de espírito de uma extrema confiança para além dos limites da prudência – o Administrador dispensou um dos dois cipaios armados que, com os “moradores”, fariam a guarda à Secretaria “porque o ambiente era calmo”, “porque o movimento tinha sido já descoberto em Díli e efectuadas prisões e porque já os indonésios estavam prontos a seguir para Díli nessa manhã (…) aparentemente satisfeitos (…)” A guarnição era pequena obrigando-os a perder por vezes noites sucessivas. Quis poupá-los.

Grande decepção iria ter! Poucas horas depois dá-se o assalto à Secretaria. Há guardas que resistem e são feridos.

O Administrador só dá conta do que se passa quando os sublevados se decidem a assaltar a sua casa. Pouco deve passar da meia-noite. É cercada pelos indonésios que arregimentaram também uns timorenses que dormiam por ali para receberem salários e pagamentos de côcos que tinham vendido ao Estado. Surpreendido pelo tiroteio, reage como pode. O Tenente Gerson comanda o grupo que ataca a residência, enquanto outro asilado, acompanhado por um timorense dos que estiveram na reunião, toma posições junto à ponte da estrada para Ossú, no intuito de impedir a retirada.

O Administrador consegue meter-se num jipe com a família e com um Aspirante Administrativo (timorense) que o coadjuvava e, debaixo de fogo, com o jipe varado pelas balas, felizmente sem danos pessoais, chega a Ossú, tendo logrado passar sobre os troncos que pretendiam barrar-lhe a estrada.

Telefona para o seu colega de Baucau pedindo 50 “moradores” para o acompanharem no seu regresso a Viqueque., logo que deixasse a família em segurança. Pelas três da madrugada telefona também para Díli (para o Chefe do Gabinete) a dar conta desta grave ocorrência, o qual lhe determina que peça o jipe da Missão local e se dirija a Baucau para onde lhe serão dadas directivas.

Os sublevados não ficam inactivos. Apropriam-se da camioneta da Administração de Viqueque e seguem para Uato-Lari. Chegam pela manhã sendo recebidos pelos amotinados que tinham ao peito tiras de pano com as cores da bandeira indonésia.

O Tenente Gerson, com dois timorenses mais evoluídos, prossegue para Uato-Carbau, onde são igualmente bem recebidos.

Em Díli, o Chefe do Gabinete, após o dramático relato do Administrador Ramos, telefona ao Chefe da Polícia. Dão umas voltas rápidas pela cidade para esclarecer uma perseguição suspeita (ou fantasiosa?) que haveria sofrido o radiotelegrafista que àquela hora entrava de serviço, segundo participação que acabara de fazer à Polícia.

Dirigem-se à residência do Encarregado de Governo que dá ao Tenente Braga instruções para informar o Chefe de Estado-Maior acerca da situação e para lhe dizer que deve mandar imediatamente preparar duas Secções de Atiradores reforçadas, sob o comando dum subalterno para seguirem para Baucau logo ao alvorecer. Isto para além, claro está, de outras providências como: controlo de comunicações telefónicas, alerta das unidades militares e imediata detenção dos restantes asilados indonésios.

Pelas seis da manhã, o Encarregado de Governo assiste no campo de aviação de Díli à partida daquela pequena força para Baucau, onde haviam sido mandadas requisitar camionetas e convocados alguns civis (timorenses, europeus e chineses) a quem foram distribuídas armas e munições. Recomenda-se aos chefes nativos da Circunscrição de Baucau que reúnam os seus homens e patrulhem a sua área com os meios tradicionais.

Pouco depois do meio-dia de segunda-feira, o Administrador Ramos regressa a Viqueque apoiado por essa pequena força (um oficial, um sargento e nove praças), estando ele próprio armado apenas com uma simples espingarda calibre .22, cedida por um particular.

Pelo fim da tarde sabe-se que havia regressado o motorista da camioneta de um comerciante chinês, que os sublevados coagiram a ir a Uato-Lari e que dá notícias preocupantes: os revoltosos foram recebidos por bastantes chefes nativos com os seus arraiais.

Decide-se então promover também o levantamento de arraiais fiéis. Na zona de Viqueque, com excepção de Lacluta, a população reagiu mais lentamente. Em Lautém, a reacção foi muito viva e muito rápida: poucas horas depois todo o povo se mostrava disponível e, nessa noite, o respectivo Administrador tinha já à sua volta centenas de homens.

Nessa agitada manhã de segunda-feira, dois dos restantes asilados de Viqueque são detidos a caminho de Ossú, prova que os revoltosos apenas haviam encontrado algum apoio na região a leste da estrada Baucau – Viqueque, nas áreas de Uato-Lari e Uato-Carbau.

Segundo as últimas informações chegadas ao Gabinete, os rebeldes haviam deixado em Uato-Lari gente sua chefiada pelo António Metan e pelo indonésio Moniaga e tinham reunido a norte de Uato-Carbau três grupos relativamente numerosos. Suspeitava-se que tivessem – ou que pensassem ter – apoios em Laga, fundeadouro no estreito de Wetar (na costa norte), onde a presença demasiado frequente de córcoras indonésias causava certa desconfiança.

Os arraiais de Lautém, coordenados pelo Administrador Serra Frazão e apoiados por uma parte da pequena diligencia militar estacionada em Lospalos, formam o cerco por leste, mantendo-se também atentos à zona de Laga.

Em Díli há preocupação e um certo nervosismo: são poucas as informações sobre o que realmente se passa nas áreas sublevadas e são muito poucos os meios. Na terça-feira, dia 9, decide-se enviar um reforço de mais alguns soldados e designa-se o capitão Manuel João Fajardo para dirigir localmente as operações. Este destacamento iria de avião, mas, afinal, à última hora, vai em alguns “Unimogs” militares.

É manifesta uma certa tensão no relacionamento entre o Estado-Maior do Comando Militar e a Repartição do Gabinete do Encarregado do Governo, ainda que o responsável máximo seja, em ambos os caos, a mesma pessoa.

Uma divergência importante surge quanto ao plano a seguir para dominar a sublevação. O Chefe do Gabinete (que, na prática, vinha coordenando tudo, em ligação com os Administradores) discorda da orientação seguida pelo Capitão que passou a comandar as tropas enviadas para o leste, o qual centra as suas forças e preocupações em Viqueque, para onde faz seguir também todo o pessoal civil disponível em Baucau, incluindo médicos e enfermeiros. Ao contrário, entendia o Gabinete ser fundamental impedir o acesso dos revoltosos à costa norte e dar, portanto toda a atenção à zona de Baguia para barrar o caminho para Laga. O Capitão era apoiado pelo Chefe do Estado-Maior. O Tenente Braga coloca o assunto ao Encarregado do Governo (e Comandante Militar) que concorda com as suas preocupações, mandando imediatamente reforçar a guarnição de Baguia com parte de um destacamento militar que guardava a estação de rádio de Baucau.

O tempo corria. Estava-se já a 10 de Junho. As comunicações com Viqueque continuam difíceis. Desde há dois dias nada se sabe da coluna militar. A diligência de Baucau seguiu na noite de 10, quarta-feira, para Baguia e na madrugada seguinte segue de Díli uma nova Secção de Atiradores para a substituir.

E – atente-se na pobreza dos meios – envia-se mais um cabo e duas praças timorenses com uma Bazuca para reforçar Baguia.

Pelas 11 horas de 11 de Junho, efectivamente os insurrectos estão à vista de Baguia e pelo meio-dia tentam um primeiro assalto à tranqueira  (recinto de protecção a antigas instalações militares em Timor onde depois se instalaram os postos administrativos). Nesse preciso momento estava a chegar um jipe com o tal lança-granadas Bazuca, que nem sequer houve tempo de recolher dentro da tranqueira. Só num pequeno intervalo entre os assaltos isto se consegue. Os sublevados retrocedem com algumas baixas, recompõem-se e, por mais de uma vez, repetem a tentativa. Felizmente, para nós, as armas e munições que tinham roubado eram de fraca qualidade (muitos cartuchos não disparavam).

Iniciam a debandada em direcção a Uato-Carbau. Na circunscrição de Baucau, apenas dois chefes nativos do Posto de Baguia tinham apoiado os revoltosos mas não conseguiram sublevar os seus povos e foram mortos pelos seus próprios homens.

No final da tarde, quando o Gabinete procurava ainda obter notícias da coluna do Capitão Fajardo, surge inesperadamente na linha a voz de um guarda-fios que procurava restabelecer as ligações telefónicas com Ossú. Estava escondido no mato e não ocultava o medo bem natural que sentia naquela situação. Já havia podido contactar com o seu colega de Uato-Carbau, que o informou que os rebeldes já tinham regressado após o ataque a Baguia, fugindo para as suas terras ou procurando esconder-se.

Pouco depois, o mesmo guarda-fios informa que esse seu colega lhe diz que se ouviam grandes estrondos para os lados de Uato-Lari. Vem depois a saber-se que eram as nossas forças que, antes de entrarem em Uato-Lari, haviam disparado granadas de morteiro.

Este pequeno incidente é bem revelador das enormes dificuldades técnicas no domínio das comunicações e, também, da falta de ligação entre as pessoas. Somente pelas 10 da manhã do dia 12, sexta-feira, o Encarregado do Governo (e Comandante Militar) entra em contacto com o Capitão Fajardo. Estava já em Uato-Lari. Procedia a averiguações que retardavam o seu avanço para Uato-Carbau. Segundo ele, os rebeldes estariam concentrados na foz da ribeira de Irabere, preparando-se para atacar Uato-Lari. Todavia, nesse momento a coluna com os arraiais do Administrador de Lautém atacava Uato-Carbau, depois de ter atravessado a vau aquela ribeira.

Continuavam a ser diferentes as perspectivas do Gabinete e do Comando das operações militares: o primeiro considerava urgente que a coluna se ligasse aos arraiais no ataque a Uato-Carbau: o segundo entendia que o essencial seria conter a ameaça da presumida concentração na foz da Irabere.

O Comandante Militar chama imediatamente o Chefe de Estado-Maior e determina que, na manhã seguinte, o Capitão Barreiros (acompanhado dum antigo funcionário civil que conhecia bem aquela região) fosse assumir o comando da coluna, enquanto o anterior prosseguia as suas averiguações em Uato-Lari. Parte de avião para Baucau no dia 13. Na véspera, os arraiais de Lautém ocupam Uato-Carbau. A rebelião desmantela-se. Os rebeldes espalham-se. É o “salve-se quem puder”.

Mais uma semana e, dos principais responsáveis apenas havia por capturar um dos indonésios, que foi detido na manhã do dia 20 e um ajudante de observador dos serviços meteorológicos, detido quatro ou cinco dias depois.

Precisamente nesta ocasião (22 de Junho) chegava eu ( Filipe Themudo Barata, Governador 1959-1963) a Timor.

 

O instrutor do processo pensa que foi tudo iniciativa do próprio Cônsul Nazwar Jacub, solidário com rebeldes de Sumatra, que via no êxito da sublevação em Timor um reforço para o seu Partido. Talvez isso tenha uma grande parcela de verdade, mas o facto é que o novo Cônsul (Teng Ku Hussim) continuou a dar apoio aos implicados e, inclusive, a sugerir-lhes o recurso ao asilo político. E mais ainda: as ameaças da Indonésia não pararam. As actividades suspeitas do novo Cônsul prosseguiram e, poucas semanas após o meu regresso à Metrópole, na fronteira terrestre (região de Covalima), há mesmo infiltrações declaradas de grupos de cerca de 200 indonésios acompanhados de polícias com pistolas-metralhadoras e espingardas, que deram origem a sérios confrontos e a firme reacção das nossas tropas de 2ª linha.

 

 

FIM DA 4ª PARTE

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