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A bem da Nação

CRÓNICA DO BRASIL

Eu?... Estou fora!

    Francisco Gomes de Amorim

Curioso como um indivíduo, andarilho e emigrante, leva a vida toda para se integrar no meio onde vive, e de repente se dá conta que já não pertence a lugar algum! Talvez jamais tenha pertencido. Mesmo aquele nascido numa pequena aldeia e aí vivido uma longa vida, se tiver um mínimo de capacidade de raciocínio, conclui, quantas vezes já tarde, que se ele pertence a esse lugar, talvez pertença sobretudo àqueles a quem o lugar, de fato, pertence!

Em Portugal, falando a mesma língua, sobretudo depois de ter começado a viver em África, mais ainda quando se ficou fora por mais de vinte anos, o afastamento da mentalidade ou filosofia daquela gente foi-se distanciando, esfumando, até tudo se transformar num país estranho. Lá vivem muitos amigos, muitos e muito amigos, mas os horizontes entretanto adquiridos, quando comparados aos da “governação” e do povo em geral, a visão do Outro, modificaram-se e não se coadunam mais com aquilo que um dia terá sido a sua terra.

 Foi daqui que, seguindo o Sol, os portugueses chegaram ao Mundo

O mesmo se passa em relação a África. Durante os anos ali vividos as pessoas chegaram a convencer-se que poderiam ser africanos. Queriam também e muito a independência das colônias, liberdade de ação, de pensamento, o comando duma metrópole a impedir tudo isso. Até obstáculos aos seus ex-filhos para se integrarem, por inteiro, na vida africana, na filosofia, no pensar e sentir africano, mais ainda quando a barreira epidérmica disso os dificultava. Acabaram as colônias, houve que sair, guardou-se uma saudade imensa, um profundo sentimento de simpatia e carinho por aqueles povos, mas a verdade é que por muitos anos que ali tivessem vivido, a sensação que acabou permanecendo, usando terminologia futebolesca, aproveitando o embalo da Copa do Mundo, é que esses imigrantes jogaram sempre no banco dos suplentes. Nunca chegaram a entrar em campo. Estiveram por fora!

 Luanda: construida num sonho, destruida num ápice

Finalmente no Brasil, algumas décadas passadas, por muito que cada um se sinta brasileiro, o que se assiste é que a quase totalidade da população, vindos de além mar há uma ou vinte gerações, só se sente dentro cada vez que a equipa do Brasil ganha a Copa! De resto... todos estão por fora.

Os governantes mentem, desmandam, roubam descaradamente, inflacionam os proventos daqueles a quem a sem vergonhice faz com que estejam dentro do esquema, esquecendo-se de algo básico: o progresso e a segurança da sociedade. Os outros que se.....

 A governação fez descer a noite sobre o nosso grande irmão . . .

Quem já foi português, quis ser africano e por fim tenta ser brasileiro, tem sempre alguém, alguma coisa a impedi-lo. Vive não pertencendo, não se pode dizer à nação que isso é coisa que parece nem existir, nem talvez ao país, geográfico, porque todos esses lugares pertencem desesperadamente a alguém, ou a qualquer corporação de alguéns, que além da tranqüilidade econômica nos roubam ainda a possibilidade de nos sentirmos todos irmãos.

É complicado viver onde as mentalidades, as peles ou os desgovernos não deixem que todos estejam dentro.

È por isso que sinto que... EU  ESTOU  FORA!

 

Rio de Janeiro, 17-jun-06

Francisco Gomes de Amorim

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