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A bem da Nação

UNIÕES LINGUÍSTICAS



Sem uma língua oficial única não vai haver nunca uma UE viável. O uso de uma única língua oficial é uma condição necessária – embora não suficiente – para se conseguir uma união de Estados com possibilidades de sobrevivência perene. Exemplos recentes: U.S.A. e Brasil, nunca teriam conseguido ser países com um sentimento unitário de nação, se cada um dos seus estados integrantes se tivesse decidido pelo uso de línguas diferentes. Pensar que vinte e cinco – ou mais – países com tradições nacionais centenárias poderão vir algum dia a desenvolver-se e progredir como uma só unidade política evoluindo em uníssono para atingir objectivos comuns – utilizando para isso vinte e tal línguas oficiais distintas – é de enorme e louvável optimismo. Embora não de abundância de realismo.



O bom senso ditaria assim que as diferentes nações constitutivas da UE escolhessem, de entre as suas, uma só língua para passar a ser a única oficial da União. Todos os documentos, transacções, contratos, comunicações, directivas, legislação comunitária, eventos e que tais, passariam a ser conduzidos nessa única língua. E cada país faria as traduções que reputasse necessárias para o seu próprio idioma.



Mas qual seria a língua escolhida? O inglês? Talvez a escolha se justificasse neste particular momento por ser a “segunda” língua aprendida mais conhecida, e a de uso mais espalhado na Europa. É no entanto certo que tal escolha seria contestada por todos os restantes países da União. Em especial por aqueles mais populosos. Logo a ideia teria como destino certo o mesmo da “defunta” constituição europeia. E não chegaríamos a lado nenhum.



É claro que poderíamos fazer a escolha por sorteio... Ou por votação maioritária (de países; não de populações...) Mas duvida-se aqui, também, que se conseguisse um consenso, mesmo que só até para discutir o início do processo de qualquer das alternativas!



Que fazer? Desistimos de uma única língua oficial para a União? Não será tal o mesmo que a médio prazo desistir da ideia da própria União?



É curioso lembrarmo-nos que, até aos fins do século XVIII – e mesmo depois, em muitas áreas científicas e culturais – houve uma Língua Franca usada, aceite, conhecida e não contestada em toda a Europa: o LATIM.



Aliás o Latim foi ensinado como língua culta e básica nas escolas secundárias de quase todos os países europeus (e não só...) até meados do século XX. (Depois chegou a “modernização” com os resultados que se conhecem – mas isto é assunto para outras conversas.).



O Latim não é uma língua morta. Continua a ser usada e ensinada ainda hoje em escolas e universidades. Todas as línguas europeias modernas contêm centenas ou milhares de palavras latinas ou derivadas do latim. É uma língua lógica, sucinta e fácil de aprender. É adaptável aos tempos modernos (ninguém precisaria de fazer contas, cálculos, ou de resolver equações em números romanos!). E a sua eventual escolha como língua oficial da UE, não ofenderia sentimentos nacionais de nenhum dos países membros.



Se houvesse uma decisão em 2006/2007 para tornar o Latim língua de ensino obrigatório, em todas as escolas secundárias, universidades e institutos educacionais da UE a partir de 2007/2008, teríamos, em 5/10 anos ou mesmo antes (afinal, se em três anos se completa uma licenciatura, não é preciso mais tempo para aprender uma língua; mas, mesmo que para tal se levasse vinte, não seria uma tragédia no contexto da questão...), uma “massa crítica” de europeus de todos os países (da União, aí sim!) a falar a língua (única) oficial europeia: o Latim.



Para coroar o edifício haveria uma vantagem indiscutível (“it’s the economy stupid”): com o fim, a breve prazo, das traduções pelos serviços comunitários e pelos países membros, poupar-se-iam bilhões dos respectivos orçamentos.

QED.


João Horta

10.3.2006



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