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A bem da Nação

Curtinhas IX....

eça é que é Eça...

v      “O povo português paga e reza. Paga aos que o exploram e reza aos que o enganam” filosofou, há muito, Eça, num daqueles seus rasgos de preclara lucidez – e tantos foram.

                                                                  O que diria o Duque de Palmela . . .

                                                                           

                                                                       . . . da crítica queiroziana ?

v      Veio-me esta sentença queiroziana à ideia quando lia a entrevista escrita que o Senhor Procurador Geral da República (PGR) concedeu ao Expresso do último fim de semana

v      Diz o PGR (e percebe-se-lhe a satisfação pelo modo expedito como os seus serviços se desenvencilharam do berbicacho) que o mistério da origem da disquete posta a bom recato no célebre envelope 9 não resistiu um mês. E passa a agitar perante nós, leitores, a muleta rubra dos jornalistas que trouxeram o caso a público.

v      Ora, ora. Se a diligência levasse mais do que um bocado de uma manhã pouco esforçada, era porque, das duas, uma: ou a PT punha entraves à investigação; ou a bagunça na PT era tal que ninguém por lá sabia já a quantas andava.

v      Mas, e o resto? A disquete não chegou às mãos de investigadores e juizes? Que concluíram eles?

v      Das duas uma: ou deixaram-na para ali, esquecida, sem lhe darem a menor atenção; ou analisaram-na, e nada fizeram

v      Se não mais pensaram nela, das duas, uma: ou estavam já cientes de que nada do que lá viesse teria importância para a investigação em curso – e, nesse caso, deram mostras de displicência, de deficiente planeamento das acções que tinham de levar a cabo e, quiçá, de desconsideração pelo trabalho que iam causar a outros; ou não estavam – e, então, foram negligentes, por mais voltas que o PGR agora dê no seu discurso.

v      Mas se a abriram com olhos de ver, certamente não lhes terá passado despercebido (como não passou a jornalistas, bem menos versados nos parágrafos da Lei Penal) que, lá dentro, havia muito mais do que aquilo que tinham pedido – e que todo esse excesso, ainda que politicamente embaraçoso, era totalmente irrelevante para o que procuravam desvendar.

v      Assim sendo, era dever deles, investigadores e juízes, destruir de imediato tudo o que não contribuísse, com um mínimo de razoabilidade, para o sucesso da investigação que lhes estava confiada.

v      Não o fizeram e, pelos vistos, ninguém cuida de averiguar porquê.

 

 

Lisboa, Maio de 2006

 

A. Palhinha Machado

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