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A bem da Nação

CONCEITO DE ESQUERDA

 

 

Como é sabido, os conceitos de “esquerda” e “direita”, em política, começaram durante a Revolução Francesa, em 1789, na Assembleia Nacional, em que se sentavam à direita do Presidente os defensores dos privilégios dos nobres e do rei e, à esquerda, os defensores do povo, que usavam o lema “Liberdade, Igualdade, Fraternidade”.

 

Adaptados aos tempos actuais, esses conceitos podem exprimir-se pelas acções que as pessoas ou os partidos defendem, se não estão no poder, ou que praticam, se estão no poder. Dum escrito antigo transcrevo:

 

(...) podemos dizer que são acções de esquerda as nacionalizações, a redução do leque salarial (na extrema esquerda os salários seriam todos iguais), saúde, educação e protecção na velhice como encargos do estado, predomínio do trabalho sobre o capital (na extrema esquerda não pode haver capital privado), impostos altamente progressivos, em que quem tem mais paga proporcionalmente mais e quem tem muito mais paga proporcionalmente muito mais, etc. Por oposição, são de direita as privatizações, um grande leque salarial (desde salários de miséria a salários muito altos), saúde, educação e protecção na velhice como negócios privados, predomínio do capital sobre o trabalho, impostos pouco progressivos ou, até, todos a pagarem a mesma percentagem, etc.

 

Assim, é na base das acções que praticaram quando exerciam  poder que vamos avaliar os partidos e as pessoas, principalmente os Primeiros Ministros. Nos estados actuais há sempre acções de esquerda e acções de direita, sendo a proporção de cada uma que determina a sua posição, no espectro político. Quem praticou mais acções de direita não pode ser chamado “de esquerda”.

 

Do artigo atrás citado transcrevo:

 

O Partido Socialista “era” um partido de esquerda após o 25 de Abril, quando andava de braço dado com o Partido Comunista a fazer nacionalizações e actos do género e Mário Soares, na rua, de punho erguido, berrava “Partido Socialista, um partido marxista!

Mas algum tempo depois o discurso já não era o mesmo e não tardou a abandonar o socialismo, antes mesmo de Mário Soares declarar expressamente que tinha “metido o socialismo na gaveta”. (Para ser coerente, a partir dessa data o partido deveria ter mudado de nome. Mas todos sabemos que os nomes dos partidos pouco ou nada significam).

 

Essa “ausência de esquerda” (virar à direita) continuou com Guterres, com várias acções de direita e, de esquerda, apenas o Rendimento Mínimo Garantido, de muito duvidosos resultados. Com Sócrates, alegadamente “socialista”, foi um regabofe de extinção de serviços públicos, para obrigar a dar negócio aos privados, reduziu os ordenados de quase toda a classe média e sobrecarregou-a com impostos, alargou o leque salarial, fez dezenas de PP (parcerias público-privadas) para dar bons negócios aos privados (beneficiários e não concessionários, como lhes chamam), com elevados lucros garantidos, à nossa custa. Colocou as finanças públicas em estado tão lastimável que teve de submeter o país â humilhação da troika e duma astronómica dívida, porque, segundo declarou, se o não fizesse não haveria dinheiro para pagar ordenados e pensões. Não disse que não haveria dinheiro para pagar às tais PP, nem para dar aos partidos, nem para dar às fundações ditas “privadas”, nem para pagar “pareceres” caríssimos, nem para as milhentas e absurdas mordomias. Governou, portanto, como extrema direita.

 

O “Expresso” tem, nos seus dois últimos números, apresentado crónicas sobre as próximas eleições presidenciais e uma grande lista de potenciais candidatos. Essa lista está dividida em duas, uma com os candidatos que considera “de esquerda” e a outra dos candidatos “de direita”. Entre os “de esquerda” está Sócrates...

 

É muito bizarro o conceito de ”esquerda” que vigora em Portugal!

 

 Miguel Mota

 

Publicado no "Linhas de Elvas" de 21 de Novembro de 2013

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