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A bem da Nação

JANGO & Cª

Para os que não conhecem a história do Brasil:

- Jango era o vice de Jânio Quadros, o presidente que renunciou.

- A bandalha instalou-se no país, sargentos a mandar em generais, cabos da Marinha nos almirantes, os comunas a tomarem conta de tudo... até que...

- Em 1964, as Forças Armadas deram um basta, correram com o Jango e instalaram a ditadura.

- Jango exilou-se; mas quanto voltou ao Brasil, foi para a sua fazenda, grande, uma noite foi dormir e... acordou morto.

- Agora a esquerda procura veneno!

- Celso Daniel era o prefeito duma cidade em São Paulo e foi assassinado pelos comparsas porque parece que sabia demais. Nunca se apurou quem foi o mandante e o assassino

- José Dirceu e Roberto Jeferson são dois "inocentes" do famoso "mensalão". 

 

 Francisco Gomes de Amorim

 

Com a devida vénia:

 
OS DEFUNTOS FRESCOS
“Peixes e convidados fedem em três dias.”
 
        
Jango é defunto antigo; Celso Daniel, também. A esquerda exumou o primeiro e quer esquecer o segundo. Dilma, em seu incoercível caminho para a reeleição, tentou fazer barretada eleitoral com os restos do primeiro. Deu tudo errado. Taticamente não fala no segundo porque jamais agradaria à direita, em virtude de que o prefeito de Santo André foi morto por motivo político. Ah, isso não foi provado! – exclamarão alguns; mas também não há evidência de que Jango foi envenenado! – atacarão outros. Por que tanta preocupação com um defunto e o desprezo comissivo por outro?
        
Enquanto honras militares eram concedidas a alguém que fora varrido antanho por eles mesmos, o presidente do STF preparava o maior golpe já perpetrado sobre a nuca do PT. Preparou-se para, no dia da proclamação da República, resgatar o país do gozo da impunidade. Cumprindo somente a lei, mandou para a cadeia a quadrilha infame que perpetrou o crime do mensalão. Foram sete anos de espera, longos estudos e perícias e julgamento de um semestre. Melhor que isso, só viajando a Marte...
        
Pobre PT, que com a sua política de “dois passinhos pra frente e um pra trás”,comissões da verdade para os que lutaram bravamente pela implantação de uma democracia comunista, defuntos esquecidos e outras trampolinagens culturais –acabou colhido pela prisão emblemática dos mensaleiros.
        
Qual será a resposta governamental a esse triste destino? O projeto de José Dirceu de chegar à presidência foi destruído por Roberto Jefferson, personagem esdrúxulo que, tendo pertencido à máfia, resolveu não cair sozinho e levou consigo a cúpula de então do partido majoritário e demais membros da quadrilha. Enfim, a piada de salão transformou em defuntos frescos os imortais da corrupção que se consideravam imbatíveis. “Happy end”, afinal...
        
E tais defuntos não receberam nem réquiem da presidenta. Ela foi instruída por seus marqueteiros a não se envolver com o cemitério. Reis mortos, reis postos, não é o que diz o ditado?
Já estava muito ocupada com os restos de Jango, cujo odor só interessava à esquerda. Aliás, a esquerda habitualmente escolhe a dedo quem deseja ressuscitar. E que gosto, meu Deus! Nesse caso, o retrovisor valeria a pena, mas como a história teimosamente olha para a frente, a presidenta não contava com as iniciativas de outro poder da República. Pensava-o morto, mas ele também reviveu. E como?
        
Esquerda e direita vivem agora no país uma guerra de defuntos. Qual  seria o mais notório? Quem despertará mais interesse da patuléia, narcotizada como sempre por duplas caipiras e bailes funk? Se 67% do povinho pascácio só tem o curso primário e não tem médicos nem hospitais, como fazer a choldra chorar pelos defuntos frescos?
        
O país submerge nas covas da corrupção e não sobra culpa pra ninguém, o que que falta é cadeia. Segurança máxima para pretos, pobres e prostitutas, enquanto políticos, fiscais, pegadores de propinas de empreiteiras, construtoras, multinacionais e firmas sonegadoras de impostos encontram absolvição nos tribunais, na medida em que o tempo passe, os alienados esqueçam e os recursos abundem.
        
Os três poderes republicanos são árvores velhas de corrupção e estão em agonia. Diante deles, a população não chora nem leva velas. Continua amando o carnaval e o futebol, a despeito dos black blocks, os baderneiros arrasa-quarteirões da pós-modernidade.
        
Imagino a raiva petista nos bastidores. O que fazer com o Joaquim que não bancou o pai Tomás. Se acontecer de ele também virar defunto, a coisa ficará muito evidente...
        
O que fazer, então, PT? Afinal, os lorpas da classe C só se interessam por fogão, geladeira e carro popular à prestação, pra ficar em engarrafamentos e estradas esburacadas. Não irão se debruçar sobre defuntos nem chorar por anistiados endinheirados.
        
Serão necessárias novas estratégias. Naturalmente, nossos impostos pagarão os cientistas políticos que irão auxiliar a presidenta a “pensar”  em novas manobras para a conquista do eleitorado. As últimas foram mesmo um desastre!
        
Pois a imprensa só fala em mensalão e uma revista com taxímetro desviou-se dos fatos atuais para comentar a ecologia. Afinal, isso seria mais importante para o governo do que aludir aos novos defuntos frescos!
        
O dia 15 de novembro de 2013 será lembrado pelos pósteros como uma data de libertação nacional. No Brasil, a partir daí, canalha rico e poderoso poderá ir pra cadeia e seus objetivos torpes descerão á cova juntamente com as suas ambições.
        
E o partido no governo não vai conseguir reverter o processo, tentando capitalizar o feito, porque Joaquim Barbosa demonstrou ser independente, apesar de ser chamado “negro traidor” pela ofendida  militância no poder.
        
Muito cuidado, então, ao escolher a dedo os ministros do STF. De preferência que sejam os de passado militante, embora se tornem vitalícios (e inamovíveis) depois. E é aí que a porca torce o rabo, porque os ministros podem desobedecer os heróis de plantão e deixar novos mortos pelo caminho...
        
Pobre Brasil, cujos defuntos antigos não se revolvem nas covas. São os defuntos vivos e frescos que sofrem dentro e agora fora do governo. E não há saída porque irão feder do mesmo jeito...
 
 
 
(escritor, economista, poeta e, por enquanto, ainda vivo, bem vivo...)

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