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A bem da Nação

MAQUIAVELISMO

 

 

É de Ricardo Araújo Pereira o texto que segue, que me chegou por email. Um texto sob forma epistolar, falsamente bonacheirão, como é seu hábito de escrita, de afirmações drásticas de aparente apoio ao “Príncipe” PM, segundo os preceitos defendidos por Maquiavel, de que os fins justificam os meios, como orgânica de apoio ao poder absoluto dos reis.

 

E assim, a política governativa contra os velhotes, que são um peso social, sobretudo a partir da reforma e da doença, é aparentemente elogiada, acrescentando-se-lhe ainda provocadoramente, outras normas de exagero absurdo, como o prolongamento da idade de reforma para os oitenta e cinco anos, ou a sua exportação ou exposição fora da pátria, como produtos típicos do nosso fabrico interno.

 

Um artigo tendente a atrair a simpatia dos “velhotes”, que se sentirão acarinhados por um menino inteligente e bom, pois logo percebem quanto as verdades de Araújo Pereira - sobre o “estorvo” que eles representam, com os vencimentos do prolongar de vidas inactivas e com a comparticipação estatal nas “drogas” do seu “estatuto” vivencial - são verdades de mentira, beijos de carinho para eles, mártires escorraçados, pedradas para a arrogância do “Príncipe” que os despreza e arruma na gaveta dos trapos imprestáveis.

 

Não me parece honesto o ataque a um Governo, que as forças “maquiavélicas” dos bondosos da demagogia se esforçam por todos os meios de demolir, só porque aquele se esforça por pôr a casa em ordem, repondo dinheiros que nos não pertencem. Governo de dureza, que não tem outro remédio senão atacar o bolso dos “comilões” que outros governantes, movidos pela agressividade e exigência contínua das forças do protesto - segundo os parâmetros de uma democracia não de princípios de respeito e ordem, mas apenas de arruaça e reivindicação - permitiram que fôssemos todos, como se viu e se vê ainda, nas estradas percorridas a passo, por filas de automóveis do nosso bem-estar, nos supermercados razoavelmente percorridos de compradores, e em outras manifestações dos nossos gozos materiais.

 

Diz-se que a balança comercial está a erguer-se, que as exportações aumentam, que o desemprego começa a diminuir, mas são dados que se ignoram, pois na verdade o Governo continua a cortar nos vencimentos como forma de sair da crise e duma Troika penalizadora.

 

O Governo mente, é o estribilho, faça-se a greve para pressionar e dificultar mais a vida do Governo, e de toda a gente, afinal. O Governo não merece apoio, merece a troça dos maquiavéis inteligentes, vejamos o “Um Parecer” de Ricardo Araújo Pereira, que nos permite continuar na vitimização e no choradinho com que nos distinguimos, no mare magnum da nossa idiossincrasia tradicional:

 

 

Caro Sr. primeiro-ministro,

 

O conjunto de medidas que me enviou para apreciação parece-me extraordinário. Confiscar as pensões dos idosos é muito inteligente.

 

Em 2015, ano das próximas eleições legislativas, muitos velhotes já não estarão cá para votar. Tem-se observado que uma coisa que os idosos fazem muito é falecer. É uma espécie de passatempo, competindo em popularidade com o dominó. E, se lhes cortarmos na pensão, essa tendência agrava-se bastante. Ora, gente defunta não penaliza o governo nas urnas. Essa tem sido uma vantagem da democracia bastante descurada por vários governos, mas não pelo seu. Por outro lado, mesmo que cheguem vivos às eleições, há uma probabilidade forte de os velhotes não se lembrarem de quem lhes cortou o dinheiro da reforma. O grande problema das sociedades modernas são os velhos. Trabalham pouco e gastam demais.

 

Entregam-se a um consumo desenfreado, sobretudo no que toca a drogas. São compradas na farmácia, mas não deixam de ser drogas.

 

A culpa é da medicina, que lhes prolonga a vida muito para além da data da reforma. Chegam a passar dois ou três anos repimpados a desfrutar das suas pensões. A esperança de vida destrói a nossa esperança numa boa vida, uma vez que o dinheiro gasto em pensões poderia estar a ser aplicado onde realmente interessa, como os swaps, as PPP e o BPN. Se me permite, gostaria de acrescentar algumas ideias para ajudar a minimizar o efeito negativo dos velhos na sociedade portuguesa: 1. Aumento da idade de reforma para os 85 anos. Os contestatários do costume dirão que se trata de uma barbaridade, e que acrescentar 20 anos à idade da reforma é muito.

 

Perguntem aos próprios velhos. Estão sempre a queixar-se de que a vida passa a correr e que 20 anos não são nada. É verdade: 20 anos não são nada. Respeitemos a opinião dos idosos, pois é neles que está a sabedoria. 2. Exportação dos velhos.

 

O velho português é típico e pitoresco. Bem promovido, pode ter aceitação lá fora, quer para fazer pequenos trabalhos, quer apenas para enfeitar um alpendre, um jardim. 3. Convencer a artista Joana Vasconcelos a assassinar 2.500 velhos e pô-los em exposição no MoMa de Nova Iorque. Creio que são propostas valiosas para o melhoramento da sociedade portuguesa, mantendo o espírito humanista que tem norteado as suas políticas.

 

Cordialmente,

 

Nicolau Maquiavel

 

 Berta Brás

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