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A bem da Nação

SILVINO SILVÉRIO MARQUES

 

 

Conheci-o, servi com ele, estimei-o e não o esquecerei, agora que morreu.

 

Reconheço que nem toda a gente teve a sorte que me calhou aquando da comissão militar que me coube em Moçambique: servir sob o comando geral de Kaúlza de Arriaga e ter como Segundo Comandante o então Brigadeiro Silvino Silvério Marques a cujas ordens directas me cumpria cumprir, é luxo que guardo.

 

 

 Angola - 'ESTRATÉGIA ESTRUTURAL PORTUGUESA', de S. Silvério Marques (1970)

 

"ESTRATÉGIA ESTRUTURAL PORTUGUESA” – assim se chamava o livro em que Silvino Silvério Marques compilara muitos dos discursos que proferira enquanto Governador de Cabo Verde e Governador-geral de Angola.

 

Já nessa época eu visitava livrarias com tanta regularidade quanto me era possível e não me foi difícil descobrir um exemplar dessa obra na única livraria minha conhecida em Nampula. Comprei e comecei logo a ler.

 

Isto passou-se bem no início da minha comissão e não deixou de ser da maior importância o Sentido de Estado e o espírito de missão que me passaram a influenciar estruturalmente. Até hoje[1].

 

Cada vez que com ele falava, eu sentia-me perante uma figura que já então pertencia à História de Portugal e esses Valores que dele recebi através do livro cujo exemplar me autografou, foram responsáveis pelo sentido de missão de que me imbui durante toda a minha comissão de serviço. Percebi então que a todos nos poderia caber uma missão importante por mais modesta que pudesse ser a hierarquia em que nos encontrássemos, por mais modesto que pudesse ser o contributo objectivo para a «máquina» em que nos encontrávamos inseridos. E essa era uma «máquina» que não se vangloriava dos inimigos que abatia mas que se orgulhava dos cidadãos que edificava, do bem que conseguisse espalhar sem olhar a cores nem a credos.

 

Foi assim que me senti no exercício duma missão de civilização. E aprendi muito.

 

Regressados todos a Lisboa, encontrei-o por acaso no Rossio. Cumprimentámo-nos, reconheceu-me e convidei-o a acompanhar-me ao meu escritório ali na Rua dos Correeiros onde tinha sociedade com o Eng. Vilar Queiroz que tinha sido Secretário Provincial dos Transportes e Comunicações de Moçambique.

 

Conversa interessante sobre o tempo em que tinham coincidido em Moçambique mas é claro que Angola e Cabo Verde também vieram à colação. Mas o mais importante não foi o passado e sim o futuro por que ambos temiam. Passados dias aconteceu o 11 de Março. Estávamos em 1975.

 

Foi no restaurante do meu Clube há meia dúzia de anos que pela última vez o vi. Estava acompanhado por outras duas celebridades. Cumprimentei-o a uma certa distância porque notei logo que não me reconhecera. Eu estava com mais 40 anos relativamente ao tempo em que, sob o seu comando, começara a tentar fazer algo a bem da Nação.

 

Lisboa, Outubro de 2013

 

 Henrique Salles da Fonseca



[1] Apetecia-me colocar aqui um ponto de exclamação mas o General Silvino não pactuava com essas particularidades e respeito a sua vontade.

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