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A bem da Nação

A SUBMISSÃO DA SIBÉRIA POR ERMAK – 2

 

 

Por fim os cossacos alcançaram o Tura. O príncipe siberiano Epantchá, tributário de Kutchuma, reuniu a sua gente. No lugar, onde o Tura faz uma grande curva para norte, ele armou uma emboscada.

 

No cabo do rio apareceram os barcos dos cossacos. Começaram a voar as flechas dos tártaros, não atingindo os barcos. Ermak não deu ordem para ripostar e os barcos passaram. Enquanto dobravam o cabo, Epantchá reuniu-se com os seus mais à frente. O lugar agora era estreito e com as flechas feriram alguns cossacos.

 

No barco do ataman rufou o tambor, sinal de preparação para a luta. Os cossacos fizeram pontaria. Choveu a descarga. Os homens de Epantchá não conheciam a "luta com fogo". Passa o fumo e olham, ribomba dos barcos; caiem mortos e feridos, e não se viam flechas. Os tártaros fogem com medo.

 

De úluss (aldeia tártara) a úluss corre a notícia que dos montes vêm barcos, que ribombam e lançam raios.

 

Do nascer ao pôr-do-sol e durante a noite à luz de fogueiras, os tártaros constroem fortificações. Em redor da capital do khan, Kashlyk, cavaram um fosso profundo. No cimo das colinas puseram ramagens secas para fazerem fogueiras de sinalização.

O próprio filho do khan, Makhmetkul foi para o Tobol enfrentar os russos.

 

Nota: Os cossacos eram russos? Claro que eram, mas russos com estatuto especial: eram livres, tinham fugido, eles ou seus antepassados, das muitas restrições à liberdade que lhes eram impostas pelo Czar moscovita e pelos boiardos, e juntaram-se nas terras do sul, onde viviam independentes, embora não formassem um estado formal, sem impostos, sem leis, sem obrigações militares. Por isso é que o Czar Ivan IV, Gróznii – o Terrível – dera ordens à sua tropa de matarem os cossacos que encontrassem. E – ironia do destino – foram os cossacos, homens libérrimos, que engrandeceram a Rússia, acrescentando-lhe a Sibéria. JR

 

 

 

Juntaram-se os cossacos na margem. Para cada cossaco havia dez tártaros. Durou cinco dias a luta. No sexto dia os barcos navegaram para mais além. Dentro de alguns dias os cossacos ocuparam uma povoação na margem direita do Tobol.

 

Nesta povoação eles descansaram quarenta dias. Em Setembro, eles ocuparam outra povoação, na qual decidiram invernar. Mas já não havia provisões e tinham pela frente o Inverno e a fome. Em Outubro atacaram o exército tártaro nas proximidades da capital. No outro dia enterraram os mortos: cento e oito tinham caído nesta luta. Mas o khan tártaro abandonou a sua capital.

 

*

* *

 

Em 22 de Dezembro de 1582, Ermak enviou a Moscovo o ataman Ivan Koltzó ("João Anel"). Levou o ataman para Moscovo um sem número de peles de marta, cinquenta peles de castor castanho escuras, vinte de raposa cinzento-escuras. Levou também um documento escrito por Ermak, que contava as suas lutas e vitórias. Tendo lido a carta de Ermak, Ivan Gróznii gritou:

- Um novo reino Deus enviou à Rússia!

 

O Czar estava contentíssimo. Vinte e quatro anos lutara ele no ocidente e a luta acabara sem sucesso. E agora, inesperadamente, era a Sibéria. Não se lembrou o Czar que havia tempo ordenara que apanhassem o ataman cossaco Vashka Koltzó e o enforcassem.

 

 

A luta contra Kutchum ainda durou muito tempo.

 

Em 1585, tendo submetido alguns principados, Ermak continuou a avançar pelo Irtysh. No princípio de Agosto, os barcos já voltavam para Kashlyk. A 4 de Agosto, os cossacos aproximavam-se da foz do Vagaia. À tarde, o céu cobriu-se de nuvens.

 

Os cossacos estavam cansados, sofriam com o calor sufocante e remavam silenciosos.

 

Chegaram à foz do Vagaia. Aqui o Irtysh forma um comprido arco, entre as extremidades do qual alguém cavara um não profundo fosso com aterro. Neste arco, cercado de todos os lados por água, instalaram os cossacos um acampamento nocturno. Não conseguiram fazer fogueiras, – as primeiras grandes bátegas batiam nas folhas das árvores. Uivava o vento, as ondas batiam contra a margem. Porém, os cossacos, cansados, adormeceram profundamente.

 

Mas, para lá do rio, na outra margem, estava o khan Kutchum. Já havia muito que ele seguia os cossacos pela margem do rio.

 

Algumas horas mais tarde, os tártaros atravessaram o rio a vau e à meia-noite chegaram ao acampamento dos cossacos. Estes nem abriram os olhos. Os homens de Kutchum mataram os adormecidos. Apenas um capataz e Ermak conseguiram pôr-se em pé de um salto. Os soldados de Kutchum cercaram-nos de todos os lados.

 

"Não é possível fugir", – pensou Ermak e começou a lutar. O capataz, rechaçando os inimigos com um machado, recuou em direcção à margem. Ermak também se aproximou da margem. O capataz saltou para o barco. Ermak quis fazer o mesmo, mas o barco empurrado por uma onda afastou-se da margem. Duas pesadas armaduras – um presente para o Czar – puxaram-no para o fundo. Aproximaram-se a correr os tártaros. Olharam – nada, apenas na água se desfaziam largos círculos.

 

Morreu Nikita Pan. Morreu Yakov Mikhailov. Morreu Ivan Koltzó. Morreu Ermak Timofeevitch. Matvéi Mereshak com os restos da drujina dos cossacos voltaram para Kamen'.

 

No trono siberiano sentou-se o filho Aley de Kutchum. Lá se manteve pouco tempo: Seid-Akhmet com o auxílio dos bukhartzy e dos kirguizes matou Kutchum e expulsou Aley de Kashlyk.

 

E de Kashlyk saíram os russos. Destacamento após destacamento, navegou os rios siberianos. Nas águas do rio Tura reflectiam-se as muralhas da fortaleza russa de Tiumen. No Irtysh, não longe de Kashlyk, construiu-se a cidade russa de Tobolsk. Esta vizinhança não agradou a Seid-Akhmet, que sitiou Tobolsk, mas foi derrotado e preso.

 

O Estado russo avançou para leste.

Gritza

 

  • Nota: No tempo de Ivan Gróznii (século XVI) os tártaros eram milhões e praticamente dominavam a Sibéria. De raça urálica, aparentada com a mongólica, eles constituíam muitas tribos distintas com suas culturas particulares. Na generalidade, adoptaram o Islão. Hoje, os tártaros continuam a existir, geralmente muito russificados, mesmo nos países da Ásia Central tornados recentemente independentes e continuam a ter relações muito amistosas com a Rússia.

FIM

 

Joaquim Reis

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