Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

A bem da Nação

Competitividade – palavra chave

No seu primeiro relatório anual ao Presidente e ao Congresso, em 1992, o Conselho americano para a Política da Competitividade definia o conceito de forma muito sintética: "Competitividade é a capacidade de produzir bens e serviços que vençam o teste dos mercados internacionais, elevando de forma sustentada o nível de vida da população". Pela simplicidade que reveste, este conceito aplica-se tanto à macro como à microeconomia; basta para tal substituir população por empregados. Claro está que os pressupostos micro e macro são diferentes e todos sabemos que a Economia do mais pequeno País tem agregados diferentes dos princípios que regem a maior empresa mundial mas a verdade é que a competitividade só se pode medir em mercados abertos, em regime democrático e sem constrangimentos à concorrência. Protecções pautais, condicionalismos ao associativismo empresarial, patronal e sindical e a prevalência de monopólios ou monopsónios são distorções da competitividade que impedem a sua correcta e saudável medição. Se queremos que um País seja economicamente competitivo, temos que criar as condições para que as empresas desse mesmo País o sejam. Não é pelo facto de a soma de muitas microeconomias não fazer uma macroeconomia que podemos maltratar as empresas e esperar ter uma saudável Economia nacional. Tudo isto são axiomas económicos mas às vezes parece que os responsáveis políticos de muitos Países os esqueceram. Nomeadamente no nosso. Eis a razão pela qual vimos desde Janeiro de 1999 medindo o impacto legislativo sobre a competitividade das empresas portuguesas com frequentes maus resultados e algumas excepções que definem a regra anterior. Para além do impacto legislativo acima referido, temos também a questão da globalização por que se optou. Ora, se há condicionalismos nacionais ( v.g. a carga fiscal sobre a energia ) que penalizam as empresas desse País, certo é que outros factores de produção terão que sofrer penalizações para que o agregado empresarial consiga sobreviver em mercado aberto. Eis, assim, a preocupação que temos tido de ir sistematicamente fazendo o benchmarking da Economia Portuguesa com as de outros Países, nomeadamente com os demais Estados Membro da UE, nossos mais directos concorrentes. Onde vamos buscar o que nos tiram em Impostos? Com que mão-de-obra contamos? Com que Lei Laboral temos que viver? Com que qualidade da Despesa Pública devemos lidar? A que Império Burocrata nos temos que submeter? Eis o tipo de questões a cuja análise nos dedicamos comparando a Europa com os EUA e com o Japão e comparando Portugal com a Europa. Com esta medição comparativa das realidades estamos claramente a sugerir que se tomem medidas de política que corrijam as nossas desvantagens nacionais – caso elas dependam da vontade humana – mas o mais que temos conseguido é trazer para a discussão pública todas as questões relativas à competitividade. Já não é mau pois não restam dúvidas de que este é hoje um tema que em Portugal anda na boca de todos os políticos públicos e privados. Muito há que fazer até que comecemos a ficar satisfeitos com o nosso próprio trabalho pois os consensos ainda não estão muito divulgados mas isto, pelo menos, já conseguimos: em Portugal, hoje, a competitividade é uma palavra-chave. Henrique Salles da Fonseca Publicado em 13 de Junho de 2003 – O Independente – Economia, Opinião

1 comentário

Comentar post

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2016
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2015
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2014
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2013
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2012
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2011
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2010
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2009
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2008
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2007
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2006
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D
  209. 2005
  210. J
  211. F
  212. M
  213. A
  214. M
  215. J
  216. J
  217. A
  218. S
  219. O
  220. N
  221. D
  222. 2004
  223. J
  224. F
  225. M
  226. A
  227. M
  228. J
  229. J
  230. A
  231. S
  232. O
  233. N
  234. D