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A bem da Nação

POSTAIS ILUSTRADOS LXXVI

 

A MUDANÇA DOS CICLOS

 

"Chega sempre a hora em que não basta apenas protestar: após a filosofia, a acção é indispensável."

- Em Os Miseráveis, de Victor Hugo

 

 

No passado Domingo, 8 de Setembro de 2013, sob o título SABER VER, SABER PENSAR, escrevi 31 frases incompletas das quais destaco a 17ª - "O Karl Marx deve bater palmas lá no esquife onde descansa…" e a 18ª - "Constata que as suas teorias, ainda hoje, sobrevivem…".

 

A tomada do aparelho do Estado está concretizada pelos partidos do chamado, pomposamente, arco da governabilidade. Alternam-se, entre si, e para garantir a democracia musculada em que vivemos, recorrem a um partido-eixo ou charneira, - quando não têm maioria absoluta -, que assegura a exequibilidade das decisões dos Governos em funções e garante a estabilidade da permanência destes dentro do sistema.

 

É um embuste do sistema democrático!

 

Em 1903, o Partido Operário Social Democrata Russo, sofreu uma clara cisão.

 

Os seguidores de Vladimir Illich Ulianov Lenin que formavam a maioria no POSDR, organizaram-se num novo partido, o Partido Bolchevique, oriundo da bolchinstvó, (maioria) e que consagra o nome de bolcheviques.

 

Não compreendo as palavras de revolta do actual líder dos comunistas. Políticas de direita? Em que estação?

 

Então o Senhor Primeiro-Ministro não está a tentar dar cumprimento a um velho sonho marxista-leninista de, com a convergência, pôr todos os trabalhadores em pé de igualdade?

 

Deixa de haver diferença entre publico e privado. Passamos à tão desejada igualdade socialista. Leiam Lenin, Marx, Engels, entre outros, e veja-se o que escreveram sobre a matéria.

 

Digam lá que não é uma ideia genialmente democrática: vai tentar pôr-se uma classe trabalhadora mais favorecida ao nível de uma classe trabalhadora mais pobre, como aliás, fez o movimento ideológico revolucionário marxista-leninista lá na longínqua Rússia, onde os trabalhadores viviam miseravelmente, segundo reza a História, e só os funcionários do partido único, por serem da superestrutura, tinham as mordomias condicentes com o estatuto que o exercício do poder lhes conferia?

 

Não estou a afirmar coisa que os historiadores desse período, entre a queda do Czar Nikolái Alieksándrovich Románov, até à queda do muro de Berlim, não tenham divulgado.

 

Eu pensava que era lei, nas regras de funcionamento do bem-aventurado mercado, que, quanto mais massa monetária circulasse, mais desenvolvimento haveria, porque possuindo dinheiro tínhamos mais consumidores a gastar, tendo mais consumo aumentaria a produção, desceria o emprego. Porém, tudo isto tem um ónus, um modelo algébrico muito complicado porque grande parte da massa monetária é desviada do circuito, bloqueando o funcionamento lógico das relações económicas e enchendo as contas bancárias em off shores, ou, concretizando,, paraísos fiscais.

 

Mas não! Estou redondamente enganado porque, por estas bandas, a política é descendente, indecente e miserabilista. "O quê? Vives mais ou menos? Para haver uma aproximação nos direitos de toda a classe trabalhadora, tens de viver com menos, não com mais, senão nós, que ocupamos a superestrutura, como é que iríamos pagar as nossas mordomias?"

 

Mordomias nas bases? Alguns aposentados e reformados estão a caminho de uma situação de miséria total. A pequena burguesia desapareceu…

 

Em Portugal, na época do declínio da Primavera Marcelista, poucos meses antes da revolução dos cravos, vivíamos num claro capitalismo monopolista de Estado, porém, não se assemelhava, nem de perto nem de longe, com este capitalismo selvagem e desumano que nos oferecem os neoliberais.

 

Isto leva-nos a uma questão lógica:

 

A superestrutura e as bases serão as mesmas em qualquer regime político ou em qualquer economia?

 

Vejamos:

 

1. Entendendo a superestrutura como o conjunto de conceitos políticos, ordenamentos jurídicos, posturas filosóficas, éticas e religiosas da sociedade, bem como, as instituições e organizações correspondentes a estas;

 

2. Entendendo a base como o sistema produtivo e a força de trabalho que o sustenta e cria riqueza.

 

- E, não estou aqui a arguir com fundamento nas causas do materialismo histórico que levaram à ditadura do proletariado, leia-se, nova classe dominante que pululava no partido único. Estou no plano da organização e desenvolvimento de sociedades alheias a esta influência dos manifestos revolucionários.-

 

Os dois níveis naturais, em qualquer sociedade, desde o tempo da economia do do ut des, o patamar dos ricos e o degrau dos pobres, é possível colocar os dois níveis numa situação de igualdade? É evidente que não! Qualquer sociedade se distingue em opressores e oprimidos.

 

Como na Natureza, melhor dizendo, na selva, onde, indubitavelmente transgride a supremacia do mais forte pelo aniquilamento do mais fraco.

 

A diferença entre bolcheviques e neoliberais, na prática real, não existe.

 

Quer uns, quer outros são campeões da detenção do jugo totalitário e opressor.

 

O comportamento é rigorosamente o mesmo.

 

A diferença só existe, aparentemente, na titularidade da propriedade e dos meios de produção.

 

No marxismo leninismo, essa titularidade é colectiva, do Estado Socialista.

 

Mas, atenção, o Estado Socialista é dominado pelo partido único, composto pela superestrutura que espezinha a base.

 

A História tal como o algodão, não engana.

 

A modos como na Idade Média, os Suseranos, descendentes de uma matriz divina, suportavam os Vassalos que lhes pagavam os impostos, determinados arbitrariamente por aqueles outros e os Vassalos chicoteavam, massacravam e exploravam os Servos da Gleba que eram as verdadeiras forças produtivas, aliadas aos Escravos e criavam riqueza que lhes era roubada e não era redistribuída.

 

O Clero estava à parte. Com excepção da Inquisição, é sempre mais inteligente e humano.

 

No capitalismo, agora selvagem e brutal, a titularidade da propriedade e dos meios de produção é, aparentemente privada, pertence à pessoa singular, mas, a pessoa singular para existir e sobreviver no dédalo das relações sociais, políticas, financeiras e económicas, depende do todo poderoso Estado que domina tudo e todos e é governado pela moderna superestrutura, os famosos partidos ditos democráticos e os investidores… Afinal, todas as relações acabam por depender do poder público.

 

Os investidores não têm rosto! São um quadro numérico nas bolsas de valores.

 

A matriz divina é o deus dinheiro.

 

Ora, ambos os Estados, o socialista e o capitalista, são totalitários com uma ligeira diferença.

 

O marxista leninista não concede liberdade às bases, nem esconde, com sofismas, o poder ditatorial e mantem-nas sob o jugo do silêncio absoluto.

 

O capitalista, também, totalitário, disfarça descaradamente e inventou a liberdade de expressão para estarmos aquietados, porque, na verdade, faz o que quer, ditatorialmente.

 

Lá vamos, cantando e rindo e protestando… Por enquanto!...

 

"A purificação pelo sofrimento é menos dolorosa que a situação que se cria a um culpado por uma absolvição impensada." afirma Fiodor Dostoievski.

 

Absolvamos, impiedosa e impensadamente, as superestruturas, do embuste em que nos fazem viver, para que a purificação destas, a existir, lhes doa mesmo e muito!

 

 Luís Santiago

 

Sintra, Setembro de 2013

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