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A bem da Nação

POSTAIS ILUSTRADOS LXXV

 

 

Sob o signo da frustração

 

Segunda carta aberta ao Senhor Vice-Primeiro Ministro

 

 

Exmº Senhor Vice-Primeiro Ministro,

 

Excelência:

 

Dirigi-me, neste lugar público, a Vossa Excelência, pela primeira vez, a 28 de Julho de 2013.

 

Transcrevo, para recordar, a parte que, nesta, interessa: "Voltarei mais vezes à sua presença, de acordo com a evolução das políticas que desenvolver, ora para criticar, ora para aprovar. Fá-lo-ei na minha qualidade de cidadão português e usando o meu direito de cidadania…"

 

Uma coisa que quero deixar bem claro é que já tentei fazer política duas vezes, mas, considerei-me inapto, por não compreender a hipocrisia do politicamente correcto, nem ser capaz de afirmar uma coisa de manhã, outra à tarde e outra à noite.

 

Sou, irritantemente, directo no meu trato com as pessoas, mas, nunca saltei os limites da educação e da cortesia.

 

Cometi e cometo muitos erros; caí, inclusive, na deselegância do mexerico, mas, tal não me isenta de considerar indispensável que as minhas atitudes sejam claras.

 

Por isso, com todos os meus defeitos, considero indispensável ser correcto e leal, nas, palavras que vou dirigir a Vossa Excelência.

 

O Governo actual, em que agora é o segundo responsável, numa posição que deveria ter assumido, desde o princípio, na qualidade de segundo líder da coligação, aprovou mais um corte de dez por cento nos aposentados da função pública.

 

Desejo lembrar-lhe, algumas partes, do seu discurso feito, em Maio deste ano, dois dias depois do anúncio de um novo pacote de austeridade, apresentado pelo Senhor Primeiro Ministro.

 

Cito: "Num país em que grande parte da pobreza está nos mais velhos e em que há avós a ajudar os filhos e a cuidar dos netos, o primeiro-ministro sabe e creio que é a fronteira que não posso deixar passar"

 

Pergunto: Esta fronteira, também, era revogável?

 

Respondendo a mim próprio: Infelizmente, era!

 

Cito: "Não quero que em Portugal se verifique uma espécie de cisma grisalho, que afectaria mais de três milhões de pensionistas, uns da Segurança Social, outros da Caixa Geral de Aposentações. Quero, queremos todos no Governo, uma sociedade que não descarte os mais velhos; quero, queremos todos no Governo, um ajustamento que não prejudique sobretudo os que não têm voz."

 

Pergunto: Vossa Excelência pretendia ser, sinceramente, um paladino dos que não têm voz? Um Robin do Bosques moderno, não para roubar aos ricos para dar aos pobres, mas, para meter na ordem a descarada e insensível agiotagem internacional que políticos incompetentes, sob o jugo do dinheiro, puseram a mandar Portugal?

 

Respondendo a mim próprio: Infelizmente, não! Vossa Excelência não foi sincero, nem é paladino dos sem voz! Poderá ser, provavelmente, um Robin dos Bosques, mas, em defesa de valores errados.

 

Não por sua culpa, mas, porque não é capaz de vencer o sistema.

 

Cito: "Perante a pressão entre corte de salários e pensões estive entre aqueles que aconselharam o primeiro-ministro a reduzir despesas nos ministérios, em vez de acrescentar mais impostos."

 

Vossa Excelência anda com a reforma do Estado no bolso, desde Fevereiro passado.

 

Pergunto: Onde é que está a redução das despesas nos Ministérios?

 

Não me refiro aos cortes na Saúde, nem na Educação, nem à falta de apoio à Economia, nomeadamente, ao imprescindível apoio da banca, que já foi apoiada, para não perturbar o sacrossanto sistema financeiro, e agora faz ouvidos de mercador aos apoios que deve dar às empresas, aliás, dizem que emprestam, mas, as dificuldades criadas são tantas que não concluem processos de investimento algum a tempo e horas para dar vida ao mercado.

 

Dizem que é por causa do Supervisor. Então e onde estava o Supervisor quando o BPN começou a desfazer-se, fruto da corrupção financeira? E onde está a Justiça que ainda não actuou exemplarmente?

 

E a verdadeira redução nas despesas dos ministérios? As tais que são mesmo gordas? Aquelas que dizem respeito a viaturas de luxo de Gabinetes de membros do Governo e pessoal adjacente, como a legião de assessores, adjuntos, secretárias, motoristas, mordomias, organismos com funções duplicadas, empresas do sector público empresarial com vencimentos despudorados, cartões de crédito não controlados. Se Vossa Excelência pretender uma lista mais apurada, posso enviá-la para o seu Gabinete por que esta anda aí pela internet e não tarda nada até estará no facebook!

 

Cito: "Tenho ao mesmo tempo de cumprir o meu dever para com o meu país. E procurar ser quem sou. E isso significa estar em paz com a minha consciência. Acho que estas duas coisas são possíveis e farei com que sejam."

 

Vossa Excelência andou em périplo pelas chefias dos funcionários da troika, acompanhado da pessoa que provocou a sua revogável irrevogabilidade – aqui está uma coisa que eu não conseguiria fazer, depois de ter tomado a atitude que tomou – (é a minha falta de jeito para ser político!).

 

Pergunto: Vossa Excelência conseguiu ser quem é e defender Portugal com arrojo?

 

Se conseguiu tem a sua consciência em paz, com toda a certeza!

 

Vossa Excelência conseguiu dizer-lhes que o regime de protectorado com que nos subjugam é contra a lei internacional? É contra os Direitos Humanos discutidos e defendidos nas Nações Unidas? Que a agiotagem é crime? Não conheço país onde tal prática não seja condenada.

 

Em resumo, há coragem para fazer correctamente o que é justo e as medidas são tomadas para serem aplicadas a todos? Ou continuaremos a assistir à pouca vergonha das excepções?

 

Porque, a continuarmos assim, quem vai emagrecer são os reformados, física e financeiramente, pois, já chegaram ao limite das suas capacidades de sobrevivência e, ao Estado restarão os desempregados, a quem, só falta que se lhes arranque a pele…

 

Atendendo o custo de vida de hoje, convido Vossa Excelência, todos os membros do Governo, todos os Deputados, todos os funcionários superiores do Estado, todos os grandes vencimentos, todos os banqueiros e dirigentes bancários, a viver durante um ano, já não digo com seiscentos euros (não quero ser demagogo), mas a viver com mil e quinhentos euros por mês…

 

Façam a experiência e vejam se são capazes!

 

Haveria tanta coisa mais para lhe dizer…

 

Sinto-me frustrado!

 

Estou muito desiludido com as pessoas em quem confiei!

 

E em quem o País confiou!

 

 Luís Santiago

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