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A bem da Nação

PORTUGAL POBRE OU MAL GOVERNADO? - 3

 

 

Passando da análise para a solução constato que quase toda a gente com quem falo me diz: o que poderemos nós fazer para criar postos de trabalho para mais de um milhão de portugueses, se já não temos tudo isso que em tempos idos não soubemos aproveitar?

 

De facto já não temos territórios externos mas temos o nosso território actual e uma população, ambos até aqui mal aproveitados pelas medíocres práticas de gestão das nossas elites responsáveis.

 

Temos ainda muita capacidade desaproveitada em:

 

  • Turismo de qualidade principalmente ligado às actividades náuticas como são exemplos o estuário do Tejo, o Sotavento Algarvio e outros locais, empresas de navios de cruzeiros que já começaram a actuar, às actividades agrícolas e gastronómicas, às actividades medicinais, às actividades universitárias desde que se saiba tirar partido dos interessados de língua portuguesa em frequentar cursos em Universidades que sejam geridas de forma idêntica a outras como por exemplo inglesas ou norte americanas;  
  •  Indústrias que já temos mas que deverão ser incrementadas em especial as que produzem bens da elevada qualidade;
  •  Energia solar, que por razões ainda por explicar, não tem o desenvolvimento que deveria ter de forma a reduzirmos a importação de produtos petrolíferos;
  •  Produção de veículos movidos eletricamente em especial para usar nas povoações reduzindo a importação e podendo exportá-los;
  •  Voltar a ter empresas de navegação além das de turismo, que já vamos tendo;
  •  Favorecer inteligentemente o desenvolvimento de empresas de grande porte sem as quais não poderemos ter acesso às riquezas do nosso território marítimo e outras actividades que só podem ser praticadas por elas e não por PMEs;
  •  Piscicultura;

 BP: Lisnave adaptou navio para recolher petróleo

  • Indústrias metalo-mecânicas incluindo estaleiros navais;
  •  Tecnologias de informação.         

                                                                           

Aqui chegados, a pergunta que se coloca é: como corrigir a situação se os Órgãos de Soberania estão dominados pelos partidos cuja cultura é manifestamente imprópria, como a situação actual demonstra sem qualquer dúvida, mas que por seu próprio esforço são incapazes de alterar?

 

Cada vez as ruas se enchem mais frequentemente com gente a protestar contra o que parece estar errado, embora uma grande parte dela não só não parece saber como sair desta situação, como não entende poder ter colaborado, por ignorância ou distracção, nos actos que originaram a pobreza actual, como por exemplo quando, por razões ideológicas de esquerda, foram destruídas muitas empresas, assim se perdendo muitos postos de trabalho e a própria segurança do país.

 

Temos um Parlamento que tem dado provas de baixa eficiência e em que os Deputados não são responsabilizados, até porque a nossa Constituição é na verdade de um sistema bi-presidencialista pois elege-se um Presidente da República e um Presidente do Conselho de Ministros que por sua vez nomeia os Deputados que legalizam a sua eleição, não tendo eles assim qualquer elo de responsabilidade com os eleitores. E a irresponsabilidade é muito má conselheira.

 

Aliás, tem sido notória a redução de despesas que não foi feita na Assembleia da República, no Conselho de Ministros e na Presidência da República, bem como nas Autarquias em comparação com os sacrifícios que grande parte dos cidadãos tem suportado.

 

E a famigerada reforma do Estado em vez de uma reestruturação quer dos Órgãos de Soberania centrais quer das autarquias, cuja contribuição para a baixa competitividade é enorme, continua a não passar de listas de cortes que é exactamente o que não se deve fazer, pois a solução não é passar trabalhadores de empregados para desempregados mas sim passar trabalhadores em funções inúteis (e portanto parasitas) para outras produtivas.

 

Que é preciso criar e/ou recriar.

 

Estamos agora a chegar ao fundo.

 

Para recuperarmos a riqueza perdida e/ou desperdiçada, é forçoso alterar profundamente a cultura vigente, sabendo-se no entanto que muitas das actuais forças dominantes se mostram incapazes de realizar as mudanças e outras se opõem a elas por inércia, egoísmo e ignorância, como se pode avaliar no dia-a-dia da nossa vida política.

 

Mas nem tudo está perdido.

 

Uma vez mais na história da humanidade uma tecnologia nova poderá permitir uma solução moderna e eficiente: a “web”.

 

Primeiro, vamos apontar o que é preciso fazer de concreto para se alterar a cultura vigente e que não possa ser impedido pelos partidos políticos e pelas corporações que indiciem desvios do comportamento democrático eficiente:

 

  • 1º-aproveitar a “web” para estreitar a ligação entre toda a população e entre ela e as forças vivas políticas e corporativas de forma a permitir haver informação sobre todos os ocupantes actuais e os candidatos a cargos públicos, poderem ajuizar completamente a sua capacidade para ocuparem esses cargos e assim irem sendo sobressaindo os melhores e descartados os piores, evitando ou pelo menos tentando evitar o actual excessivo número de figuras de baixo nível cultural e profissional em cargos de responsabilidade.

 

Além disto também contribuirá para atrair para a vida política algumas personalidades que actualmente não aceitam o esquema actual.

 

Já existem na “web” referências a plataformas Wiki, a portais “e-gov” e outras que permitem ter forte convicção de que será possível a curto prazo ser criada uma plataforma que resolva esta questão.

 

  • 2º-alterar a Constituição, tendo presentes os princípios da gestão eficiente e não apenas conceitos jurídicos de forma a que ela seja de facto uma fonte de eficiência, competitividade e sustentabilidade sem prévias influências ideológicas antigas ou novas, mas que se comportam como preconceitos impeditivos de uma análise correcta e imparcial da vida do país tanto do ponto de vista económico como moral, social e ecológico, tendo sempre em vista a competitividade e a sustentabilidade nacionais.

 

  • 3º-alterar a organização dos Órgãos de Soberania e das Autarquias de forma a permitir a sua optimização tanto na redução de custos como no aumento da eficiência do seu funcionamento, para que não se torne a verificar uma situação como a actual em que o  excesso de gastos parasitas e a baixa eficácia pôs em perigo o nível do Estado Social sustentado, com a total complacência daqueles a quem competia o controlo das acções do Poder executivo.

 

Assim, será possível a participação da maior parte da população, do Povo, no controle da qualidade dos responsáveis e dos atos por eles praticados de forma a eliminar os desvios incomportáveis das verbas movimentadas pelo Estado e permitir a adoção generalizada da transparência, da integralidade e da eficiência como normas a cumprir por todos eles.

 

E insisto em que a revolução cultural que se pretende deve ser no sentido de deixar de se falar em cortes mas sim em alterações estruturais concretas e bem justificadas, deixar de se falar em despedimentos mas sim em mudanças de funções pois o que se deve eliminar são as funções parasitas ou inúteis e substitui-las por outras produtivas, deixar de falar em fascismo quando se exige disciplina e recordar que para se viver bem em democracia verdadeira é preciso ter chefias muito melhor preparadas que numa ditadura, seja ela de direita ou de esquerda.

 

A História ensina que uma democracia sem chefes competentes rapidamente se pode transformar numa ditadura. E quem vai pagando sempre os custos dos desmandos das chefias é o Povo.

 

FIM

 

Lisboa, 17 de Julho de 2013

 

  José Carlos Gonçalves Viana

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