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A bem da Nação

PORTUGAL POBRE OU MAL GOVERNADO? - 2

 

 

Mas afinal quais as razões estruturais para esta incapacidade dos portugueses para saírem de uma vez destas situações de pobreza, sempre fruto de serem mal governados, quer seja porque em certas ocasiões viviam em ditadura e noutras em democracia, mas mantendo intacta uma cultura (não aquela que pertence ao Ministério com esse nome mas a que define os comportamentos e as atitudes da população) incapaz de permitir e motivar a prática generalizada, tanto da parte dos poderes públicos como dos privados, dos princípios da gestão eficiente?

 

Vejamos agora quais as práticas dos detentores do poder típicas desta cultura (por ordem alfabética da palavra chave):

 

 

  • Corrupção generalizada, isto é, democratizada pois aumentou com a democracia e com as deficiências da Justiça;

 

  • Compadrio, i.e., desprezar o valor das pessoas em favor de interesses pessoais e/ou políticos;

 

  • Tomarem decisões casuísticas e discricionárias não distinguindo o essencial do acessório e favorecendo a corrupção;

 

  • Não zelarem pela actuação eficiente dos Órgãos de Soberania, antes favorecendo comportamentos favoráveis aos seus interesses próprios e não aos do país;

 

  • Darem preferência ao imediatismo originado pelo período entre as eleições em vez de a dar à sustentabilidade, como aconteceu por exemplo com a actividade imobiliária e com as autoestradas;

 

  • Não permitirem a livre iniciativa nem produzirem regulamentações eficazes que evitem o condicionamento da actividade económica, desmotivando os investidores e motivando a corrupção;

 

  • Não evitarem nem combaterem monopólios em qualquer tipo de atividade, incluindo a política e a corporativa;

 

  • Não motivarem a população no sentido do aumento da competitividade, da valorização individual e da participação na vida colectiva;

 

  • Não se libertarem de preconceitos e ideias feitas, sejam de natureza ideológica, religiosa ou outras;

 

  • Acederem a cargos de elevada responsabilidade sem estarem preparados para os exercer eficientemente;

 

  • Não terem vergonha de praticar actos abusivos que criticavam aos detentores do poder anteriores.

 

A propósito, é interessante recordar Camões, Eça de Queirós, Fialho de Almeida, Camilo Castelo Branco, Aquilino Ribeiro, Tomás Figueiredo, Miguel Sousa Tavares, Mário Soares, Marcelo Rebelo de Sousa, Paulo Morais e tantos, tantos outros que nos seus escritos e intervenções sempre mostraram estas realidades e os prejuízos e dificuldades que causaram ao nosso País. Causaram e causam.

 

E já agora uns autores estrangeiros como Daron Acemoglu e James A. Robinson num livro muito oportuno “Porque falham as nações” para se compreender melhor quais foram as causas desta situação e como poderemos sair dela por cima e não por baixo.

 

(continua)

 

Lisboa, 17 de Julho de 2013

 

 José Carlos Gonçalves Viana

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