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A bem da Nação

DÚVIDAS SOBRE O EFEITO ESTUFA

Nos princípios do séc. XX, foram medidas na atmosfera de Lisboa sete ondas sucessivas de calor e passados dias soube-se que o vulcão Krakatoa havia explodido; não faz agora muitos anos, o Pinatubo explodiu numa erupção avassaladora e as alterações atmosféricas foram significativas, nomeadamente com a presença de enormes quantidades de CFC's e de danos importantes no buraco do ozono sobre a Antártida. Passados os momentos de crise, a normalidade refez-se: as temperaturas regressaram estruturalmente à situação anterior, os CFC's baixaram, o buraco do ozono reduziu-se para as dimensões habituais. Assim se infere que esta normalização só é possível porque a Terra está num processo de arrefecimento. Se estivesse a aquecer, as situações de aquecimento pontual acumular-se-iam e não haveria a relativamente rápida recuperação que se tem medido. Resultarão alterações climáticas, sem dúvida, mas se se fizer a dessazonalização – à semelhança do procedimento habitual com as séries estatísticas afectadas pela sazonalidade – os mais perenes registos meteorológicos parece apontarem no sentido de algum arrefecimento do hemisfério norte e de uma estabilidade das temperaturas no do sul. Eis a tese defendida por um francês, engenheiro, militante ecologista da “Bulle Bleu”, assessor do ex-ministro francês do Ambiente Brice Lalonde. Chama-se Yves Lenoir e escreveu um pequeno livro intitulado “A verdade sobre o efeito estufa – dossier de uma manipulação planetária” onde, nomeadamente, refere a marginalidade com que o dióxido de carbono influencia o dito efeito na atmosfera. Não perfilhando a teoria da conspiração, devemos, contudo, meditar na possibilidade de estarmos colectivamente a insistir em falácias e a desviarmo-nos para actuações como estas a que nos têm obrigado as políticas ambientais baseadas no conceito instituído pela ONU de que o efeito estufa resulta das emissões de dióxido de carbono provocadas pelas actividades humanas e, especificamente, pelas indústrias. As nossas dúvidas aumentam quando recordamos o famoso vulcanólogo Haroun Tazieff que também foi Ministro do Ambiente em França e que sobre os actuais temores não hesitou em dizer que “On trompe le public.” Começam a ser muitas as dúvidas sobre a qualidade do modelo climático instituído e talvez seja oportuno perguntarmo-nos sobre a veracidade das afirmações que fundamentam as políticas em vigor. Em Ciência, a dúvida deve ser sistemática mas quando ouvimos os ambientalistas só deparamos com certezas absolutas; perante as dúvidas acima, mais valera alguma humildade. A transposição dos temores instituídos pela ONU para a prática política europeia traduziu-se na Directiva da prevenção e controle integrados da poluição que leva as empresas a ter que comprar os equipamentos mais modernos que existam de combate ao impacto ambiental oficial naquilo a que se convencionou chamar de “as melhores técnicas disponíveis”. Estas, são permanentemente definidas por um grupo de cientistas sedeado em Sevilha que se dedica à tarefa de “ditar a moda”. Sem querer fazer humor, temos que admitir a possibilidade de a “moda” ficar ultrapassada logo após a última empresa europeia ter adquirido um determinado equipamento e toda a indústria ter que passar a deitar fora o equipamento recém-adquirido para passar a comprar um outro mais moderno. O grupo sevilhano não terá recebido mandato para analisar os novos equipamentos na perspectiva económica e muito menos para investigar se a Indústria está ou não em condições de gastar mais dinheiro com a renovação. Nesta perspectiva, o conceito de substituição dos equipamentos deveria ter sido o das ”melhores técnicas economicamente disponíveis” mas a questão deve mesmo ir mais longe pois temos que ter a certeza de que não estamos a deitar dinheiro pela janela em equipamentos inúteis para a resolução de problemas inexistentes. Oxalá que tudo não passe de um engano de Lenoir e de Tazieff . . . Setembro de 2003

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