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A bem da Nação

NO CAMPO DE KULIKOVO 1 - 2

 

 

O rio aqui alarga-se e flui triste e indolente,

Lavando as margens.

Sobre o pobre barro da escarpa amarelada

Choram as medas da estepe.

 

 

Oh, minha Russ! Esposa minha! Até à dor

É-nos claro o longo caminho!

O nosso caminho - por uma flecha do antigo império tártaro

o nosso peito trespassado.

 

O nosso caminho - a estepe, o nosso caminho - na tristeza ilimitado,

Na tua tristeza, ó Russ'!

Que nem das névoas - a noturna  e a que fica além fronteiras -

Não tenho medo.

 

Deixa a noite cair. Nós voaremos e iluminaremos com fogueiras

A lonjura da estepe.

No seu fumo rebrilhará o pendão sagrado

E o aço do sabre do khan...

 

Luta eterna! O sossego só o sonhamos

Através do sangue e do pó...

Voa, voa, a égua da estepe,

Amachucando a alta herva...

 

E não há fim! Perpassam as verstas e as escarpas...

Pára!

Lá vão sempre as nuvens assustadas,

Poente de sangue!

 

Poente de sangue! Do coração corrre o sangue!

Chora, coração, chora...

Não há sossego! A égua da estepe

Lança-se a galope!

 

  Alexandr Alexandrevich Blok (1880-021)

 

Um minúsculo fragmento sinóptico da História russa, a propósito do que temos andado a escrever:

 

"1380 - Dmitrii derrota um dos chefes da Horda Dourada em Kulikovo.

"1382 - Moscovo é saqueado pelos Mongóis

"1389-95 - Timur (Tamerlão) ataca a Horda Dourada e saqueia Saray, a sua capital."

 

Termina aqui o domínio dos Tártaros sobre os Russos, que começara com Gengis Khan e se consolidara com seu neto,  o khan Batii. 

 

Foram quase dois séculos de terrível sofrimento para a Russ' (ainda não a Rússia). A vitória de Kulikovo, conseguida por Dmitrii Donskóy, embora não completa, foira decisiva para expulsar o domínio tártaro.

 

Voltemos à poesia de Blok:

 

2

 

Eu e o meu amigo estávamos à meia noite sobre a estepe:

Não para regressar,  não para olhar para trás.

Para além do Nepriadva os cisnes gritavam,

E sempre, sempre gritavam...

 

No caminho - escaldante pedra branca.

Além rio - a  Horda pagã.

O radioso pendão sobre os nossos regimentos

Já não flutuava mais.

 

E, com a cabeça inclinada para a terra

Diz-me o amigo: "Afia a tua espada,

Para que não se lute em vão com os Tártaros,

E pela santa causa se fique morto!"

 

Eu  não sou o primeiro guerreiro, nem o último,

Por muito tempo  a pátria ficará doente.

Lembra-te pois no serviço litúrgico da manhã

Dos teus queridos, querida amiga, clara esposa!

 

 

Joaquim Reis

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