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A bem da Nação

DEVANEIOS

 

ABELHAS E SEU IMPACTE NA FLORA E NA HUMANIDADE

 

 
Este melífero insecto e grande agente polinizador da flora mundial encontra-se fortemente atacado por misteriosas doenças ameaçadoras de sua extinção, se os peritos e os apicultores não encontrarem, em tempo útil, meios efectivos de combate. Sua mortandade cifrou-se em milhões, nos grandes países produtores-exportadores de mel e da cera dos nossos dias tais como EUA, China, Índia et alii.

 

Entre as causas mortíferas das abelhas e as destruidoras de apiários e das colmeias, contam-se os ácaros, as bactérias, os desinfectantes, as formigas, os fungos e os pavorosos incêndios florestais, além de alguns animais melívoros.

 

Ainda em Junho findo, morreram 50.000 zângãos quando agentes municipais de jardinagem e paisagismo, em Oregon (EUA), borrifaram plantas com agentes tóxicos e/ou desinfectantes. Em anos recentes, os agricultores do Sudeste da China, à procura de terrenos aráveis, fizeram abusivo uso de desinfectantes que causaram a morte de milhões de abelhas. Agricultores mundiais têm-se dedicado ao cultivo de milho e de soja em extensíssimos campos de monocultura, prejudiciais às abelhas que os detestam para polinização, pelo aumento da procura dos óleos dessas plantas que são utilizados para minorar os exorbitantes preços dos produtos petrolíferos.

 

É altamente significativo que 33,3% de produtos agrícolas dependem das abelhas para sua devida polinização. Peritos de polinização chegaram a apurar as dependências, em termos de percentagem, da efectivação da polinização pelas abelhas dos seguintes produtos: em 100% (amêndoas), 90% (espargos, brócolos, cebolas, maçãs, mirtilo e peras-abacates), 80% (aipos, cerejas e pepinos), 65% (ameixas e melancias), 45% (tangerinas), 20% (limão e algodão). É quase desprezível a polinização por abelhas de amendoim (2%) e de uvas (1%). Felizmente, para a sobrevivência da humanidade e de certos animais, o arroz e o trigo, bem como o milho são auto polinizadores.

 

No mundo actual existem 20.000 espécies de abelhas, mas os apicultores apenas exploram seis dessas espécies em termos comerciais. São elas conhecidas como: alemã, buckfast, carniolana, caucasiana, italiana e russa. No século XX um apicultor brasileiro tentou implantar no seu país uma espécie de abelha africana que, no decurso do tempo, deu origem a abelhas bravias e homicidas, causadoras de ataques intempestivos às pessoas. Em 1987, os EUA importaram, da América do Sul, abelhas Varroa já infectadas e portadoras de um micróbio que matou biliões de abelhas. O mal está parcialmente controlado com produtos químicos da «Monsanto».                                

 

Calcula-se que nos Estados Unidos a produção do mel e da cera das abelhas concorre anualmente com um rendimento calculado em US$ 15 biliões. Com a acima referida perda de apiários e colmeias e o maciço morticínio por tóxicos de abelhas obreiras e de zangãos, o número de herdades americanas baixou de 6,8 milhões (1935) para apenas 2,2 milhões na actualidade. Nos EUA, de 2006 aos nossos dias perderam-se 10 milhões de colmeias com o valor de US$ 2 biliões.

 

No nosso país registaram-se, em 2010, 17.000 apicultores, 38.000 apiários e 562.000 colmeias. A falta de protecção contra os amigos do alheio e a insuficiente proteção das patrulhas florestais são factores ponderáveis que exigem sua correcção imediata, permitindo a Portugal entrar no comércio mundial de mel e de cera com maior força.

 

Uma colmeia típica é coabitada por 20-30.000 abelhas, cuja duração de operosidade é muito limitada: as abelhas operárias vivem 20 a 30 dias, os zângãos morrem após copulação da abelha-mestra ou rainha, e esta produz 15.000 ovos por dia, numa existência de 3 a 7 anos!

 

O aparecimento das abelhas polinizadoras sobre a superfície da Terra perde-se na bruma escura de eras remotíssimas, calculado em 100.000.000 de anos, no testemunho de uma abelha melífera encontrada imbuída em pedaço de âmbar dessa época. Milhares de anos depois, os povos da Antiguidade (sumérios, babilónios, hititas, egípcios, gregos, hebreus et alii) dedicaram-se à apanha de favos de mel para sua alimentação, para fins medicinais e para seus ritos sócio religiosos.

 

Se ocorresse um cataclismo terrestre extinguindo as abelhas polinizadoras, a vida das plantas e dos animais ficaria grandemente afectada por essa calamidade, porque não há no mundo suficientes reservas de arroz, trigo e milho, produtos agrícolas auto polinizadores: registar-se-ia uma situação de grande fome universal!...

 

Na Escola de Engenharia e de Ciência Aplicada da Universidade de Harvard os americanos concluíram com êxito um protótipo de abelha-robot-polinizador em 2007. Isto foi possível com US$ 10 milhões com que a NSF (National Science Foundation) subsidiou o laboratório onde foi programado e executado o citado robot.

 

Atribui-se ao grande cientista e nobelista Albert Einstein o singular veredictum: «Se a abelha desaparecer da superfície do globo, o homem não poderá sobreviver mais do que quatro anos».

 

   Domingos José Soares Rebelo

 

Alcobaça, 19.08.2013

 

FONTE: Wikipédia.- Revista TIME, vol.182, nº 8, de Agosto de 2013

            

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