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A bem da Nação

JACQUES VERGÈS E FERNANDO PITEIRA SANTOS

 

Em 1977, frequentei a cadeira de DESCOLONIZAÇÃO PORTUGUESA, na Faculdade de Letras de Lisboa, dirigida pelo comunista Fernando Piteira Santos. Era uma das cadeiras que escolhi dum elenco que permitia completar a licenciatura em História.

Regressado "compulsivamente" de Angola, a citada disciplina interessou-me sobremaneira pois eu havia sido uma das milhares de vitimas do criminoso processo de descolonização e que assistira "in loco" à maior traição da História de Portugal.

De 25 de Abril de 1974 a 15 de Setembro de 1975 fui compilando em Luanda uma espécie de diário onde mencionei o que ia observando no território ultramarino quanto ao processo do entreguismo miserável que se estava processando.

Esses apontamentos vieram posteriormente a servir-me para a apresentação dum trabalho na referida cadeira, entre outros, e que me foram indicados pelo Professor Piteira Santos.

 

 

 

 

Lembro-me que uma das minhas intervenções na sala de aula foi um comentário sobre uma conferência pronunciada em Roma pelo advogado francês Jacques Vergès, intitulada "Crime de Colonialismo".

Vem esta recordação a propósito da notícia da morte do famoso causídico, vitima de crise cardíaca, divulgada pela imprensa, ontem, dia 17 de Agosto.

Eu nunca ouvira falar em Vergès, até 1977. Logo descobri pelo conteúdo da conferência a linguagem comunista do seu autor bem como a simpatia nutrida por Piteira Santos sobre tal personagem.

Nesse mesmo ano passei a residir em França e finalmente vi na televisão gaulesa a sombria personalidade agora desaparecida.

Recordo a sua defesa do nazi Klaus Barbie, membro da Gestapo em Lyon, responsável pela morte do resistente Jean Moulin, de Carlos, o Chacal, terrorista ao serviço dos Palestinianos, bem como dos bombistas argelinos, autores dos massacres na Rue de Rennes, frente aos armazéns do Tati, em Paris.

Para maior conhecimento do sinistro advogado vim a ler a obra "Le Salaud Lumineux" sobre a sua biografia, do jornalista Jean Louis Remilleux.

Há suspeitas que Vergès estivera com Pol Pot no Camboja pois desapareceu durante nove anos e ele recusou sempre revelar onde estivera esse tempo.

Também se suspeita que foi um dos autores que metralhou uma central nuclear francesa.

O que se confirmou é que Jacques Vergès contribuiu para a fuga de Portugal de Araújo e Chipenda, antigos jogadores da Académica de Coimbra e este último também do Benfica, com passaportes falsos, forjados por Vergès para as fileiras do MPLA.

Este homem sinistro da mais sinistra ideologia politica só poderia ser conhecido pelo antigo assaltante do Quartel de Beja, em 1961, que dava pelo nome de Piteira Santos, que foi director do Diário de Lisboa e igualmente suspeito, entre vários outros, de ter denunciado à PIDE o General Humberto Delgado e que tem hoje o seu nome dado à Biblioteca Municipal da Amadora.

Um dia contarei a minha "História" com Fernando Piteira Santos na cadeira de Descolonização Portuguesa, na Faculdade de Letras de Lisboa, e que ele próprio também recordou na Casa de Portugal em Paris, durante uma conferência sobre Fernando Pessoa, quando ali me viu a assistir.

Não foi nada fácil lidar com o comunista docente.

 

 Isaías Afonso

 

 

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