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A bem da Nação

VIVE LA FRANCE!

 

 

Neste Dia Nacional de França e a propósito das eleições legislativas lá concluídas em 7 de Julho, recordo Haroun Tazief – francês de origem polaca, vulcanólogo que foi Ministro do Ambiente – a quem se atribui a frase «Quando a França treme, a Europa desmorona-se».

Deixando passar o exagero, meditemos um pouco sobre «o que é o francês actual».

Pois bem, creio que o francês actual, também ele fruto da História, é um libertário e, portanto, um insubmisso.

Contudo, este é o francês urbano que claramente contrasta com o francês rural que pode tender para o integrismo.

E aqui estão os dois extremos que apenas deixaram algum espaço para o «politicamente correcto».

Já terá sido essa característica libertária e insubmissa que produziu a Revolução Francesa; o integrismo poderá ter origem na ideia da pureza teológica de Bernardo de Claraval e na firme liderança cruzadista de JACHES MOLAY, tendo eventualmente Pierre Teilhard de Chardin SJ passado em vão pela tradição religiosa Francesa – tudo contra o Concílio Vaticano II.

Quanto aos «politicamente correctos» para quem  a Europa é o refúgio da Humanidade, mesmo para aqueles que querem destruir essa derradeira tábua de salvação, ficam emparedados  por radicais também eles idealistas de pragmatismo duvidoso.

 * * *

 Segue-se a pergunta: - E o que é que tudo isto tem a ver connosco?

Respondo que – Nós somos uma versão moderada daquela caricatura, mas convém olharmo-nos por dentro, o que fica para um texto seguinte.

 

14 de Julho de 2024

Henrique Salles da Fonseca

DA NOBREZA E DA HONRA

 

 

Ser nobre pode nada ter a ver com ser titular. 

Ao nobre cumpre pugnar pelo bem e rechaçar o mal; tem que ser corajoso na defesa do bem-comum; ser compassivo, magnânimo, mas não esbanjador e justo na equidade; tem que ser discreto e buscar o significado essencial dos conceitos e dos factos. 

A honra é o orgulho de ser nobre.

* * *

O forte sentido de responsabilidade social implícito na condição nobre exige uma curiosidade cultural de sereno rigor analítico, estruturante, não errático, de perene congruência quer no tempo quer no espaço.

A oportunidade da nobre intervenção marca agenda do debate contrastando com o oportunismo que procura a diferença para demolir o outro.

A nobreza é, pois, uma atitude, um estado de espírito em que predominam generosidade e cultura; opõem-se-lhe o egoísmo e a boçalidade.

CONCLUSÃO

A nobreza não é essencialmente monárquica nem está necessariamente ligada à condição titular.

Junho de 2024

Henrique Salles da Fonseca

DA NOBREZA E DA HONRA

 

 

 

 

 

 

 

TENTO NA LÍNGUA

Ou

A SEMÂNTICA DOS CONCEITOS

 

- Os turcos são mandriões;

- Os espanhóis andam na rua de «traje de luces y montera»;

- Os portugueses vestem-se como campinos.

CHEGA DE DISPARATES, HAJA TENTO NA LÍNGUA!

* * *

O moderno discurso político é sobretudo dogmático, raramente lacónico e quase nunca axiomático; Aristóteles votado ao ostracismo, convicção formulada por decibéis. Não há debates, mas sim discussões em tons irados e dando a entender que os outros são mentecaptos, corruptos, indignos. Assim, nada de bom virá ao mundo.

* * * *

A discussão ora em curso no Parlamento Português sobre a liberdade de expressão devia ter sido antecedida por uma tentativa de harmonização semântica de conceitos para que, no espectáculo televisivo no Plenário, uns não falem nos alhos e os outros nos bugalhos induzindo a confusão nos eleitores incautos. A menos que o façam propositadamente, o que poderá denotar má fé. Mas como isto não é crível, mais vale o esforço da harmonia dos significados e dos conceitos.

Por exemplo quando um comunista se refere a democracia (o Dr. Cunhal referia-se amiúde a «um Estado verdadeiramente democrático»), significa o despojamento das pessoas relativamente à propriedade privada até que, aniquilada a individualidade, a mole humana fique pronta para servir o Estado. Não vou perder tempo a descrever o que nos separa: tudo.

Uma vez clarificada a Semântica, que se passe à análise do «politicamente correcto» cuja estreita ligação ao bem-comum, deve proporcionar a busca de uma plataforma tão ampla quanto possível de modo a que se criem áreas de entendimento. E uma dessas áreas que seja a da liberdade de expressão.

Se não houver um esforço neste sentido, preparemo-nos para a berraria dos megafones propalando dogmas e outros conceitos inexplicáveis.

Actualmente, o policamente correcto Europeu consiste na tolerância dos intolerantes que militam na destruição dos Valores europeus, nomeadamente os históricos e… mais não digo.

 

Maio de 2024

Henrique Salles da Fonseca

EVOCAÇÃO

Faz hoje 50 anos sobre a morte de Branquinho da Fonseca grande escritor que muito contribuiu, através das bibliotecas itinerantes, para a educação literária da população portuguesa.

 

 

(evocacão de Benilde Tomás da Fonseca)

ELOQUÊNCIA PRESIDENCIAL

Esse orador formidável que arrebatava parangonas e se chamava Américo Tomás, disse um dia que:

- Esta é a primeira vez que venho pela segunda vez à Feira de Santarém.

... e o povo, extasiado, aplaudiu a aritmética inclusa em tão erudita sintaxe.

Maio de 2024

Henrique Salles da Fonseca

ENDORFINOSE

 

Audaz, a ignorância permite-nos percorrer trilhos que o prudente conhecimento desaconselharia.

* * *

Das enciclopédias se extrai que a endorfina é uma hormona que actua no cérebro provocando boa disposição e incentivando a comunicação.

Já fora da enciclopédia, digo eu que a endorfinose é a dependência das endorfinas sendo o paciente levado à criação de ocorrências que propiciem a emissão das ditas hormonas.

Será?

Nem mesmo a audácia da ignorância me permite qualquer sugestão terapêutica, mas, para já, estou a tentar espaçar o meu próprio ritmo comunicativo. Até porque o excesso faz banalização da comunicação e provoca o cansaço das audiências.

Abril de 2024

Henrique Salles da Fonseca

TEATRO SUPER RÁPIDO - «TORDESILHAS 2»

ou

O BAILADO DOS NECRÓFAGOS

 

Acto único

Cena única

Kamarada Ivanov – nós queremos as colónias portuguesas para as juntarmos ao Império Soviético.

Tio Sam – Façam o que quiserem desde que o petróleo angolano seja nosso.

Kamarada Ivanov – Acordo fechado.

Cai o pano rapidamente ao som da ovação dos «gatos pingados» e de outras aves de rapina.

        

                          FIM

25 de Abril de 2024

Henrique Salles da Fonseca

DOGMAS vs REALIDADES

 

Dogma – Os ricos são ricos porque roubam os pobres.

Realidade – Os ricos são ricos porque desfrutam das mais valias do investimento; os pobres nada possuem que lhes possa ser roubado.

Dogma – Os ricos roubam as mais-valias do trabalho dos pobres.

Realidade – O trabalho, por si só, não tem qualquer valor: o trabalho é um factor de produção que só vale em função da acção que exerce sobree os demais factores de produção. Caso estes faltem, o trabalho cessa e o trabalhador baixa os braços e pode ser dispensado.

Dogma – A tributação do trabalho é uma afronta à classe trabalhadora. Realidade -…  mas deixa de parecer essa afronta quando o trabalhador se aposenta e passa a receber a pensão financiada pelos descontos dos trabalhadores que se encontram no activo. É ao que se chama a solidariedade social: Se fosse o Estado a pagar as pensões, não haveria lugar para guardar o buraco orçamental e se se recorresse à emissão monetária, logo o valor da moeda baixaria até às profundezas infernais. Sejamos, pois, solidários.

Dogma – Os ricos que paguem a crise!

Realidade – A República rege-se pelos princípios da liberdade, da igualdade e da solidariedade. Sobre esta, referi-me alguns parágrafos acima e quanto à liberdade, este texto é a prova dela. Mas em relação à igualdade… há uns mais iguais que outros… pois a igualdade fiscal não existe ao abrigo de uma parangona falaciosa a que se chama «justiça fiscal». Parangona porque a escarrapacham em tudo quanto é discurso laudatório do «bom povo» com vista a criar o ambiente propício à taxação progressiva dos escalões mais altos do IRS. E a primeira pergunta que ocorre tem a ver com o  que o Estado (Administração Pública, Governo…) fez mais aos ricos do que aos pobres que justifique essa taxação progressiva. E a resposta é a de que nada mais fez e, pelo contrário, faz mais pelos pobres do que pelos ricos previligiando a maior massa eleitoral. Mas há mais para além da demagogia eleitoralista. Refiro-me ao «desagravamento fiscal» com vista a aliviar o estrangulamento (fiscal, claro).

O alívio do aperto do dito nó corrediço faz com que, nos mais baixos escalões do IRS se reduza o risco dos incumprimentos no âmbito do tradicional sobre-endividamento das famílias portuguesas, nos escalões a seguir na escala ascendente, o alívio dirigir-se-á ao consumo de bens correntes e logo depois, cima, ao consumo de bens duradouros. Na(s) classe(s), onde a benesse incentivaria a poupança e o investimento, não há alívio fiscal. E também não há justiça, há falácia fiscal.

Volta Ronald Reagan! Eles hão-de perdoar-te!

 

Abril de 2024

Henrique Salles da Fonseca

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