Quinta-feira, 1 de Dezembro de 2016
RESTAURADORES EM 1 DE DEZEMBRO DE 1640

 

 

Lisboa-Restauradores.jpg

Lisboa - monumento aos restauradores da sobernia nacional 

 

Afonso de Menezes, D.

Álvaro Coutinho da Câmara, D.

Antão Vaz d’Almada, D.
António de Alcáçova Carneiro, D.Alcaide-mor de Campo Maior
António Álvares da Cunha, D. 17º Senhor de Tábua
António da Costa, D.
António Luís de Menezes, D.1º Marquês de Marialva
António de Mascarenhas, D.

António de Melo e Castro
António de Saldanha – Alcaide-mor de Vila Real
António Teles da Silva – Governador do Brasil
António Telo, D.

Carlos de Noronha, D.
Estêvão da Cunha
Fernando Teles de Faro, D.

Fernão Teles de Menezes – 1º Conde de Vilar Maior
Francisco Coutinho, D.

Francisco de Melo
Francisco de Melo e Torres – 1º Marquês de Sande
Francisco de Noronha, D.

Francisco de São Paio
Francisco de Sousa, D.1º Marquês das Minas
Gaspar de Brito Freire
Gastão Coutinho, D.

Gomes Freire de Andrade
Gonçalo Tavares de Távora
Jerónimo de Ataíde, D.6º Conde de Atouguia
João da Costa, D.1º Conde de Soure
João Pereira, D.

João Pinto Ribeiro, Dr.
João Rodrigues de Sá
João Rodrigues de Sá e Menezes, D.3º Conde de Penaguião

João de Saldanha da Gama
João de Saldanha e Sousa
Jorge de Melo
Luís Álvares da Cunha
Luís da Cunha
Luís da Cunha de Ataíde, D.Senhor de Povolide,
Luís de Melo, Alcaide-mor de Serpa
Manuel Rolim, D. – Senhor de Azambuja

Martim Afonso de Melo – Alcaide-mor de Elvas
Miguel de Almeida, D.4º Conde de Abrantes
Miguel Maldonado
Nuno da Cunha de Ataíde, D.1º Conde de Pontével
Paulo da Gama, D.

Pedro de Mendonça Furtado – Alcaide-mor de Mourão
Rodrigo da Cunha, D.Arcebispo de Lisboa
Rodrigo de Menezes, D.
Rodrigo de Resende Nogueira de Novais
Rui de Figueiredo – Senhor do morgado da Ota
Sancho Dias de Saldanha
Tomás de Noronha, D. - 3º Conde dos Arcos
Tomé de Sousa -  Senhor de Gouveia
Tristão da Cunha e Ataíde - Senhor de Povolide
Tristão de Mendonça

 

TOTAL = 55



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 05:29
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Terça-feira, 15 de Novembro de 2016
PORTUGAL...

 

 

... o país em que...

 

casal idoso de mão dada.png

 

... os casais experientes andam de mão dada...

 

 ... apesar dos telejornais

Telejornal.jpg

 

 

 



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 18:03
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Domingo, 10 de Julho de 2016
CAMÕES E O “IMPARCIAL”

 

 

As armas e os barões...

 

Cantando espalharei por toda a parte

 

Se a tanto me ajudar o engenho e arte.

 

 

 

2016-05-20-Portugal-selecao-nacional.jpg

 

O nosso épico não se fez rogado a enaltecer os feitos lusíadas nem a denegrir os que se nos opunham: nós, os heróis; eles, os vilões.

 

E assim fomos criados num imaginário glorioso que então nos levou «além da Taprobana» mas que ainda hoje nos faz sonhar com a Lusitânia Armilar onde cabem todos os que se sentem portugueses mesmo que já não falem a nossa língua e já lhes rareiem os genes lusitanos.

 

E é nestas brumas poéticas que me lembro de Heródoto, o pai da História, que tanto contava os feitos dos vencedores como dos vencidos para «impedir as grandes e gloriosas acções de gregos e de bárbaros de perderem o tributo de glória que lhes é devido».

 

Sim, Heródoto praticava a imparcialidade e era objectivo na descrição dos feitos que relatava. Por isso se credibilizou como historiador e não como poeta ou contista. E se essa objectividade lhe atribuiu a «paternidade» da História, ela inspirou também todo o método científico, o mesmo que nos permite, tantos séculos depois, estarmos onde estamos, a desbravar os limites do Universo e a «tratar por tu» o núcleo das células.

 

Hoje, os lusíadas do século XXI, estamos todos em pé de igualdade, sem suseranos nem servos, sem dominadores nem dominados. Assentes na realidade, cumpre-nos aceitar as coisas como elas efectivamente são e, não querendo discutir as situações a que a História nos conduziu, resta-nos a possibilidade de tirarmos o maior proveito das circunstâncias, sem cenários mirabolantes.

 

Apetece, no entanto, perguntar como teria sido o nosso percurso nacional se em vez de Camões tivéssemos sido influenciados por Heródoto. Ninguém consegue imaginar os resultados duma experiência não experimentada mas talvez possamos admitir um percurso como o da Nação grega. E vai daí, não haveríamos por certo de querer a troca quando pela Grécia só a metade Sul de Chipre sonha enquanto nós temos – apesar de tudo – uma dimensão universal.

 

E como estaria hoje a nossa auto estima se não fossemos diariamente achincalhados pelos telejornais?

 

E como estaria hoje a nossa determinação se não fossemos diariamente desmotivados pelos gatunos?

 

E como estaríamos hoje se os políticos se entregassem ao bem comum com a mesma tenacidade com que se dedicam ao «tira-te tu para me pôr eu»?

 

E como estaríamos hoje se a base da nossa cultura não fosse a fantasia épica e sim a verdade histórica?

 

Seríamos talvez uma Nação sorumbática, instalada, maçuda e rica mas não teríamos certamente as gargalhadas das anedotas nem os sonhos de voltarmos a ser a Nação gloriosa que nos contaram. E sem esperança não há futuro.

 

VIVA CAMÕES! Com a ajuda de Ronaldo.

 

Henrique-Arco dos Vice-Reis, Velha Goa-NOV15 (2).j

 Henrique Salles da Fonseca

(junto ao Arco dos Vice Reis, Goa-NOV15)

 



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 08:58
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Domingo, 5 de Junho de 2016
PORTUGAL: QUE FUTURO?

 

Trinta e cinco anos de vida.

 

Filho de gente humilde. Filho da aldeia. Filho do trabalho.

 

Desde criança fui pastor, matei cordeiros, porcos e vacas, montei móveis, entreguei roupas, fui vendedor ambulante, servi à mesa e ao balcão. Limpei chãos, comi com as mãos, bebi do chão e nunca tive vergonha.

 

Na aldeia é assim, somos o que somos porque somos assim.

 

Cresci numa aldeia que pouco mais tinha que gente, trabalho e gente trabalhadora.

 

Cresci rodeado de aldeias sem saneamento básico, sem água, sem luz, sem estradas e com uma oferta de trabalho árduo e feroz.

 

Cresci numa aldeia com valores, com gente que se olha nos olhos, com gente solidária, com amigos de todos os níveis, com família ali ao lado.

 

Cresci com amigos que estudaram e com outros que trabalharam.

 

Os que estudaram, muitos à custa de apoios do Governo, agora estão desempregados e a queixarem-se de tudo. Os que sempre trabalharam lá continuam a sua caminhada, a produzir para o País e a pouco se fazerem ouvir, apesar de terem contribuído para o apoio dos que estudaram e a nada receberem por produzir.

 

Cresci a ouvir dizer que éramos um País em Vias de Desenvolvimento e ... de repente éramos já um País Desenvolvido, que depois de entrarmos para a União Europeia o dinheiro tinha chegado a "rodos" e que passamos de pobretanas a ricos "fartazanas".

 

Cresci assim, sem nada e com tudo.

 

E agora, o que temos nós?

 

Um país com duas imagens

 

  • A de Lisboa: cidade grandiosa, moderna, com tudo e mais alguma coisa, o lugar onde tudo se decide e onde tudo se divide, cidade com passado, presente e futuro.
  • E a do interior do país, território desertificado, envelhecido, abandonado, improdutivo, esquecido, pisado.

 

Um país de vícios

 

  • Esqueceram-se os valores, sobrepuseram-se os doutores.
  • Não interessa a tua história, interessa o lugar que ocupas.
  • Não interessa o que defendes, interessa o que prometes.
  • Não interessa como chegaste lá, mas sim o que representas lá.
  • Não interessa o quanto produziste, interessa o que conseguiste.
  • Não interessa o meio para atingir o fim, interessa o que me podes dar a mim.
  • Não interessa o meu empenho, interessa o que obtenho.
  • Não interessa que critiquem os políticos, interessa é estar lá.
  • Não interessa saber que as associações de estudantes das universidades são o primeiro passo para a corrupção activa e passiva que prolifera em todos os sectores políticos, interessa é que o meu filho esteja lá.
  • Não interessa saber que as autarquias tenham gente a mais, interessa é que eu pertença aos quadros.
  • Não interessa ter políticos que passem primeiro pelo mundo do trabalho, interessa é que o povo vá para o diabo.

 

Um país sem justiça

 

  • Pedófilos que são condenados e dão aulas passados uns dias.
  • Pedófilos que por serem políticos são pegados em ombros, e juízes que são enviados para as catacumbas do inferno.
  • Assassinos que matam por trás e que são libertados passados sete anos por bom comportamento!
  • Criminosos financeiros que sempre escapam por motivos que nem ao diabo lembram.
  • Políticos que passam a vida a enriquecer e que jamais têm problemas ou alguém questiona tais fortunas.
  • Políticos que desgovernam um país e que, entre outros, "emigram" para Bruxelas e Paris, a par dos que se mantém ainda ativos.
  • Bancos que assaltam um país e que o povo ainda ajuda a salvar.
  • Um povo que vê tudo isto e entra no sistema, pedindo favores a toda a hora e alimentando a máquina que tanto critica e chora.

 

Um país sem educação

 

  • Quem semeia ventos colhe tempestades.
  • Numa época em que a sociedade global apresenta níveis de exigência altamente sofisticados, em Portugal a educação passou a ser um circo.
  • Não se podem reprovar meninos mimados.
  • Não se pode chumbar os malcriados.
  • Os alunos podem bater e os professores nem a voz podem levantar.
  • Entrar na universidade passou a ser obrigatório por causa das estatísticas.
  • Os professores saem com os alunos e alunas e os alunos mandam nos professores.
  • Ser doutor, afinal, é coisa banal.

 

Um país que abandonou a produção endógena

 

  • Um país rico em solo, em clima e em tradições agrícolas que abandonou a sua história.
  • Agora o que conta é ter serviços sofisticados, como se o afamado portátil fosse a salvação do país.
  • Um país que julga que uma mega fábrica de automóveis dura para sempre.
  • Um país que pensa que turismo no Algarve é que dá dinheiro para todos.
  • Um país que abandonou a pecuária, a pesca e a agricultura.
  • Que pisa quem ainda teima em produzir e destaca quem apenas usa gravata.
  • Um país que proibiu a produção de Queijo da Serra artesanal na década de 90 e que agora dá prémios ao melhor queijo regional.
  • Um país que diz ser o do Pastel de Belém, mas que esquece que tem cabrito de excelência, carne mirandesa maravilhosa, Vinho do Porto fabuloso, Ginjinha deliciosa, Pastel de Tentugal tentador, Bolo Rei português, Vinho da Madeira, Vinho Verde, lacticínios dos Açores e Azeite de Portugal para vender…
  • E tanto, tanto mais... que sai da terra e da nossa história.

 

Um país sem gente e a perder a alma lusa

 

  • Um país que investiu forte na formação de um povo, em engenharias florestais, zoo técnicas, ambientais, mecânicas, civis, em arquitectos, em advogados, em médicos, em gestores, economistas e marketeers, em cursos profissionais, em novas tecnologias e em tudo o mais, e que agora fecha as portas e diz para os jovens emigrarem.
  • Um país que está desertificado e sem gente jovem, mas com tanta gente velha e sábia que não tem a quem passar tamanha sabedoria.
  • Um país com jovens empreendedores que desejam ficar, mas são obrigados a partir.
  • Um país com tanto para dar, mas com o barco da partida a abarrotar.
  • Um país sem alma, sem motivação e sem alegria.
  • Um país gerido por porcaria.

 

E agora, vale a pena acreditar?

 

Vale. Se formos capazes de participar, congregar novos ideais sociais e de mudar.

 

Porquê acreditar?

 

 

  AURORA - A bem da Nação

 

 

Porque oitocentos anos de História, construída a pulso, não se destroem em tempo algum; porque o solo continua fértil, o mar continua nosso, o Sol continua a brilhar e a nossa alma, ai a nossa alma, essa continua pura e lusitana e cada vez mais fácil de amar.

 

 

(Autor não identificado, recebido por e-mail)

 

 



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 09:25
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Quinta-feira, 26 de Maio de 2016
O PANAMÁ NA ALEMANHA E PORTUGAL NO PANAMÁ

 

Mossack-Fonseca.jpg

 

Panama Papers é Riqueza que não produz é Roubo ao País!

 

Segundo a VISAO 12.05 “37,1% da riqueza de Portugal está em offshores; é o valor mais elevado da Europa, seguido da Grécia com 25,8%. Os números são de Gabriel Zucman, um dos mais reputados economistas franceses e especialista de referência em evasão fiscal.

 

As “empresas caixa de correio” (fictícias), como revelam as indiscrições em torno dos Documentos do Panamá, servem a corrupção e as evasões fiscais de grande estilo.

 

Nos Panama Papers juntam-se dinheiros de fugas ao fisco, dinheiros de armas, de drogas, da prostituição e de outras corrupções. O Panamá pertence ao Ducado da Normandia (Inglaterra).

 

Neste contexto fala-se dos “John Doe” – cadáver americano não identificado – para designar pessoas não identificadas metidas em negócios menos limpos. Não se contentam com o mamar; levam logo a vaca inteira.

 

O dinheiro, em vez de fluir através das engrenagens do Estado e ser empregue para favorecer o investimento público e a redução de impostos, fica fechado nos depósitos das firmas.

 

O Panamá alemão

 

O ministro alemão das finanças já anunciou um projecto de lei com dez pontos que tenciona proibir “empresas caixa de correio”; certamente uma iniciativa isolada, dado a Inglaterra e os USA não alinharem na iniciativa dado viverem bem de tais firmas que ajudam a fugir aos impostos estrangeiros mas, por outro lado, regulam e protegem as suas finanças no Estrangeiro. Por outro lado é uma hipocrisia política atendendo ao facto de o Panamá ocupar o 13° lugar na lavagem de dinheiros à margem da legalidade quando a Alemanha ocupa o 8° lugar em termos de dar cobertura à fuga ao fisco de capital estrangeiro.

 

Segundo a imprensa alemã, alemães fogem ao fisco alemão em centenas de bilhões (milhares de milhões) de euros mas por outro lado a Alemanha abriga, do estrangeiro, cerca de três trilhões (triliões) de euros não tributados.

 

A repartição alemã de controlo financeiro Bafin intensifica as suas investigações contra bancos com firmas postais no Panamá, exigindo-lhes os documentos originais das respectivas operações bancárias. Bafin investiga nove bancos que terão mediado firmas postais onde seus clientes estacionaram parte da sua riqueza.

 

No reino da internet basta o clicar numa tecla para se darem fugas de documentos comprometedoras, que não poupam até os deuses do Olimpo e seus sequazes da política. Não tivessem eles os seus diabos que os branqueiam.

 

A vaca leiteira que alimenta, gratuitamente elefantes da economia e da política é uma entre outras que se escondem sob o manto da legalidade.

 

Por outro lado, empresas multinacionais não precisam de empresas caixa de correio (fictícias) para fugirem ao fisco; têm ao seu dispor diferentes sistemas de impostos nacionais que mesmo numa EU se encontram em concorrência desleal (A Bélgica, o Luxemburgo, etc. batem a pala!).

 

Também em Portugal se encontram muitos envolvidos na fraude organizada. Também os fundadores de offshores, deveriam ser chamados à responsabilidade pela justiça. A nossa justiça parece, além de cega e surda-muda também ser coxa, no que respeita aos habitantes do Olimpo.

 

António Justo.jpg

António da Cunha Duarte Justo



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 06:25
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Sexta-feira, 19 de Junho de 2015
A BEM NASCIDA SEGURANÇA

 Salazar 1961.jpg

A professora de História do Bruno, a propósito do Estado Novo, penúltima matéria temática neste sexto ano de História, propôs aos seus alunos que pusessem aos seus avós as seguintes questões, que eles copiariam e leriam na turma:

As Perguntas:

1ª - Que pensa do regime de Salazar?

-Como era a vida no tempo de Salazar?

- Como era a Escola?

4ª - Alguma vez foi chamada à PIDE?

- Andou na Mocidade Portuguesa? O que fez lá?

6ª - A Guerra Colonial: Esteve lá? Como foi?

 

O Bruno apresentou as perguntas e dispusemo-nos a trabalhar, naquela tarde de 5ª Feira, ele a copiar, eu a escrever.

 

As Respostas:

 

- Penso que foi um regime de dureza necessário, porque salvou o nosso país por várias vezes de crises que Portugal atravessou. A primeira, foi como Ministro das Finanças, de 1928 a 1932. Portugal estava à beira da bancarrota, graças à instabilidade política, social e económica da 1ª República, e Salazar, com a sua política de contenção de despesas, conseguiu vencer o défice, embora com muito sacrifício do povo. Outro grande problema foi o da participação – ou não – na 2ª Grande Guerra, de 1939 a 1945. Salazar conseguiu seguir uma política de neutralidade e os portugueses não entraram na guerra, não lhe sofrendo os horrores. Por outro lado, com a sua política de Obras Públicas, Salazar contribuiu grandemente para o desenvolvimento do país. Mas discordo da sua ditadura, que não dava liberdade de pensamento aos portugueses.

 

2ª - A vida, durante a época de Salazar, era difícil, sobretudo nas classes mais pobres. Havia muita miséria, o povo andava descalço, havia muitos analfabetos. Mas o analfabetismo foi uma espécie de “doença” crónica no nosso país. Por outro lado, a classe média vivia melhor e podia educar os filhos nos liceus, escolas técnicas e nas universidades que havia em Coimbra, Lisboa e Porto. A classe mais rica tinha maiores prerrogativas, é claro, mais automóveis e casas melhores, com jardins e até piscinas.

 

– A escola era um encanto. Havia ordem e disciplina, aprendiam-se os hinos da nação – a “Portuguesa” e o “Hino da Mocidade Portuguesa” – e outros, como o da “Restauração”. Os professores eram dum modo geral competentes, porque tinham tempo para prepararem as suas aulas, e nos intervalos brincávamos que era um regalo – à bola, ao paulito, ao berlinde… Também se praticava desporto, hóquei, vólei, basquetebol.

 

- Quando andava no meu 7º ano do Liceu (11º hoje), tive colegas que foram chamados à PIDE para informarem sobre as suas actividades e sobretudo leituras. Houve um colega que esteve preso uns dias e, quando apareceu na nossa turma, foi uma festa e ele chorou, mas nunca nos contou o que lhe aconteceu. Era o Fernando Gil, que foi professor e filósofo.

 

- Não fiz parte da Mocidade Portuguesa, mas lembro-me do “Lá vamos cantando e rindo” que cantávamos, e de espectáculos de ginástica em que participávamos, todas vestidas de branco. Mas nunca nos impingiram as orientações nacionalistas que os da organização “Mocidade Portuguesa” deveriam receber. Eu sempre me considerei uma pessoa livre, mas cumpridora, e os livros que lia sobre a miséria dos povos – livros de escritores russos, brasileiros, portugueses – não me transmitiam revoltas contra o regime do Estado Novo, porque me limitei a estudar, quando estudante, e a trabalhar o melhor que pude, quando adulta.

 

- Quando eclodiu a guerra – em 1961 – eu estava em Moçambique, onde nasceram três dos meus filhos. Lembro-me das preocupações que vivemos, mas de repente o mundo abriu-se, Salazar enviou tropas portuguesas para Angola, Guiné e Moçambique, que se juntavam às tropas das respectivas colónias, chamadas posteriormente de províncias ultramarinas. Tive um cunhado que foi enviado como médico para o norte de Moçambique, mas levou a mulher, deixando a filha entregue aos avós, que viviam numa fazenda perto de Quelimane. O meu primeiro marido também foi chamado para combater o terrorismo no norte de Moçambique, mas eu estava grávida do meu terceiro filho e fui ao Governo Geral suplicar que o não mandassem para lá, e continuou no seu Quartel de Boane, perto de Lourenço Marques, por mais algum tempo. Anos depois, ainda em Moçambique, conheci o meu segundo marido, que fizera a tropa em Angola. Apesar de tudo, tanto Angola como Moçambique, desenvolveram-se extraordinariamente antes das descolonizações perpetradas pelos revolucionários de Abril de 1974. Nunca nos passara pela ideia que Portugal ia desfazer-se delas. Mas Salazar morrera e ele fora o grande esteio da Nação.

Berta Brás.jpg Berta Brás



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 15:28
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Terça-feira, 28 de Abril de 2015
AS MEDIDAS PARA AS NOSSAS CHAGAS

 

Não tem muita simpatia pela juventude portuguesa, Vasco Pulido Valente, como, de resto, pelos portugueses, os indígenas da sua designação rancorosa, o qual desejaria para o seu país mais qualidade mental, o que é, aliás, a ambição de tantos, derrotados na verdade dos números ínfimos de alfabetização, dos tempos da monarquia, gradualmente progredindo segundo as políticas republicanas, mas que não nos farão nunca apanhar a carruagem dos outros povos europeus, mais previdentes e estruturados de longa data, nos parâmetros da dignificação humana. Portugal, um país bom, de bom sol, de boa gente, segundo se diz e a gente o sente, na ternura linguística do nosso atraso de “inhos” e “inhas” que simultaneamente nos agasta e nos agrada, nós próprios também abusando, e que Fernando Mendes evidenciou no carinho pela sua Lenkazinha de beleza esplendorosa, que nem esta repele.

 

Em conversa com a minha filha, soube das suas lutas últimas, com alunos desordeiros que ela bem descreve nas suas participações à directora, lutando por uma sociedade mais digna, considerando estar a Escola reduzida ao nada de uma indisciplina inominável. Pobre da minha Paula, pobres de todos esses professores sem um mínimo de condições sérias, num país que inutilmente se esforçam por elevar, há muito votado ao rebaixamento da indignidade legalizada em termos disciplinares e consequentemente culturais.

 

Vasco Pulido Valente tem razão. Para quê essa medida discriminatória de proibição da venda de bebidas alcoólicas a menores, quando se não tem possibilidade de averiguar da sua eficácia, nos vários condicionalismos que igualmente permitem que a droga se propague numa sociedade em que, “por várias razões, as famílias não educam os filhos”?

 

que-notas-são-estas.jpg

 

Leiamos o seu artigo, no qual, aceitando embora a necessidade de imposições como a da proibição de compra de bebidas alcoólicas a menores, permitem, contudo, as estruturas sociais, o partidarismo de uma mocidade mais ou menos desordeira, que pouco mais apresenta que a expressão sonorosa da sua reivindicação sem consciência efectiva daquilo que reivindica, na ausência de leitura e preparação reais. A mocidade que, continuando atrelada a amizades como meio de evolução pessoal para as suas ambições, poderá vir a dirigir a coisa pública, como se tem visto, em cursos arrebanhados na pressa da ambição amparada.

 

O Sangue dos Outros”, um livro de Simone de Beauvoir, me vem à memória, não pela menoridade etária das personagens participantes, mas pelo contraste com a sua juventude participativa consciente, personagens que, provenientes de uma burguesia bem instalada, por ódio às injustiças sociais apoiadas em tenebrosos fascismos, escolhem – com hesitações no seu caminho – (os egoísmos existencialistas como rocha impeditiva da participação imediata) – a luta por ideais de fraternidade e de defesa dos direitos humanos que terão a morte como resultado. (Nada que não estejamos saturados de ouvir, aliás, do ideário comunista, direccionado exclusivamente, hoje, sobre as medidas governamentais que não implicam retaliações à maneira nazi e por isso propícias ao ruído, que na época das Resistências se fazia pela calada). Mas os livros de Simone de Beauvoir e dos seus companheiros da época são impregnados de saber filosófico, pertencem a mentalidades estudiosas que envolvem os seus enredos nos artifícios da sua preparação intelectual. Não têm a ver com a nossa juventude – a da mândria, do desrespeito, da reivindicação em gritos de balbúrdia – os mais espertos e sérios definindo-se por outras filosofias – as do capitalismo - que, afinal, talvez não sejam nem melhores nem piores que as dos tempos dos facínoras que espalharam a guerra e a morte no mundo.

 

A educação da juventude

Público, 17/4/15

 

O Estado, na sua qualidade de educador, resolveu agora proibir a venda de bebidas alcoólicas (de qualquer espécie) a menores. Já era proibido vender tabaco a crianças. Para não falar de drogas que são universalmente ilegais.

Claro que a eficácia desta medida é discutível: em casa não se pode verificar quem bebe o quê e quanto. Fora que há sempre o mercado negro ou um amigo ou irmão maior que abastece os mais miúdos. Mas não deixa de ser verdade que o mais pequeno obstáculo diminui o consumo e que, neste caso, o fim é meritório. A dependência do álcool não se adquire depressa (“too much, too often, too long”) e atrasar ou dificultar o processo contribui para uma população mais saudável e segura. Uma vez que por várias razões as famílias não educam os filhos, medidas como estas acabam por se justificar.

Em compensação, proibir o fumo em locais públicos fechados — como, por exemplo, restaurantes, cafés, bares, discotecas, casas de jogo e sítios semelhantes — frequentados geralmente por adultos não passa de uma restrição à liberdade individual, sem desculpa ou atenuante. O fumo, como nos lembram em toda a parte, a todo o tempo, é uma actividade perigosa. De acordo. Só que daí não se segue que um cidadão, na posse das suas faculdades, se veja impedido de correr os riscos que bem lhe apetecer, ainda por cima por um Estado que não cumpre os seus deveres mais básicos. Principalmente quando não existem riscos para terceiros, porque a maioria dos locais públicos fechados não admite hoje fumadores. A nova lei contra o fumo que por aí se anuncia não passa de um acto de uma prepotência mesquinha.

Pior ainda: no meio da sua preocupação com o bem-estar dos portugueses (que, aliás, morrem no desemprego e na miséria) e do seu amor ao viçoso crescimento da nossa querida juventude, o Estado permite a ascensão e a influência das “mocidades” partidárias. Um menor está impedido de comprar tabaco, de beber álcool, de se casar sem a autorização dos pais. Desde os 14 anos não está, em contrapartida, impedido de escolher qual o regime que melhor convém à sua doce pátria e as políticas mais capazes de a salvar e modernizar. Para essas actividades menores, nem o Governo, nem os partidos o consideram irresponsável ou inepto. Depois de beber o seu leitinho ou a sua limonada sob a vigilância da polícia e provar (com testemunhas) que nunca comprou um único cigarro, a criancinha irá daqui em diante pastorear o povo no exercício dos seus plenos direitos.

 

Berta Brás.jpg Berta Brás



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 14:41
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Domingo, 31 de Agosto de 2014
MAUS, OS QUE FICÁMOS...

 

 

...E BONS, OS QUE EMIGRARAM?

 

 

Há por aí quem diga que os bons portugueses emigram e que por cá só ficam os que não prestam.

 

Então, ocorre-me perguntar por que se emigra. Porque não se tem um modo de vida cá dentro que corresponda às expectativas.

 

E por que é que as expectativas excedem as condições internas e só se adaptam lá fora? Uma das razões é porque cá dentro estamos atulhados de licenciados em cursos que não servem para nada e lá fora esses licenciados em «gato por lebre» não se importam de lavar pratos ou desentupir esgotos enquanto cá dentro exigem o sábio estatuto de «Dr», «Mestre» ou até mesmo de «Doutor»; outra das razões é porque estamos atulhados de trolhas e esses faltam lá fora. E mais razões há...

 

E nós, os que cá ficámos, podemos ser considerados em várias categorias:

  • Os que encontrámos um modo de vida correspondente às nossas expectativas;
  • Os herdados e mandantes;
  • Os que andaram por fora e voltaram;
  • Os estrangeiros que tomaram Portugal como país de acolhimento;
  • Os inaptos, os gatunos e outros «artistas» que tais...

Ah! Já me ia esquecendo dos políticos que o leitor arrumará na categoria que melhor considerar aplicável, com excepção da dos estrangeiros, claro.

 

Portanto, antes de chegarmos aos últimos da tabela, os que mais denigrem o nome de Portugal, temos todos os anteriores e, dentre eles, muitos de grande valimento e seriedade.

 

É claro que a emigração poderia ser menor se se escolhesse a instrução em função das reais necessidades do mercado nacional de trabalho e se o empreendedorismo fosse mais incentivado em substituição do tradicional objectivo de «fazer funcionários».

 

Dos que andaram por fora e regressaram, muitos já vêm aposentados o mesmo acontecendo com tantos estrangeiros que escolheram Portugal para gozarem a reforma sem as agruras climáticas típicas dos seus países.

 

Mas o mais importante que nos cumpre reconhecer é que Portugal é a «casa natural» de TODOS os que falam português e, portanto, pode e deve ser um refúgio de toda a lusofonia. Venham todos pois o dia da plurinacionalidade lusófona chegará.

 

Logo, os que cá estamos não somos os maus porque os bons emigraram. Não, nós somos bons, maus e assim-assim. Ou não fôramos uma sociedade humana e não de espíritos divinos irrepreensíveis.

 

Sim, bem sabemos que vagueia por aí um ou outro pecadilho… Mas daí a dizer que isto é tudo uma choldra, vai uma galáxia de distância.

 

 Henrique Salles da Fonseca



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 00:50
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Quarta-feira, 16 de Julho de 2014
TRÊS ANOS DE TROIKA

 

Em Maio de 2011, o governo do Partido Socialista, chefiado por José Sócrates, pediu um “bail-out” à UE/BCE/FMI, (designados por Troika) porque já não tinha dinheiro para pagar ordenados e para manter a máquina do Estado a funcionar, os bancos portugueses não conseguiam crédito no exterior para equilibrar os balanços e financiar a economia interna e a República Portuguesa não conseguia contratar dívida pública nos mercados financeiros.

 

Esta situação seguia-se à crise dos títulos de financiamento imobiliário nos EUA que levou a emblemática Lehman Brothers à falência, desencadeando pânico nos mercados de capitais. A desconfiança dos credores e a caça às bruxas começava. Os mercados redobraram de prudência e de exigência nas suas operações de financiamento internacionais.

 

A situação de endividamento crítico de Portugal surge num momento em que os mercados e a União Europeia discutem outros casos como a Irlanda e a Grécia. A situação extrema da Grécia despoletou a crise de insolvência dos chamados PIGS (Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha), que eram agora privados de acesso ao crédito internacional. Ficavam assim todos em situação de pré-bancarrota.

 

A situação da gigantesca dívida bancária ligada à especulação imobiliária na Irlanda tinha vindo entretanto a público - sendo o Governo derrubado - e a Irlanda tomou a iniciativa de procurar um resgate internacional. A Espanha era olhada há já algum tempo com desconfiança pois era conhecida a gigantesca e aterradora bolha do seu mercado imobiliário (as multiplicadas e inúmeras recentes construções imobiliárias eram de natureza especulativa, sem comprador ou mesmo utilizador possível!) e os montantes de dívida bancária associada impossíveis de resgatar. A crise foi ainda mais agravada com a publicidade dada às falsas estatísticas e contas públicas Gregas e com o conhecimento das despesas sociais, de generosidade escandalosa, na Grécia, uma economia nacional em que as despesas públicas eram assustadoramente superiores às receitas fiscais do Estado. A publicidade desta situação afectou a credibilidade de gestão das economias europeias periféricas, provocando reacções de preconceito racista e cultural dos países do Norte da Europa, seus parceiros na U.E.

 

Todas estas economias da Europa do sul tinham estruturas económicas viciadas, que não lhes permitiam gerar facilmente crescimento nem riqueza para libertar fundos, para fazer face ao serviço da sua dívida externa. Pior: tinham criado um aparelho de Estado demasiado grande em relação à sua economia nacional e gerador de despesa pública crescente, o que sufocava a criatividade e a produtividade da atividade económica geradora de riqueza. Muitos empregos tinham sido criados sem critérios de gestão e de preocupação de sustentabilidade. As despesas sociais de educação, saúde, reforma e pensões, iam sendo cada vez maiores e eram suportadas por populações que não cresciam. As suas populações eram cada vez mais desequilibradas, entre nacionais que trabalhavam e geravam receitas para financiar as instituições do Estado Social e os nacionais que estudavam ou se iam aposentando, estes dois últimos grupos cada vez mais numerosos.

 

Outras economias ainda mais endividadas que as dos PIGS – as da Grã Bretanha e Itália, por exemplo – não foram penalizadas pelos mercados porque eram politicamente mais credíveis, eram consideradas mais capazes de criatividade económica e de crescimento e capazes de honrar o serviço da sua dívida externa.

 

A Utopia da construção de uma Europa Federal e fraterna ficou a nu, pois não houve qualquer movimento político de apoio aos Estados em crise por parte dos restantes países da U.E.

 

A adesão ao Euro tirou aos países em crise a possibilidade de reequilibrarem as suas contas com o estrangeiro, através das clássicas desvalorizações da sua moeda. O Euro deixou de ser uma vantagem para os países mais fracos e ficou patente que a sua construção beneficiava sobretudo os grandes países com importante exportação industrial para o resto da zona Euro. Não há inocentes neste processo. A Alemanha que tanto se indigna com a Grécia não menciona nunca que exportou oito submarinos (iguais aos dois portugueses) e 400 tanques Leopard para a pequena economia Grega, tudo financiado pelos bancos alemães que agora ficaram apavorados com a dívida da Grécia. Os bancos Franceses também ficaram apavorados pois financiaram as caríssimas exportações para a Grécia de aviões militares franceses. Será que não havia outras formas de garantir a segurança do aliado Grego?

 

Se os países periféricos foram irresponsáveis na gestão do crédito internacional contraído, os credores também deviam saber o que andavam a fazer! A banca internacional não é isenta e deu grandes provas de ganância e de ignorância. Pouca atenção se tem dado entretanto à qualidade do crédito bancário concedido no interior das economias na União Europeia. Desse crédito, até há pouco fácil e generoso, a percentagem do crédito bancário “mal parado” dos bancos europeus será aterradora… Quando na macro economia se governa “às largas “, não se pode esperar que na micro economia se seja comedido e escrupuloso….

 

As economias dos PIGS foram desclassificadas há três anos pelas Agências de “rating” internacionais. Portugal passava então a ser classificado de lixo.

 

A maioria da população e os políticos mais iniciados ao funcionamento do mundo económico compreenderam que uma solução de “bail-out” negociada com a Troika, em que naturalmente o credor impõe as condições ou garantias económicas, seria a solução preferível e que garantia um futuro Europeu para Portugal. Uma recusa de pagamento da divida contraída no passado seria de consequências catastróficas para a população portuguesa. O exemplo doloroso e perlongado da Argentina ostracizada é um aviso. A saída de Portugal do Euro, para além das consequências imprevisíveis na permanência de Portugal na U.E., seria de difícil resolução e levanta inúmeras incertezas graves. Um Portugal desacreditado, numa caminhada isolada, cairia possivelmente numa situação ainda mais desastrosa para a economia nacional e sem esperança de um futuro europeu com potencial de negociação. A Assembleia da República fez cair o governo de José Sócrates, e as eleições de 5 de Junho de 2011 promoveram um governo de coligação entre o centrista PSD e o conservador CDS-PP que negociou com a Troika um empréstimo de 78 mil milhões de euros.

 

Os credores do socorro impuseram condições para o “bail-out”, situação normal em qualquer acordo de quem empresta dinheiro e tenta assegurar-se que receba depois o reembolso do crédito concedido. Desde a revolução dos ”cravos” de 1974, Portugal já recorreu a dois outros “bail-out”, ambas as vezes sob Governos presididos por Mário Soares….e como seria de esperar, sempre com condições duras.

Este empréstimo foi organizado sob condição de cortes nas despesas do Estado, reflectidas nos Orçamentos anuais do Estado Português, que implicavam reduções nos valores dos salários dos empregados públicos, reduções de benefícios de aposentação, cortes em instituições e serviços oficiais, privatização do capital social de grandes empresas no sector empresarial do Estado (grandes utilizadoras de crédito nacional e internacional). Implicavam também uma série de reformas estruturais da Educação, da Justiça, da Saúde, e da legislação do trabalho. Foi estabelecido um calendário de redução progressiva dos níveis de défice orçamental, com a meta de 2,5% do PIB em 2015 e da redução da divida pública que terá que cair para 60% do PIB em 2035, como sucede aliás para todos os membros da U.E.

 

Contudo, o Governo PSD–CDS não conseguiu fazer uma grande parte das projectadas reformas do Estado. Estas reformas não foram encetadas com determinação no início da acção deste Governo, quando havia mais predisposição para a população e grupos de pressão em aceitar reformas perante o estado de choque em que o país acordava. O Governo hesitou em fazer face à resistência esperada. Mais tarde, foi já tarde. A acção do Governo concentrou-se sobretudo numa política de austeridade e privatizações, com algumas reformas estruturais limitadas. O Estado Social teve poucas reformas e pouco se fez para garantir a sua sustentabilidade. Mas a Administração Pública reduziu despesas e os défices do Estado deverão estar já na casa dos 4,5% para 2014. A dívida pública que atingia em Dezembro de 2013 a percentagem de 129% do PIB, também iniciou a sua descida.

 

Mas para além dos cortes da despesa do Estado e de racionalização de Serviços, alguma coisa foi conseguida na procura de investimento do estrangeiro e de incentivos á exportação que cresceu de 30 para 40 % do PIB. A economia abriu-se mais para o mundo e pela primeira vez desde há dezenas de anos as exportações ultrapassaram as importações. O flagelo do desemprego começou a cair, descendo do máximo de 17,8% em 2013 para os atuais 15,1%, e finalmente o crescimento económico regressou (1,5% ao ano) após uma ausência de mais de dez anos.

 

A oposição política e os Sindicatos de obediência PC recusaram participar nas negociações com a Troika e foram sempre combatendo as decisões do Governo de coligação. Os media, que normalmente são de militância de “esquerda”, fizeram na sua quase totalidade sempre crítica às decisões do Governo, naturalmente impopulares e dolorosas. No entanto, salvo a excepção em 15 de Setembro de 2012, uma marcha de protesto não partidária, os protestos de rua foram só os organizados pelo PCP, o BE e outras formações da extrema-esquerda, nunca foram violentos e as greves não tiveram expressão e adesão de maior. Não tiveram sucesso em fazer o Governo alterar as medidas de reformas estruturais, de privatizações e de cortes de despesas sociais. Aqui, só o Tribunal Constitucional conseguiu dificultar as acções do Governo.

 

Na sua grande maioria, embora irritados e descontentes com os cortes nos rendimentos salariais e de reforma, com a austeridade imposta e suas consequências no desemprego, na agravada fiscalidade e consequente desaceleração da actividade económica, os portugueses aceitaram os sacrifícios em nome de um futuro melhor.

 

A intervenção da Troika terminou a 17 de Maio de 2014, após três anos de muitos sacrifícios do povo português. A economia portuguesa sai mais aligeirada e um pouco mais flexível. A consciência dos portugueses da necessidade de reformar o Estado e de construir uma economia sustentável é uma grande conquista destes anos de sacrifício. A confiança dos mercados, importante pois não pode haver crescimento sem financiamento e o mercado interno é muito insuficiente em recursos de financeiros mobilizáveis. O respeito internacional foi conquistado, o que reforça a voz do país na UE e nos organismos internacionais.

 Pedro de Avillez

In Instituto da Democracia Portuguesa

 



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 08:30
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Segunda-feira, 14 de Julho de 2014
COISAS DA INTERNET

 Image result for margaret thatcher

 

O artigo de Maria João Avillez «DEPOIS DE ACABAR O DINHEIRO DOS OUTROS…» retrata e retrata-nos, sem que fique um resquício de vergonha a tantos de nós, o estado a que chegámos como nação, aclarando corajosamente os factos, sem cedência a valores que não sejam os da honesta busca da verdade, tantas vezes já ditada, felizmente, por alguns menos submissos a uma gritaria orientada por quem está ali só para gritar, porque se estivesse a governar teria forçosamente que fazer o mesmo que os que estão, sem o que o quadro do dilúvio – parcial, desta vez – nos atingiria, sem Arca salvadora.

 

Transcrevo da Internet o seguinte texto, colocado há mais de um ano, encontrado quando afanosamente procurava a origem da frase

 

“O socialismo dura até acabar o dinheiro dos outros”:

 

12 de Julho de 2013 às 9:51

 

«Sabe quantos países com governo socialista restam agora em toda a União Europeia?

 

Apenas 3:

1. Grécia 2. Portugal 3. Espanha. 

 

Os três estão endividados até o pescoço.

 

Eis as razões, segundo definições clássicas de MARGARETH THATCHER:

 

"O socialismo dura até acabar o dinheiro dos outros".

 

"É impossível levar o pobre à prosperidade através de legislações que punem os ricos pela prosperidade".

 

"Para cada pessoa que recebe sem trabalhar, outra pessoa deve trabalhar sem receber".

 

"O governo não pode dar para alguém aquilo que tira de outro alguém".

 

"Quando metade da população entende a ideia de que não precisa trabalhar, pois a outra metade da população irá sustentá-la, e quando esta outra metade entende que não vale mais a pena trabalhar para sustentar a primeira metade, então chegamos ao começo do fim de uma nação".

 

Se você trabalha, você deve trabalhar mais duro ainda, pois milhões de pessoas dependem do seu trabalho.

 

São as pessoas que vivem do Fome-Zero, do Bolsa-Invasão, do Bolsa-Desemprego, do Bolsa-Escola, do Bolsa-Família, do Bolsa-Cota, do Auxílio-Reclusão, ou que recebem, sem trabalhar, o Vale-Leite, o Vale-Gás, o Vale Copa, Vale-Tudo etc.

 

Ainda podemos salvar o país dessa derrocada!!!

 

 Berta Brás



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 14:57
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