Sexta-feira, 16 de Setembro de 2016
CARTAS DO BRASIL – 1

 

 

Reprodução de algumas “Cartas do Brasil” escritas em 1999 e publicadas no defunto jornal “O Dia” de Lisboa.

 

Curioso notar como os problemas, dezassete anos depois, permanecem, infelizmente, actuais.

 

Dessas “Cartas” fez-se um livrinho e, à laia de introdução escrevi o “Porquê” das ditas.

 

Aqui vão algumas.

 

RIO DE JANEIRO

 

O PORQUÊ DESTAS “CARTAS”

 

Porquê? Primeiro, porque me apeteceu escrevê-las! Elas representam a opinião de um imigrante português, a quem o Brasil, como sempre e a todos, abriu as portas e os braços.

 

As fronteiras do mundo vão caindo e, mais do que nunca, qualquer cidadão, estrangeiro ou não, deve participar activamente no processo de desenvolvimento do país onde vive.

 

O convencional xenofobismo para com os portugueses, desenvolvido basicamente durante o período do império, se foi desagradável, e ainda o é, mas já raro, para os patrícios, teve a virtude de unir à volta da figura do Imperador, sobretudo D. Pedro II, os dezoito Estados de que se compunha então o jovem país, uma monarquia perdida num mundo tropical, cheio de problemas e de novos e revolucionários conceitos de liberdade e republicanismo que estavam a conquistar o mundo. O Reino, aliás Império do Brasil, pôde assim ter-se mantido como o maior país da América do Sul.

 

Se não se tivesse conseguido encontrar um inimigo comum, contra quem unir o povo, o país talvez se tivesse dividido em mais dezoito republiquitas, algumas miseráveis, como aconteceu com os territórios de língua castelhana.

 

Por essa razão, e só por essa, creio que foi útil ter-se criado, muito artificialmente, o tal inimigo público! Na ocasião era de bom-tom mudar-se o nome de Costa, ou Pereira ou Araújo para Ipiacaba, Paraguaçu ou Tibiriçá, para ser brasileiro autêntico, ignorando-se a maioria da população negra, porque já não era de bom-tom ter-se um Imperador de escravos!

 

Se deste modo o Brasil atingiu os objectivos que ambicionava, ainda bem que descobriram um inimigo dentro da família! Não houve que dar satisfações a ninguém mais. Foi uma briga de família, que está sanada.

 

Apesar de tudo, e individualmente, o brasileiro sempre teve, e tem, muito carinho pelos portugueses. Quem não tem um pai, tio, avô, bisavô ou bisavó português?

 

Quem não está sempre sonhando em poder, um dia, quando?, visitar a terra dos seus antepassados, comer um bom chouriço e beber um copo de vinho tirado da pipa?

 

No fundo, bem lá no fundo, todos têm esse sonho, irrealizável, infelizmente, para a grande maioria da população.

 

O imigrante português tem uma característica que possivelmente lhe é quase exclusiva: a terra que o acolhe é tão sua como a que o viu nascer. Nela trabalha, luta, vibra, cria raízes e família e por ela dá a sua vida.

 

Os problemas que a afligem tiram-lhe também o sossego e o sono. Discute política e economia com o mesmo fervor que outro qualquer natural. E porque não?

 

As opiniões manifestadas nas “Cartas”, que foram publicadas em jornais de Portugal, tiveram como finalidade ajudar a denunciar e criticar a prepotência e erros dos mandões, sempre procurando deixar bem clara a minha extrema simpatia por um povo simples e com um coração grande, aberto, imenso, tal como as suas intermináveis fronteiras o configuram.

 

Por isso o Brasil é assim: AME-O OU DEIXE-O.

 

Dezembro, 1999

 

***

 

FGA-O DIA.jpg

 

ALÔ! MEU BEM!

 

Ninguém sabe ao certo há quanto tempo o homem chegou a estas regiões brasílicas. Dez mil? Vinte mil? Quinhentos mil anos? O que importa? A culpa de tudo o que acontece é, efectivamente, de uma tal Eva, africana, que terá sido a mãe de toda a humanidade!

 

Como devem calcular, os queixumes e lamúrias deste povo não vão tão longe, até porque não tem bem a certeza de que essa senhora tenha sido sua antepassada! Mas os portugueses, esses sim, continuam sendo, ainda hoje, 177 anos depois do grito que o senhor Pedro I / IV terá dado às margens do Ipiranga, por alguns mentecaptos complexados, acusados de muitas das desgraças do país. Os arrependidos destes antepassados suspiram: Ah! se tivéssemos sido colonizados pelos ingleses...

 

Acho que têm razão, porque se em vez de portugueses aqui se tivessem estabelecido ingleses, holandeses, ou outros, os problemas talvez nem teriam começado. Explico: em primeiro lugar a história mostra que o único europeu que se aguentou neste clima bravo foi o português, o que não é de todo verdade. Quem se aguentou mesmo foram os filhos que ele foi deixando, cruzamentos com qualquer outra raça. Mamelucos e mulatos e depois a mistura entre estes, que absorveram a cultura, pouca ou muita dos pais, a sua determinação e grande adaptabilidade e a resistência e a afabilidade das mães, naturais dos trópicos. E de toda esta mistura fez-se um povo que pode ter muitos defeitos (quem não tem?) mas onde ninguém sequer vislumbra a menor hipótese de um dia poder surgir um confronto racial. Desde o mais escuro, com pele azulada ao mais branquela, tipo finlandês, olhos escuros ou azuis, todos bebem caipirinha, dançam o samba, dividem o mísero espaço das favelas, dos bairros de classe média ou outros e são todos brasileiros.

 

Isto significa que se os tais pioneiros, portugueses, não se tivessem aguentado e lutado bravamente para expandir até aos Andes a sua área de actuação, o Brasil hoje seria... o quê?

 

Viver nos Estados Unidos, ou até em Portugal pode ser muito melhor em termos económicos, mas onde é que por esses lados se encontra alguém, que nunca se viu e com quem se vai tratar de negócios, ou nos atender numa loja ou somente vender o bilhete do ónibus e que, em vez de falar secamente sem sequer nos olhar de frente, nos trata por Meu bem, Meu amor, envolvendo-nos numa doçura que nos faz pensar sermos o Tarzan? E ninguém faz isto com intenção maldosa ou inequívoca. É natural. É simpático. É humano. É Brasil.

Só esta ternura vale pelo calor que se sofre durante o Verão, e não só. Não alivia a miséria, mas atenua as agruras da vida, parecendo que nesta terra sempre tem uma mãe extra para nos acarinhar.

 

Ainda hoje telefonei para uma empresa reclamando sobre um disparatado aumento dos preços dos seus produtos, e a dona Lurdes, do departamento de vendas que me atendeu, só me dizia: Meu bem, eu acho que eles (aqui o “eles” eram os seus patrões!) não sabem o que fazem. Eu se fosse cliente deixava de comprar os nossos produtos e eles então iam ver! Olhe, meu amor, vou lhe dar o telefone dum representante nosso que talvez o possa ajudar!

 

A dona Lurdes pode não ser a melhor escrava que a empresa precisa, mas é no mínimo uma mulher corajosa, sensata e extremamente simpática! Não sei se alguma vez vou ter oportunidade de conhecer pessoalmente esta senhora, mas amanhã vou mandar-lhe uma rosa. A rosa aliás nada vale perto da sua simpatia!

 

Um dos grandes males deste país é a ganância. Todos querem enriquecer, hoje! Pudera, não. O governo interfere constantemente na economia e não permite que se façam planos a médio prazo. O longo então é inexistente.

 

A máquina administrativa além de ineficiente (como em todo o lado tem funcionários óptimos, infelizmente minoria) cria leis para complicar o empresário, o trabalhador e o próprio funcionário público, beneficiando unicamente os fiscais, que como varejeiras proliferam nesta terra. E inventam maneira de extorquir alguma coisa de quem quer trabalhar.

 

Uma dessas fiscalizações levou há dias de um supermercado mais de duzentas caixas de produtos alimentícios de um só fabricante, para conferir se os pesos estavam dentro do indicado! Diz a lei que podem levar até trinta, trinta, peças de cada produto para estabelecer a média! Por aqui já se vê como é fácil! Muito bem, no fim de exaustivo exame oficiaram ao fabricante, mandando rectificar a embalagem onde encontraram um item passivo de autuação, por não estar de acordo com a lei: a abreviatura de grama não pode ser gr mas sim g. Assim se zela pela segurança do consumidor!

 

No mesmo dia uma senhora, para aproveitar uma destas tardes frescas que de quando em vez tornam o Rio um paraíso de temperatura, foi para um jardim em frente em sua casa passear com um netinho de um ano de idade. Bébé no colo. De repente um impacto. Uma bala perdida, vinda lá dum morro qualquer, acertou a criança que morreu. Incrível, horroroso, inaceitável. Não adianta perguntar onde Deus estava naquele momento. Em todos os momentos do dia, em toda a parte do mundo, parece que Deus não está em lugar algum. Talvez esteja arrependido de ter descansado no sétimo dia. Algo ficou imperfeito. O homem.

 

Os morros do Rio são uma desgraça. Onde nem o Exército entra. Os morros, as favelas, são territórios autónomos que vivem sob o absoluto comando do tráfego de drogas, onde crianças de dez e doze anos manejam metralhadoras de guerra como quem brinca com um carrinho de plástico. Dinheiro para brinquedos para as crianças pode não haver. Mas não falta para comprar qualquer tipo de armamento. Até lança mísseis já lá foram encontrados.

 

É o mundo cão.

 

No meio de tanta confusão quem não gosta de ouvir de uma desconhecida, numa voz doce e melodiosa: Alô, meu bem!

 

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Francisco Gomes de Amorim

 

 

Jornal “O Dia” – 12/05/99



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 06:55
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Segunda-feira, 12 de Setembro de 2016
BRASIL - O TRIUNFO DA ORDEM CONSTITUCIONAL

 

Dilma RUA

 

Não houve golpe, não!

 

O afastamento de Dilma da Presidência sem ruptura com a ordem constitucional vigente, não deve ser subestimado já que a máquina de poder do PT instalada em torno do Estado foi abrangente e meticulosa.

 

Uma vez afastada Dilma e dando cumprimento à ordem constitucional brasileira, cabe ao Vice-Presidente assumir a Presidência até ao final do mandato, em 31 de Dezembro de 2018. Michel Temer, importa recordar, foi o vice escolhido pela própria Dilma, que ainda em 2014 agradecia ao seu “companheiro de chapa e companheiro de todas as horas”.

 

Face à história política e constitucional do Brasil, a conclusão do processo de afastamento de Dilma Rousseff da Presidência do Brasil constitui um marco de grande relevância. De facto, o afastamento pacífico de Dilma, no estrito cumprimento das disposições constitucionais brasileiras, torna possível salvaguardar o Estado de Direito no Brasil e demonstra a robustez institucional do país. Essa robustez é particularmente louvável no actual difícil contexto económico, político e social que confronta o Brasil com vários importantes desafios.

 

O significado do afastamento de Dilma da Presidência sem ruptura com a ordem constitucional vigente não deve ser subestimado, já que a máquina de poder do PT instalada em torno do Estado foi abrangente, meticulosa e absorvente. Face a essa máquina, só o facto de o Brasil continuar a contar com algumas importantes instituições independentes e com uma vigorosa sociedade civil, possibilitou que o processo de impeachment de Dilma Rousseff pudesse decorrer de forma pacífica e ordeira.

 

Apesar de ter obtido apenas cerca de 14% dos votos nas eleições parlamentares de 2014, a base de poder do PT é bastante mais abrangente, assentando num complexo jogo de apoios, alianças e cumplicidades. Neste contexto, o controlo da Presidência é, obviamente, uma peça fundamental para o projecto de poder do PT e também por isso foi particularmente importante para o Brasil que tenha sido possível afastar Dilma Rousseff democraticamente e com pleno respeito pelo Estado de Direito e suas instituições.

 

Quando, há pouco mais de um ano atrás, perspectivei o Brasil à beira do abismo, referi que a esperança residia na vitalidade da sociedade civil brasileira. Uma vitalidade bem patente nas manifestações anti-governamentais e num vasto conjunto de organizações voluntárias da sociedade civil – como o Movimento Brasil Livre ou o Instituto Mises Brasil – com importante impacto educacional e mediático. O bem sucedido impeachment de Dilma é também fruto do notável trabalho e mobilização desses agentes e organizações em defesa da liberdade no Brasil.

 

É justo deixar aqui também uma nota sobre a posição tomada pelo Governo português nesta matéria. Os primeiros sinais apontam inequivocamente no sentido de que estão a prevalecer o bom senso e o sentido de Estado. O facto de a actual solução governativa estar dependente do apoio da extrema-esquerda portuguesa, torna ainda mais significativo que o Governo português tenha reafirmado a vontade de aprofundar as relações económicas e culturais entre os dois países, salientando também explicitamente o “cumprimento das disposições constitucionais brasileiras” na tomada de posse do Presidente Michel Temer.

 

Em suma, todos quantos reclamavam “não vai ter golpe”, podem e devem, se forem suficientemente esclarecidos e imparciais para o efeito, dar-se por satisfeitos: não houve golpe e triunfou a ordem constitucional no Brasil.

 

Resta agora esperar que a vitalidade institucional e da sociedade civil brasileira que propiciou este desfecho, possa também abrir caminho a um panorama político brasileiro novo com exigência acrescida para enfrentar os desafios do futuro.

 

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André Azevedo Alves

(Professor Doutor – Universidade de Aveiro)

 

in O POVO



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 08:21
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Sexta-feira, 9 de Setembro de 2016
IMPEACHMENT, JULGAMENTO, FARSA, ETC.

 

Dilma em Lisboa.png

 

Há tempo que não faço comentários à política, economia, segurança e outras áreas do Brasil... para que fazer?

 

O impeachment da madama dona presidenta foi um teatro de comédia. Comédia pobre, mal-educada, grosseira, podre, falsa. Mandaram a dona para casa, mas não lhe caçaram os direitos políticos o que foi uma violação à Constituição. Isso quer dizer que ela pode se candidatar novamente e voltar para onde estava, daqui a pouco mais de um ano. Brilhante, né?

 

Isto porque a grande maioria dos políticos – deputados, senadores e até juízes – preferem ficar em cima do muro, para o caso da senhora voltar eles continuarem a mamar na teta da res publica.

 

Entretanto assume o vice – o do “golpe”, que nem foi ele que deslanchou – e é obrigado a chamar para o governo indivíduos com um, dois ou dúzias de processos em tribunal. Porque? Porque precisa do cãogresso e sem o apoio dessa banditagem todos os projectos de acerto do país lhe serão negados e entraremos em super colapso. Em colapso já estamos.

 

Foi publicado há poucos meses um livro sobre o juiz Sérgio Moro (que muito recomendo, escrito por um professor universitário de direito, Luiz Scarpino) que tem conduzido com muita coragem e isenção o aplaudido processo “Lava Jato”, que já meteu na cadeia um monte de grandões de colarinho branco.

 

Até Maio ou Junho deste ano, foram expedidas largas centenas de mandados de prisão, preventiva ou temporária, de busca e apreensão e de condução coerciva, a presidentes das maiores empresas do país, e seus directores, a directores da Petrobrás, traficantes (doleiros), amigos do lula, lulinha e diliminha, ex ministros e toda uma canalha envolvida em desvios que se calcula atinjam a “montuêra” de largos bilhões de reais, roubados aos cofres públicos.

 

Infelizmente no Brasil há toda uma gangue – senadores, deputados, ministros e governadores, que usufrui de uma manobra escandalosa chamada de “foro privilegiado”, por eles criada, como é óbvio, que obriga a justiça a só poder processá-los junto ao Supremo Tribunal Federal, hoje entupido de processos, o que protela até, por vezes, à prescrição!

 

O presidente do Senado tem um monte de processos em juízo – corrupção, abuso de poder, lavagem de dinheiro e outras mil brincadeiras – e continua sendo uma das figuras mais importantes e influentes no quadro político do país, assim como uma imensidão de outros senadores e deputados.

 

Se hoje fosse possível meter essa turma toda na cadeia, o que significa algo em torno de quatrocentos indivíduos (!!!!!) vários problemas, graves, surgiriam:

- Primeiro não há cadeias que cheguem!

- Depois, tal como já refere o Dr. Luiz Scarpino no livro citado, e aconteceu na operação “Mane Pulite” na Itália contra a máfia, de repente o Brasil ficaria acéfalo, sem líderes (mesmo que se saiba que os de hoje são “piores que o Deus me livre”) o que permitiria o aparecimento de outra casta de malandros espertos (malandro e esperto é pleonasmo), como aconteceu na Itália com Berlusconi!

 

Como resultado estes processos contra a corja que se apropriou do país, têm que ir “piano, piano”, apesar de todos esperarmos que não leve tempo demais até que possam os bandidos se livrarem do cutelo da justiça.

 

Já tem muitos na cadeia, alguns com penas de 10, 15 e mais de 20 anos, e inclusive com multas que vão a vários milhões de cada um. Mas ainda é só o começo.

 

O que está agora na moda, e essa moda veio também da Itália, são as delações premiadas que, de acordo com a lei, prevê que pode beneficiar o acusado com:

- Diminuição da pena de 1/3 a 2/3;

- Cumprimento da pena em regime semiaberto;

- Extinção da pena;

- Perdão judicial.

 

E o povo fica estarrecido ao saber que um doleiro, implicado pela segunda vez em lavagem de dinheiro, e muitíssissimo dinheiro traficado entre a gangue do governo, depois de, na primeira vez há uns dez anos, ter jurado pela saúde da mamãe e dos filhinhos que ia portar-se direitinho, volta a ser apanhado neste processo “Lava Jato”, é condenado a 124 anos de cadeia, entra com a delação premiada e... passa 3 anos na cadeia (cadeia com quarto privativo, sala de almoço, tv, e o máximo de mordomias possível) e quando sair volta a ser um “grande senhor”, dono de milhões em paraísos fiscais, e, certamente vai continuar com o seu trabalhinho de comprar políticos e mandar dinheiro para fora!

 

É evidente que todos queremos acreditar na justiça, e que o povo torce por juízes como o Sérgio Moro ou Joaquim Barbosa, os aplaude e até gostaria de vê-los a comandar os destinos do Brasil.

 

Mas também sabemos que estes processos não só não acabam nunca e que mesmo uma pequena melhoria, leva anos a acontecer.

 

Se não se educar desde os primeiros momentos da vida de um indivíduo que a ÉTICA e a educação são o alicerce básico para se construir uma nação respeitável, prendem-se agora um monte de facínoras bilionários, mas no vácuo deixado outros tantos aparecerão.

 

A educação começa em casa e nos primeiros bancos da escola.

 

Em casa, onde o povo está habituado ao jeitinho, a ver milhões receberem propinas, na Petrobrás, institutos de Seguros de aposentadorias, nos hospitais, no Detran (para obter carta de condução mesmo sem fazer exame), em TODAS as obras públicas, federais, estaduais ou municipais, na polícia que é muitas vezes obrigada (ou voluntária) a negociar com os narcotraficantes, agora na organização das Olimpíadas com obras sobre facturadas e onde até o presidente do CO da Irlanda vendia, aqui no Brasil, ingressos igualmente super facturados, será em casa que os pais poderão ensinar os filhos a comportarem-se? Será que a maioria sabe o que é ética, ou quer que país deixe de ter o “jeitinho”?

 

Será que vão aprender nas escolas primárias e infantis onde a grande maioria vive um descalabro impressionante?

 

Só o tempo dirá.

 

A argumentação mais gasta é que aqui tudo é reminiscência do tempo colonial, dos portugueses! Ontem comemoraram-se 196 anos do “grito” do D. Pedro, quando o Brasil se livrou de Portugal.

 

Continua-se a roubar e a culpa é do Cabral!

 

08/09/2016

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Francisco Gomes de Amorim



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 08:04
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Quarta-feira, 31 de Agosto de 2016
JUCA PIRAMA X

Juca Pirama X.jpg

 

Um velho Timbira, coberto de glória,
Guardou a memória
Do moço guerreiro, do velho Tupi!
E à noite, nas tabas, se alguém duvidava
Do que ele contava,
Dizia prudente: - "Meninos, eu vi!
"Eu vi o brioso no largo terreiro
Cantar prisioneiro
Seu canto de morte, que nunca esqueci:
Valente, como era, chorou sem ter pejo;
Parece que o vejo,
Que o tenho nest’hora diante de mi.
"Eu disse comigo: Que infâmia d’escravo!
Pois não, era um bravo;
Valente e brioso, como ele, não vi!
E à fé que vos digo: parece-me encanto
Que quem chorou tanto,
Tivesse a coragem que tinha o Tupi!"
Assim o Timbira, coberto de glória,
Guardava a memória
Do moço guerreiro, do velho Tupi.
E à noite nas tabas, se alguém duvidava
Do que ele contava,
Tornava, prudente: "Meninos, eu vi!".

FIM

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António Gonçalves Dias

 



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 23:59
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JUCA PIRAMA - IX

Juca Pirama IX.jpg

 

 

Isto dizendo, o miserando velho
A quem Tupã tamanha dor, tal fado
Já nos confins da vida reservada,
Vai com trêmulo pé, com as mãos já frias
Da sua noite escura as densas trevas
Palpando. - Alarma! alarma! - O velho pára!
O grito que escutou é voz do filho,
Voz de guerra que ouviu já tantas vezes
Noutra quadra melhor. - Alarma! alarma!
- Esse momento só vale a pagar-lhe
Os tão compridos trances, as angústias,
Que o frio coração lhe atormentaram
De guerreiro e de pai: - vale, e de sobra.
Ele que em tanta dor se contivera,
Tomado pelo súbito contraste,
Desfaz-se agora em pranto copioso,
Que o exaurido coração remoça.
A taba se alborota, os golpes descem,
Gritos, imprecações profundas soam,
Emaranhada a multidão braveja,
Revolve-se, enovela-se confusa,
E mais revolta em mor furor se acende.
E os sons dos golpes que incessantes fervem,
Vozes, gemidos, estertor de morte
Vão longe pelas ermas serranias
Da humana tempestade propagando
Quantas vagas de povo enfurecido
Contra um rochedo vivo se quebravam.
Era ele, o Tupi; nem fora justo
Que a fama dos Tupis - o nome, a glória,
Aturado labor de tantos anos,
Derradeiro brasão da raça extinta,
De um jacto e por um só se aniquilasse.
- Basta! Clama o chefe dos Timbiras,
- Basta, guerreiro ilustre! Assaz lutaste,
E para o sacrifício é mister forças. -
O guerreiro parou, caiu nos braços
Do velho pai, que o cinge contra o peito,
Com lágrimas de júbilo bradando:
"Este, sim, que é meu filho muito amado!
"E pois que o acho enfim, qual sempre o tive,
"Corram livres as lágrimas que choro,
"Estas lágrimas, sim, que não desonram."
(cont.)

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António Gonçalves Dias


publicado por Henrique Salles da Fonseca às 23:48
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JUCA PIRAMA - VIII

Juca Pirama VIII.jpg

 

"Tu choraste em presença da morte?
Na presença de estranhos choraste?
Não descende o cobarde do forte;
Pois choraste, meu filho não és!
Possas tu, descendente maldito
De uma tribo de nobres guerreiros,
Implorando cruéis forasteiros,
Seres presa de via Aimorés.
"Possas tu, isolado na terra,
Sem arrimo e sem pátria vagando,
Rejeitado da morte na guerra,
Rejeitado dos homens na paz,
Ser das gentes o espectro execrado;
Não encontres amor nas mulheres,
Teus amigos, se amigos tiveres,
Tenham alma inconstante e falaz!
"Não encontres doçura no dia,
Nem as cores da aurora te ameiguem,
E entre as larvas da noite sombria
Nunca possas descanso gozar:
Não encontres um tronco, uma pedra,
Posta ao Sol, posta às chuvas e aos ventos,
Padecendo os maiores tormentos,
Onde possas a fronte pousar.
"Que a teus passos a relva se torre;
Murchem prados, a flor desfaleça,
E o regato que límpido corre,
Mais te acenda o vesano furor;
Suas águas depressa se tornem,
Ao contacto dos lábios sedentos,
Lago impuro de vermes nojentos,
Donde fujas com asco e terror!
"Sempre o céu, como um teto incendido,
Creste e punja teus membros malditos
E oceano de pó denegrido
Seja a terra ao ignavo tupi!
Miserável, faminto, sedento,
Manitôs lhe não falem nos sonhos,
E do horror os espectros medonhos
Traga sempre o cobarde após si.
"Um amigo não tenhas piedoso
Que o teu corpo na terra embalsame,
Pondo em vaso d’argila cuidoso
Arco e frecha e tacape a teus pés!
Sê maldito e sozinho na terra;
Pois que a tanta vileza chegaste,
Que em presença da morte choraste,
Tu, cobarde, meu filho não és."
(cont.)

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António Gonçalves Dias


publicado por Henrique Salles da Fonseca às 19:09
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JUCA PIRAMA - VII

Juca Pirama VII.jpg

 

"Por amor de um triste velho,
Que ao termo fatal já chega,
Vós, guerreiros, concedestes
A vida a um prisioneiro.
Acção tão nobre vos honra,
Nem tão alta cortesia
Vi eu jamais praticada
Entre os Tupis, - e mais foram
Senhores em gentileza.
-
"Eu porém nunca vencido,
Nem nos combates por armas,
Nem por nobreza nos actos;
Aqui venho, e o filho trago.
Vós o dizeis prisioneiro,
Seja assim como dizeis;
Mandai vir a lenha, o fogo,
A maça do sacrifício
E a muçurana ligeira:
Em tudo o rito se cumpra!
E quando eu for só na terra,
Certo acharei entre os vossos,
Que tão gentis se revelam,
Alguém que meus passos guie;
Alguém, que vendo o meu peito
Coberto de cicatrizes,
Tomando a vez de meu filho,
De haver-me por se ufane!"
Mas o chefe dos Timbiras,
Os sobrolhos encrespando,
Ao velho Tupi guerreiro
Responde com tôrvo acento:
- Nada farei do que dizes:
É teu filho imbele e fraco!
Aviltaria o triunfo
Da mais guerreira das tribos
Derramar seu ignóbil sangue:
Ele chorou de cobarde;
Nós outros, fortes Timbiras,
Só de heróis fazemos pasto.
-
Do velho Tupi guerreiro
A surda voz na garganta
Faz ouvir uns sons confusos,
Como os rugidos de um tigre,
Que pouco a pouco se assanha!
(cont.)

Gonçalves Dias.jpg

António Gonçalves Dias


publicado por Henrique Salles da Fonseca às 18:48
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JUCA PIRAMA - VI

 

Juca Pirama IV.jpg

 

- Filho meu, onde estás?
- Ao vosso lado;
Aqui vos trago provisões; tomai-as,
As vossas forças restaurai perdidas,
E a caminho, e já!
- Tardaste muito!
Não era nado o Sol quando partiste,
E frouxo o seu calor já sinto agora!
- Sim, demorei-me a divagar sem rumo,
Perdi-me nestas matas intrincadas,
Reaviei-me e tornei; mas urge o tempo;
Convém partir e já!
- Que novos males
Nos resta de sofrer? - que novas dores,
Que outro fado pior Tupã nos guarda?
- As setas da aflição já se esgotaram,
Nem para novo golpe espaço intacto
Em nossos corpos resta.
- Mas tu tremes!
- Talvez do afã da caça....
- Oh filho caro!
Um quê misterioso aqui me fala,
Aqui no coração; piedosa fraude
Será por certo, que não mentes nunca!
Não conheces temor, e agora temes?
Vejo e sei: é Tupã que nos aflige,
E contra o seu querer não valem brios.
Partamos!...
E com mão trémula, incerta
Procura o filho, tacteando as trevas
Da sua noite lúgubre e medonha.
Sentindo o acre odor das frescas tintas,
Uma ideia fatal ocorreu-lhe à mente...
Do filho os membros gélidos apalpa,
E a dolorosa maciez das plumas
Conhece estremecendo: - foge, volta,
Encontra sob as mãos o duro crânio,
Despido então do natural ornato!...
Recua aflito e pávido, cobrindo
Às mãos ambas os olhos fulminados,
Como que teme ainda o triste velho
De ver, não mais cruel, porém mais clara,
Daquele exício grande a imagem viva
Ante os olhos do corpo afigurada.
Não era que a verdade conhecesse
Inteira e tão cruel qual tinha sido;
Mas que funesto azar correra o filho,
Ele o via; ele o tinha ali presente;
E era de repetir-se a cada instante.
A dor passada, a previsão futura
E o presente tão negro, ali os tinha;
Ali no coração se concentrava,
Era num ponto só, mas era a morte!
- Tu prisioneiro, tu?
- Vós o dissestes.
- Dos índios?
- Sim.
- De que nação?
- Timbiras.
- E a muçurana funeral rompeste,
Dos falsos manitôs quebrastes maça...
- Nada fiz... aqui estou.
- Nada! -
Emudecem;
Curto instante depois prossegue o velho:
- Tu és valente, bem o sei; confessa,
Fizeste-o, certo, ou já não fôras vivo!
- Nada fiz; mas souberam da existência
De um pobre velho, que em mim só vivia....
- E depois?...
- Eis-me aqui.
- Onde fica essa taba?
- Na direção do Sol, quando transmonta.
- Longe?
- Não muito.
- Tens razão: partamos.
- E quereis ir?...
- Na direção do acaso.
(cont.)

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António Gonçalves Dias


publicado por Henrique Salles da Fonseca às 12:51
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JUCA PIRAMA - V

 

Juca Pirama V.png 

 

Soltai-o! - diz o chefe. Pasma a turba;
Os guerreiros murmuram: mal ouviram,
Nem pode nunca um chefe dar tal ordem!
Brada segunda vez com voz mais alta,
Afrouxam-se as prisões, a embira cede,
A custo, sim; mas cede: o estranho é salvo.
-
Timbira, diz o índio enternecido,
Solto apenas dos nós que o seguravam:
És um guerreiro ilustre, um grande chefe,
Tu que assim do meu mal te comoveste,
Nem sofres que, transposta a natureza,
Com olhos onde a luz já não cintila,
Chore a morte do filho o pai cansado,
Que somente por seu na voz conhece.
- És livre; parte.
- E voltarei.
- Debalde.
- Sim, voltarei, morto meu pai.
- Não voltes!
É bem feliz, se existe, em que não veja,
Que filho tem, qual chora: és livre; parte!
- Acaso tu supões que me acobardo,
Que receio morrer?
- És livre; parte!
- Ora não partirei; quero provar-te
Que um filho dos Tupis vive com honra,
E com honra maior, se acaso o vencem,
Da morte o passo glorioso afronta.
-
- Mentiste, que um Tupi não chora nunca,
E tu choraste!... parte; não queremos
Com carne vil enfraquecer os fortes.
-
Sobresteve o Tupi: - arfando em ondas
O rebater do coração se ouvia
Precípite. - Do rosto afogueado
Gélidas bagas de suor corriam:
Talvez que o assaltava um pensamento...
Já não... que na enlutada fantasia,
Um pesar, um martírio ao mesmo tempo,
Do velho pai a moribunda imagem
Quase bradar-lhe ouvia: - Ingrato! Ingrato!
Curvado o colo, taciturno e frio.
Espectro d’homem, penetrou no bosque!
(cont.)

Gonçalves Dias.jpg

António Gonçalves Dias


publicado por Henrique Salles da Fonseca às 12:23
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JUCA PIRAMA - IV

Juca Pirama IV.jpg

 

Meu canto de morte,
Guerreiros, ouvi:
Sou filho das selvas,
Nas selvas cresci;
Guerreiros, descendo
Da tribo tupi.

-
Da tribo pujante,
Que agora anda errante
Por fado inconstante,
Guerreiros, nasci;
Sou bravo, sou forte,
Sou filho do Norte;
Meu canto de morte,
Guerreiros, ouvi.
-
Já vi cruas brigas,
De tribos imigas,
E as duras fadigas
Da guerra provei;
Nas ondas mendaces
Senti pelas faces
Os silvos fugaces
Dos ventos que amei.
-
Andei longes terras
Lidei cruas guerras,
Vaguei pelas serras
Dos vis Aimoréis;
Vi lutas de bravos,
Vi fortes - escravos!
De estranhos ignavos
Calcados aos pés.
-
E os campos talados,
E os arcos quebrados,
E os piagas coitados
Já sem maracás;
E os meigos cantores,
Servindo a senhores,
Que vinham traidores,
Com mostras de paz.
-
Aos golpes do imigo,
Meu último amigo,
Sem lar, sem abrigo
Caiu junto a mi!
Com plácido rosto,
Sereno e composto,
O acerbo desgosto
Comigo sofri.
-
Meu pai a meu lado
Já cego e quebrado,
De penas ralado,
Firmava-se em mi:
Nós ambos, mesquinhos,
Por ínvios caminhos,
Cobertos d’espinhos
Chegamos aqui!
-
O velho no entanto
Sofrendo já tanto
De fome e quebranto,
Só qu’ria morrer!
Não mais me contenho,
Nas matas me embrenho,
Das frechas que tenho
Me quero valer.
-
Então, forasteiro,
Caí prisioneiro
De um troço guerreiro
Com que me encontrei:
O cru dessossêgo
Do pai fraco e cego,
Enquanto não chego
Qual seja, - dizei!
-
Eu era o seu guia
Na noite sombria,
A só alegria
Que Deus lhe deixou:
Em mim se apoiava,
Em mim se firmava,
Em mim descansava,
Que filho lhe sou.
-
Ao velho coitado
De penas ralado,
Já cego e quebrado,
Que resta? - Morrer.
Enquanto descreve
O giro tão breve
Da vida que teve,
Deixai-me viver!
-
Não vil, não ignavo,
Mas forte, mas bravo,
Serei vosso escravo:
Aqui virei ter.
Guerreiros, não coro
Do pranto que choro:
Se a vida deploro,
Também sei morrer.
(cont.)

Gonçalves Dias.jpg

António Gonçalves Dias

 



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 11:55
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