Quarta-feira, 28 de Dezembro de 2016
“O ISLÃO É INCOMPATÍVEL COM A DEMOCRACIA OCIDENTAL”

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MUÇULMANOS PODEM SER DEMOCRATAS - O ISLÃO NÃO

 

O cientista e politólogo Hamed Abdel-Samad constata que “o Islão é incompatível com a democracia, muçulmanos podem muito bem ser democratas… são democratas não por serem muçulmanos mas apesar de serem muçulmanos” (HNA 11.11.2016).

 

Muçulmanos e não muçulmanos defensores de uma modernização do islão na Europa, declaram-se fracassados e impotentes nos seus esforços de implementação de um islão mais democrático e aberto, dado a política europeia favorecer um islão de lenço e não apoiar as pessoas defensoras da modernização do islão nem um laicismo islâmico.

 

O cientista muçulmano Prof. Dr. Bassan-Tibi que sempre lutou por um islão filantrópico, democrático e humanista na Europa, vê tal intento frustrado, numa entrevista ao Cícero. Também segundo ele, muçulmanos liberais não são tomados a sério pelas instituições sociais nem são convidados pelas instituições públicas; convidados são os representantes tradicionalistas de organizações muçulmanas e mesquitas. Geralmente, em torno das mesquitas formam-se associações de utilidade pública que fomentam o gueto.

 

Abdel-Samad critica a vigente cultura de debate social que evita ou impede de falar a quem analisa objectivamente as coisas e fala texto claro e, por outro lado, concede palco a quem ideologiza e tudo isto em nome da tolerância que se baseia no medo de uma análise científica do assunto e, como tal se evita, com o pretexto de que uma discussão aberta e livre poderia fomentar a xenofobia. Com medo de encarar a realidade como ela é, prefere-se viver de diálogos oportunos para fazer salão e para alguns, mas que não tocam o âmago das questões e deste modo não servem também o islão.

 

Os nossos políticos estão interessados em que não haja uma discussão aberta sobre o assunto porque por um lado perderiam adeptos islâmicos e eleitores não islâmicos e triam de tomar mais medidas em favor da integração. Esta é uma questão muito complicada devido aos muitos interesses em jogo, sejam eles de assunto partidário e política ou de interesses profissionais como é o caso de assistentes sociais, advogados, médicos, professores, indústria e todo o comércio.

 

O islamismo considera a mulher como despojo nas suas conquistas e permite aos homens bater nas suas mulheres ou considerá-las como objecto sexual e como “sementes de colheita” (Corão), diz Abdel-Samad, defensor de um islão moderno.

 

Muito da nossa boa gente e até intelectuais preferem viver de ideias de um conhecimento superficial do islão para poderem aparecer nos palcos públicos (vivendo da ideia errónea de que as religiões defendem todas o mesmo), não notando que assim estão a apoiar o radicalismo islâmico e a impedir a formação de um islão moderno.

 

“O Corão protocola diferentes estádios ou condições em que Maomé e a sua comunidade se encontravam. Quando se sentia fraco e oprimido pregava a tolerância e o perdão e quando formou um exército com a comunidade, entrou em conflito com povos politeístas, judeus e cristãos, então são protocoladas no Corão as passagens de exclusão (xenofobia) e de ódio”, atesta Abdel-Samad. Uma vez que o Corão é visto como a última palavra de Deus imutável e intangível torna-se difícil pronunciar-se, sendo lógica a contradição e a ambiguidade do esmo Corão. “O Corão ordena aos muçulmanos que não façam amizade com cristãos nem com judeus porque são piores que animais e são impuros”; isto contradiz a dignidade e a igualdade; revela-se como uma boa estratégia porque o contacto poderia levá-los a comparar e a pensar mais diferenciadamente. Em geral, como nos Testemunhas de Jeová, o contacto inter-familiar de muçulmanos e cristãos não é desejado, a não ser no trabalho e com representantes.

 

Na crítica que se faz é determinante distinguir-se entre pessoa e ideologia. Uma coisa é o islão e outra coisa são os muçulmanos. Estes não devem ser abordados com preconceitos nem devem ser excluídos.

 

Uma pesquisa feita na Alemanha em 2015 revela que 57% dos residentes na Alemanha vêem o islão como ameaçador e 61% dizem que ele não se enquadra na democracia e dois terços rejeitam a afirmação de que o islão faz parte da Alemanha.

 

Muitos crentes fazem guerra fora e dentro: em nome da liberdade religiosa, exigem direitos especiais (acabar com a carne de porco nas escolas, pôr salas de oração à sua disposição, libertar as meninas de aulas de natação, de viagens de estudo, etc. e evitar gestos de cortesia, como apertar a mão a mulheres; estas são consideradas impuras no tempo da menstruação.

 

Em democracia é natural que os grupos de interesse se juntem para defenderem os seus interesses; a democracia, porém deveria estar mais atenta a quem se serve dela para impor costumes e leis antidemocráticas. Na Alemanha cada vez se sofre mais com a ligação do chauvinismo nacional turco promovido e controlado pelo governo turco que envia os seus funcionários para dirigir as mesquitas e por grandes organizações turcas numa Alemanha com 4 milhões de turcos que apoiam maioritariamente o regime fascista de Erdogan.

 

António Justo.jpg

António da Cunha Duarte Justo



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 14:53
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5 comentários:
De Henrique Salles da Fonseca a 28 de Dezembro de 2016 às 20:45
Mário R R Faria - Eu diria que o Islão tem de se readaptar aos tempos modernos. E se isso incluir uma releitura do Corão, que seja. Aliás isso já aconteceu por diversas vezes no Cristianismo e até no Judaísmo.


De Henrique Salles da Fonseca a 28 de Dezembro de 2016 às 23:11
Henrique Salles da Fonseca - O wahabismo, financiado pela Arábia Saudita, condena à morte quem faça a exegese dos textos sagrados.

Mário R R Faria - É provável. Mas o wahabismo não é o islão. É apenas uma de muitas correntes do islão. Já houve várias como sabemos.

Henrique Salles da Fonseca - Mário R R Faria - sim, é a corrente mais radical mas, logo para azar da Humanidade, é a financiada pelos petrodólares sauditas. Enquanto houver petrodólares...

Mário R R Faria - E enquanto a vontade dos restantes muçulmanos não for suficientemente forte para mudar o que tem de ser mudado, nada feito.


De Henrique Salles da Fonseca a 28 de Dezembro de 2016 às 20:46
Miguel Tavora e Gonçalo d'Avila E Castro gostam disto


De Henrique Salles da Fonseca a 28 de Dezembro de 2016 às 23:13
Sérgio Rodrigues Salgado - No caso do Judaísmo o rigorismo da Torah foi suavizado pela interpretação simbólica da Lei feita pelo ramo hilellita do Fariseismo no Talmude. Mas tenho dúvida de de uma evolução semelhante no Islão.

No reino alauita de Marroco ainda que o novo Codigo de Família (Mudawana) melhorou muitas coisas, uma muçulmana não se pode casar cum não muçulmano mas um muçulmano se pode casar cuma judea ou cristã e isso que o Islão marroquino é light


De Henrique Salles da Fonseca a 28 de Dezembro de 2016 às 23:14
Moisés Gil gosta disto


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