Quarta-feira, 5 de Outubro de 2016
O FORTE DE PENICHE E A VERDADE HISTÓRICA

 

Forte de Peniche.jpg

 

 

A polémica àcerca da concessão deste forte para um empreendimento turístico levou-me a este comentário dadas algumas confusões que parece haver quanto ao seu valor como monumento histórico relacionado com as lutas anti-salazarismo.

 

Como as lutas salazaristas eram sobretudo contra os comunistas que durante o período do Governo de Espanha ser por eles controlado, além de serem conhecidas as perseguições ali verificadas contra particularmente a religião católica e as que na União Soviética aconteceram para ser possível lá instalar o comunismo, um tal monumento que se realizasse no Forte de Peniche seria também de homenagem ao comunismo.

 

O que obviamente quem for a favor da liberdade em Portugal não poderá estar de acordo.

 

Ainda por cima recordo-me de ter ouvido nos círculos de anti-salazaristas, em que eu participava e não eram comunistas, a versão de que a fuga tinha sido muito apreciada por Salazar pois constava este ter a opinião de que Cunhal nunca deveria passar a ser um mártir e o ideal seria ele viver fora de Portugal.

 

Parece pois que a História precisa de ser bem contada…para que se possa ficar a saber a verdade!

 

Lisboa, 4 de Outubro de 2016

Eng. J.C. Gonçalves Viana

José Carlos Gonçalves Viana



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 08:34
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Terça-feira, 4 de Outubro de 2016
ESTÁ COM TOSSE?

Inês, Pedro e....jpg

 

 

Eis como D. Pedro I tirou a Tosse ao escudeiro Afonso Madeira que ele muito amava «mais do que se deve aqui dizer...». Nunca fiando...


Embora havendo três filhos do seu segundo casamento e tendo vivido uma relação intensa com Inês de Castro, com quem também houve descendência, acerca do temperamento deste soberano, o cronista Fernão Lopes dedicou um capítulo que intitulou "Como El-Rei mandou capar um seu escudeiro porque dormia com uma mulher casada", permitindo entrever que o gesto teria sido motivado por ciúmes do monarca por seu escudeiro, de nome Afonso Madeira.

 

Madeira é descrito como um grande cavalgador, caçador, lutador e ágil acrobata, e regista: "Pelas suas qualidades, El-Rei amava-o muito e fazia-lhe generosas mercês."

 

O escudeiro, entretanto, apaixonou-se por Catarina Tosse, esposa do Corregedor, descrita como "briosa, louçã e muito elegante, de graciosas prendas e boa sociedade". Para se aproximar dela, Madeira fez-se amigo do Corregedor, seduzindo-a e consumando a traição.

 

O soberano, entretanto, tudo descobriu e não perdoou Madeira, castigando-o brutalmente. O cronista insiste no afecto do soberano, referindo enigmaticamente: "Como quer que o Rei muito amasse o escudeiro, mais do que se deve aqui dizer (...)", mas regista que D. Pedro mandou "cortar-lhe aqueles membros que os homens em maior apreço têm". O escudeiro recebeu assistência e sobreviveu, mas "engrossou nas pernas e no corpo e viveu alguns anos com o rosto engelhado e sem barba".

 

FGA-2OUT15.jpg

Francisco Gomes de Amorim



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 18:37
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Sexta-feira, 23 de Setembro de 2016
LIDO COM INTERESSE – 68

Maimónides.jpg

 

Título – O MÉDICO DE CÓRDOVA

 

Autor – Herbert le Porrier

 

Tradutora – Clara Alvarez

 

Editora – Bizâncio

 

Edição – 5ª, Junho de 2016

 

O médico judeu Moisés Ben-Maimon, conhecido no Ocidente por Maimónides, nasceu em Córdova em 1135 e morreu aos 69 anos no Cairo, corria o ano de 1204, depois de a errância o ter levado – com o pai e o irmão – a Fez e à Palestina.

 

Nesta história, cujo narrador é o próprio Maimónides, o autor confessa que, consultados os documentos históricos, foi fiel ao espírito mas não à letra produzindo uma obra de divulgação histórica de muito fácil leitura. Admito que o trabalho tenha partido de um amontoado de informação bruta que o vulgar leitor (eu, por exemplo) se recusaria a folhear e a ler sequer por alto.

 

Para além do pai do nosso personagem central, o rabi Maimon, ficamos a saber coisas interessantes sobre o muçulmano Averróis (Ibn-Rushd) muito pouco ou mesmo nada religioso que Maimónides sempre teve na mais alta consideração e que tomou por mestre desde os 12 anos, sobre o muçulmano de origem berbere (?) nascido em Algeciras de seu nome Al-Hajib al-Mansur por cá conhecido por Almançor que se gabava de ser analfabeto e sobre o curdo Saladino (Salah-al Din Yusuf) que ao conquistar o Egipto se «agarrou» ao nosso herói para dele beber o máximo de cultura.

 

Portanto, com excepção do bruto conquistador almóada da Península, todos eram personalidades da mais elevada cultura. E como nesta história não dá para distinguir com exactidão onde acaba a realidade comprovável pelos estudiosos para começar a imaginação do autor, tudo se enquadra na plausibilidade do que temos como verídico no âmbito do confronto das Civilizações, i. e., das Religiões, ao nível do esmero cultural de cada uma dessas personagens.

 

Trechos que chamaram a minha atenção:

 

Não eras, como eu, educado de pais para filhos para enfrentar a adversidade; não pertencias ao meu povo que nunca deixou extinguir o pavio da esperança no auge da tempestade, no mais escuro da noite. Há mais de doze séculos que temos um encontro capital marcado a que não podemos faltar: no ano que vem, em Jerusalém. (...) Terás certamente notado que nunca invoquei Deus. Ele terá a sua hora. Tem-nas todas. (pág. 13)

[No âmbito da Civilização] quando o fio carnal tinha interrupções, no vínculo do espírito não havia hiatos. (pág. 99)

Um judeu a fingir que é muçulmano para salvar a pele? Mais vale um cão vivo que um leão morto. Os Árabes são senhores da forma e nada distingue, à primeira vista, uma forma vazia de uma forma cheia. Que nos pedem? Que digamos que Alá é grande e que Maomé é o seu Profeta. (...) tudo é permitido desde que não nos deixemos apanhar. (...) cada um é livre de se empenhar à sua maneira no caminho da salvação. (pág. 121)

Para além de ter cortado a cabeça ao responsável máximo da Universidade de Córdova, Almançor mandou queimar a biblioteca num alegre auto-de-fé para gáudio da populaça, ou seja, dos que não tinham [tido] acesso à festa, [para] o prazer daqueles que o prazer [da cultura] havia excluído. (pág. 130)

A constante da nossa herança [judaica] era o hábito do provisório. O exílio não deveria constituir excepção. (pág. 143)

O que é um povo?, interrogava-se o meu pai. São muitos homens que se alimentam do mesmo reservatório de língua e de cultura, que se submetem sem esforço a um complexo de tradições idênticas, que se reclamam duma história comum e dum futuro convergente. (pág. 161)

Averróis descurava o rito da oração. Encontrava-se preso na contradição irredutível entre o peripatetismo e o dogma corânico, principalmente no que respeitava ao conceito da criação. – Que Deus tivesse feito o mundo a partir do nada, era inconcebível para um espírito humano pois nada pode nascer do nada, como nenhuma quantidade pode estar contida no nada, a menos que desviemos a noção de nada do seu significado essencial. (...) Ao que Maimónides respondeu que não convinha tomar à letra a palavra revelada e que havia que a aceitar como pura alegoria. (pág. 164 e seg.)

Que idiotas são os que nos atacam por errarmos pelo mundo. (...) faço questão de me afastar do seu caminho pois nunca ninguém convenceu um idiota da sua idiotice. (pág. 197)

 

Estas, algumas das «coisas» que despertaram o meu interesse. Muitas outras passagens, quiçá mais importantes, ficam à disposição do futuro leitor desta curiosa obra. A não perder.

 

Setembro de 2016

 

Henrique Salles da Fonseca, Delhi.JPG

Henrique Salles da Fonseca



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 07:35
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Quinta-feira, 22 de Setembro de 2016
MAIS UM LUSODESCENDENTE

 

 OS PORTUGUESES NO MUNDO

 

“Em todas as partes do mundo por onde andei, ao ver uma ponte perguntei quem a tinha feito, respondiam «os portugueses»; ao ver uma estrada fazia a mesma pergunta e respondiam: «os portugueses». Ao ver uma igreja ou uma fortaleza, sempre a mesma resposta: «portugueses, portugueses, portugueses».

Desejava pois que, da acção francesa em Marrocos, daqui a séculos, fosse possível dizer o mesmo dos franceses...”

Marechal Lyautey.png

Marechal Lyautey*

In http://lusosucessos.blogspot.com/

 

*Louis Hubert Gonzalves Lyautey (17 Novembre 1854 à Nancy - 27 Juillet 1934 à Thorey) est un militaire français, officier pendant les guerres coloniales, Résident Général au Protectorat français du Maroc en 1912, Ministre de la Guerre lors de la Première Guerre Mondiale, puis Maréchal de France en 1921, académicien et Président d'honneur des Scouts de France. Sa devise, empruntée au poète anglais Percy Bysshe Shelley, est restée célèbre : «La joie de l'âme est dans l'action».

(Wikipédia)



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 06:25
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Quarta-feira, 3 de Agosto de 2016
HERANÇA

 

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Fazenda Invernada de 1822 (em reforma) Morro Agudo-SP

Fonte: Informativo (Jornal da Carol) 2005

 

É triste ver cidades com séculos de existência destruírem o seu património histórico-arquitectónico em nome do tão sonhado progresso. Derrubada de casarões e de edifícios de época é feita da noite para o dia, sem a menor consciência. Que desenvolvimento é esse que apaga da sua história as marcas e caminhos percorridos por seus antepassados? Como exigir dos cidadãos de agora amor e respeito ao solo que os viu nascer se eles não têm referencias e exemplos a seguir? Como desenvolver sentimentos de identidade, pertença e orgulho, se eles não conhecem suas raízes, passado, lutas e conquistas! Como formar indivíduos briosos e valentes se eles não sabem de quem provêm, de onde vêm e para onde vão? Como poderão avaliar a força do gene que cada um traz em si e que foi capaz de mobilizar gerações a ir atrás do sonho?

 

É na sequência de gerações que o caminho se faz e se aprimora. É nas marcas deixadas por elas que o orgulho de pertença aparece. É na herança que o passado nos deixa que o futuro se assenta e o progresso acontece.

 

A história interiorana é tão rica quanto seu solo. Nele se achou ouro, diamantes, pedras preciosas. Plantou-se e criou-se gado. Gente aventureira, desbravadora e destemida se instalou em seu território, fez coisas boas e más, aos trancos e barrancos, acertando e errando, trouxe progresso.

 

Longe do Poder Central e da civilização, os portugueses, depois de lutas, mortes e expulsões, conquistaram a região. Abriram com a ajuda dos índios aculturados picadas e caminhos, vararam rios e florestas, fundaram arraias e vilas, destruíram tribos e quilombos. Ganharam sesmarias, compraram e se apossaram de terras, fizeram grandes fazendas onde desenvolveram latifúndios que, com ajuda do escravo e do caboclo, mais tarde dominaram a política do interior brasileiro.

 

Há quase duzentos anos, uma das famílias que marcou esse espaço fundou em Morro Agudo, na margem esquerda do Ribeirão do Carmo, a Fazenda Invernada.

 

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Fazenda Invernada (de 1864) Morro Agudo-PS

Fonte: Informativo (Jornal da Carol) Maio/2005

 

A ideia inicial do Tenente Francisco António Junqueira, do seu irmão João Francisco e do seu cunhado, o alferes João José de Carvalho, era pousar para invernar, mas gostaram tanto do local que ficaram e construíram uma fazenda que subsiste até os nossos tempos. Nela Francisco António estabeleceu-se definitivamente, criou seus 21 filhos (dos quais sobreviveram sete), criou gado e produziu queijos para a venda. Um dos seus filhos, Francisco Marcolino Diniz Junqueira, herdeiro que ficou com a Fazenda Invernada, se tornou um grande produtor de bovinos, porcos, muares e cavalos.

 

Cavalo Mangalarga.png

 

Foi dessa geração que saíram os protótipos dos Mangalarga, orgulho da raça equina do interior. Nestes quase 200 anos de gerações da família, o património cresceu e o conjunto arquitetónico da fazenda (casa grande, senzala, dependências de serviço,...) foi preservado (1822/1864) e reformado para orgulho da Família Junqueira de Morro Agudo SP.

 

Uberaba, 28/07/16

Maria Eduarda Fagundes

Maria Eduarda Fagundes

 

Fonte dos dados:

Jornal da Carol (Maio/2005)



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 17:37
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Domingo, 31 de Julho de 2016
ET POUR CAUSE...

 

BATALHA DE OURIQUE.jpg

 

Ao período da História europeia compreendido entre a queda do Império Romano do Ocidente vulgarmente conhecida por «queda de Roma» em 476 d.C. e a queda do Império Romano do Oriente vulgarmente conhecida por «queda de Constantinopla» em 1453 d.C. chama-se Idade Média.

 

E chamou-se-lhe Média porque se situa entre a Idade Antiga, a que decorreu desde a invenção da escrita até 476 d.C. e a Idade Moderna que vai de 1453 até à Revolução Francesa, em 14 de Julho de 1789.

 

Feitas as contas, a Idade Média durou 1313 anos, o que foi suficiente para que muita coisa tenha acontecido no seu decurso…

 

E aconteceram muitas coisas ainda hoje tão importantes como a formatação política que com adaptações desenhou a Europa actual. Por exemplo, a constituição de Portugal com as fronteiras que hoje globalmente1 prevalecem.

 

A componente militar foi determinante em toda a construção europeia e essa a razão pela qual hoje é tão difícil reunir sob um único comando as Forças Armadas que durante séculos se guerrearam entre si.

 

  • Um Batalhão português sob comando espanhol? Só se for para ensaiar a repetição da Batalha de Aljubarrota ou da Guerra da Restauração.

  • Uma unidade militar francesa com tecnologia de ponta sob comando alemão? Só se for para um remake conclusivo de Verdun.

  • Uma Companhia de Fuzileiros inglesa sob comando dinamarquês? Só se for para expiação da alma de Hamlet.

 

E como foi a Europa construida?

 

Pois bem, com diversos modos mais ou menos violentos:

 

- Algaras – incursões militares em território inimigo como manifestação de poder (todas as que os cristãos faziam em território mouro e vice-versa);

 

- Bafordos – torneios em substituição de batalhas sob a égide de autoridades religiosas que arbitravam e confirmavam os resultados (foi no bafordo do Vale do Vez que os portugueses venceram os leoneses e castelhanos assim confirmando a determinação política da independência de Portugal; também, uma vitória do Arcebispo de Braga, D. João Peculiar, contra o Arcebispo Gelmirez de Santiago de Compostela);

 

- Fossados – acções militares com saque mas sem intenção de conquista territorial, apenas com o objectivo de reforçar a fortuna dos atacantes (foi na sequência de um fossado que D. Afonso Henriques fez a Sevilha que se deu a batalha de Ourique em que os perseguidores foram derrotados);

 

- Presúrias – acções militares com saque e conquista territorial (todas as da reconquista cristã da Península Ibérica).

 

Et pour cause… de quando o Islão ameaça de novo Portugal e Espanha.

 

Julho de 2016

 

Henrique Salles da Fonseca, Delhi.JPG

Henrique Salles da Fonseca

(na grande mesquita de Delhi, Janeiro de 2008)

 

1 - Excepção à usurpação espanhola de Olivença desde 1801



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 17:39
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Quinta-feira, 28 de Julho de 2016
BATALHA DE OURIQUE

BATALHA DE OURIQUE.jpg

 

Tinha D. Afonso Henriques ido a Sevilha fazer um fossado de que haviam resultado avultadas prebendas quando viu que estava a ser perseguido por importante grupo dos que ele prejudicara dias antes e que queriam reaver os bens que lhes tinham pertencido.


Como era costume nessas épocas, os guerreiros faziam-se acompanhar de mulheres, crianças e criados.

 

D. Afonso Henriques decidiu então esperá-los em campo aberto, vazio (significado de «ourique») e fazer-lhes frente em local tão inesperado pelos mouros.


Não esperando pelo combate em local tão vazio e sem defesas, os mouros foram apanhados desprevenidos e vencidos.

 

D. Afonso Henriques manteve as prebendas que fossara em Sevilha, ficou com as mulheres dos mouros que morreram no combate, filhos e criados e seguiu caminho em direcção a Coimbra.


Só que dentre os cativos, dizia-se haver muitos mossárabes e o clero de Coimbra veio-lhe ao caminho exigindo a D. Afonso Henriques que libertasse de imediato esses cativos cristãos.


Parece que sim, que foram libertados mas é conveniente consultar fontes históricas mais eruditas que a minha para saber como decorreu o episódio até à calmaria que se lhe seguiria…

 

Henrique em Marrakesh.jpg

Henrique Salles da Fonseca

(em Marrakesh, terra moura)



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 08:56
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Terça-feira, 5 de Julho de 2016
MOÇAMBIQUE

 

 A MOEDA

 

Moçambique dependeu, durante muitos anos da administração de Goa, correndo na Colónia praticamente só as moedas de Goa e de Portugal.


Em 1646 o Conselho de Fazenda mandou cunhar em Goa, com o peso de patacões, aproveitando a prata que vinha do Japão e dos holandeses, mas parece que não subsistem quaisquer dessas moedas.


D. João V, 1725, autorizou o lavramento de 8.000 cruzados em bazarucos (antiga moeda da Índia) em cobre: a primeira de D. João V, 1725, a seguir D. Maria I, 1801 e D. Pedro IV, 1828:

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Em 1752, com D. José, Moçambique consegue emancipar-se de Goa e são lavradas em Lisboa, na Casa da Moeda, moedas de ouro de 4.000, 2.000 e 1.000 réis, em prata de 800, 400, 200 e 100 réis.


Estas moedas estavam já na Casa da Índia, em Lisboa, para serem enviadas ao seu destino quando o terramoto de 1755 que destruiu o edifício, sepultou tudo nas ruínas. Quando do desaterro verificou-se que a maioria das moedas estavam inutilizadas. Devolveu-se tudo à Casa da Moeda para se limparem as que estivessem em condições e lavrar de novo as que se encontrassem incapazes.

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As primeiras 3 carreiras são de D. João V, as estantes de D. José

 

Mais tarde D. Maria I emite novas moedas e até umas barrinhas com o ouro de Rios de Sena e patacas feitas de prata. (Nr. 1 a 5 da figura abaixo)

 

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As duas do topo são de D. José, as outras de D. Maria II

que mandou também fazer as barrinhas – linha 2 e 3

 

As barrinhas são paralelogramos de 2,5 x 1,2 x 0,3 cm. Na face um M de Moçambique e no verso 2 ½ meticais, pesando 288 grãos e valia 26.500 réis.


Em 1840 lavraram-se em Lisboa 10.000 moedas de 80 réis, 20.000 de 40 e 40.000 de 20; e em 1853 outras de valores de 20, 10 e 5 reis e de II e I réis, expressamente para Moçambique.


Sempre em penúria de pecúnia estavam as colónias autorizadas a deixar circular moedas de vários países, desde a Áustria, Espanha e suas colónias, Brasil, Índia e Inglaterra em 1888, para estas poderem circular foram marcadas com “PM coroado” ou só “PM”.

 

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Pataca da Arquiduquesa da Áustria – 1780

(com a contramarca na testa!)

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Pataca – 8 Reales – Carlos III – Peru - 1762

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Barrinha e Rupia da Índia

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Pataca – Carlos III – Guatemala - 1754

Em1894 a Companhia do Niassa – uma das famosas “companhias majestáticas” – sempre com falta de dinheiro para os seus negócios, mandou cunhar em Londres moedas de cobre de 10 e 20 réis. O Governo, sabedor do caso, apreendeu a emissão e mandou que a Casa da Moeda fundisse o cobre!


Depois de 1853 a Colónia não volta a ter moeda própria até 1935, quando aparecem as novas moedas, com valores em escudos desde 10$00 até $10, num montante de 16.850 contos, 16.850.000$00. As de 10$, 5$ e 2$50 de prata, 1$ e 1$50 de cupro-níquel e $20 e $10 de cobre.

 

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Revista “MOÇAMBIQUE” – Relatório Trimestral – Nr. 47, 28, 50 e 52 – Setembro a Dezembro de 1947

 

Um belo dia, o governo da Metrópole “acordou” e tirou a palavra Colónia! Mas continuou a fazer algumas moedas de prata que algum tempo depois valiam bem mais do que o valor facial!

 

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Junho 2016

 

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Francisco Gomes de Amorim



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 17:20
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Sexta-feira, 1 de Julho de 2016
NACIONALISTAS E NACIONALISMOS

 

 

ushuaia-linda.jpg

 

 

 

Julius Popper nasceu em Bucareste no ano de 1857 e após muita deambulação chegou a Buenos Aires em 1885. Mais umas tentativas de frustrada fixação e ei-lo a chegar à Terra do Fogo onde obtém uma concessão para exploração de ouro.

 

Culto e exuberante, cedo houve quem o considerasse megalómano estando ainda hoje por confirmar as quantidades de ouro que a sua empresa mineira terá efectivamente extraído.

 

O que de mais concreto dele se sabe é que entrou em conflito com todos aqueles a quem cumpriu o exercício da Autoridade na Terra do Fogo e, mais concretamente, com os Governadores sediados em Ushuaia.

 

Até que certa vez, numa das muitas disputas em que foi protagonista, um argentino lhe atirou à cara a sua condição de estrangeiro apenas naturalizado. A resposta de Popper não se fez esperar muito pois logo referiu por escrito um diálogo que anos antes se desenrolara no Congresso americano:

 

  • Travados de razões, um congressista rematou com a tirada nacionalista: - É assim porque eu quero e porque eu sou nascido nos EUA enquanto Você (o outro congressista) é um estrangeiro apenas naturalizado. O nacionalismo do segundo congressista (o naturalizado) revelou-se de imediato na réplica – Eu sou americano de livre vontade e o Senhor foi forçado a sê-lo; eu cheguei aos EUA convenientemente vestido e transportando alguns bens mas o Senhor chegou cá completamente nu e começou a sua vida de gatas e a chuchar.

 

 

Henrique Salles da Fonseca

 (na Terra do Fogo em Março de 2012, ao metro zero do km zero da estrada transamericana)

 

 

BIBLIOGRAFIA: Canclini, Arnoldo - «Sailors, convicts & pioneers in Tierra del Fuego», pág. 121, Ediciones Monte Olívia, Ushuaia, Argentina



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 20:19
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REVISITANDO O «EXPRESSO»

 

Desumanização. Documento pouco conhecido do século XVI relata criação de escravos, em Vila Viçosa, como se fossem cavalos para reprodução

Christiana Martins.jpgChristiana Martins

 

 

A passagem foi escrita em italiano, no século XVI, e é assim que surge no espólio da Biblioteca da Ajuda. Traduzida, revela um português estranho aos leitores contemporâneos e uma realidade difícil de acreditar. “Tem criação de escravos mouros, alguns dos quais reservados unicamente para fecundação de grande número de mulheres, como garanhões, tomando-se registo deles como das raças de cavalos em Itália. Deixam essas mulheres ser montadas por quem quiserem, pois a cria pertence sempre ao dono da escrava e diz-se que são bastantes as grávidas. Não é permitido ao mouro garanhão cobrir as grávidas, sob a pena de 50 açoites, apenas cobre as que o não estão, porque depois as respectivas crias são vendidas por 30 ou 40 escudos cada uma. Destes rebanhos de fêmeas há muitos em Portugal e nas Índias, somente para a venda de crias.”

 

O relato da existência de escravos reprodutores no Paço Ducal de Vila Viçosa, a mais importante casa nobre portuguesa, foi feito por João Baptista Venturino da Fabriano, secretário do cardeal Alexandrino Miguel Bonello, enviado papal à corte portuguesa em 1571 para propor Margarida de Valois como noiva de D. Sebastião. A união do rei de Portugal com a filha de Henrique II e Catarina de Médici — que acabaria por casar-se no ano seguinte com Henrique IV e tornar-se a rainha Margot de França, célebre pela morte de milhares de protestantes —, não se concretizou. E quanto aos escravos, nada mais se soube.

 

A ilha-Paço de Vila Viçosa.jpg

 

No século XVI viveriam 350 pessoas no paço ducal e a criação de escravos teria lugar num terreno ao lado da casa principal, uma zona ainda hoje conhecida pelos trabalhadores locais como "a ilha". Actualmente só resta o chão, coberto de pedras, nas imediações do picadeiro e do local onde terá estado o torreão onde, em 1512, foi degolada D. Leonor, de 23 anos, pelo seu marido, o quarto duque de Bragança, D. Jaime, acusada de ter um pajem de 16 anos por amante.

 

O paço era então liderado pelo sexto duque de Bragança, D. João I, que três anos mais tarde acompanhou D. Sebastião na primeira incursão em África, levando com ele 600 cavaleiros e dois mil infantes. Não participou, contudo, na desastrosa expedição de 1578 devido a violentas febres, tendo enviado o primogénito D. Teodósio II, que com dez anos foi ferido em Alcácer-Quibir e viria a ser pai de D. João IV, aclamado rei de Portugal em 1640.

 

O “segredo”, com mais de 400 anos, continua a ser desconhecido por muitos dos investigadores da escravatura em Portugal. Os historiadores que o conhecem defendem que o episódio tem de ser estudado para que se compreenda se foi um caso único ou se representa a ponta de um novelo espesso.

 

O primeiro a ficar incomodado com o relato foi Alexandre Herculano, no século XIX. Nos “Opúsculos”, volume VI, refere o texto de Venturino, com pudor: “Falando dos escravos, a linguagem do autor é bastante solta, e por isso não transcreveremos esta passagem. Basta saber que estes desgraçados eram considerados e tratados como as raças de cavalos em Itália, e pelo mesmo método, que o que se buscava era ter muitas crias para as vender a trinta e quarenta escudos”.

 

Foram as lacunas de Herculano que levaram Jorge Fonseca, estudioso da escravatura, a procurar o documento original. Encontrou-o na Biblioteca da Ajuda, traduziu a passagem e publicou-a em 2010 no livro “Escravos e Senhores na Lisboa Quinhentista”. Um ano depois, Isabel Castro Henriques, a maior especialista portuguesa da área, cita-a em “Os Africanos em Portugal, História e Memória, séculos XV-XXI”. E é ela quem mais se insurge com a inexistência de estudos: “Impõem-se investigações rigorosas. Este é um documento de extrema violência, em que os escravos são tratados como cavalos. A investigação é difícil mas tem de ser feita”, afirmou recentemente numa conferência sobre a escravatura, na Biblioteca Nacional, em Lisboa.

 

Sinais de alerta

 

Antes de Venturino, Nicolau Clenardo escrevera cartas em que, embora não tão explícita, é referida uma estrutura de produção com fins comerciais: “Os mais ricos têm escravos de ambos os sexos e há indivíduos que fazem bons lucros com a venda dos filhos das escravas nascidos em casa. Chega-me a parecer que os criam como pombas para levar ao mercado. Longe de se ofenderem com as ribaldias das escravas, estimam até que tal suceda.” Testemunha do Portugal do século XVI, Clenardo chegou ao país em 1533 para ser mestre do infante D. Henrique, irmão do rei D. João III e sem meias-palavras, relatou: “Mal pus os pés em Évora, julguei-me transportado a uma cidade do inferno: por toda a parte topava negros.”

 

Na publicação “A herança africana em Portugal”, Isabel Castro Henriques explica que “desde o início de quinhentos, os autores sobretudo estrangeiros davam conta de uma actividade de produção, marcada por um carácter insólito e cruel: a criação de escravos, como se de animais se tratassem, destinada a abastecer o mercado nacional, mas também para exportação”. E transcreve uma passagem da Collecção da Legislação Portuguesa (1763-1790), que denunciava a existência de pessoas “em todo o Reino do Algarve, e em algumas províncias de Portugal [que tinham] escravas reprodutoras, algumas mais brancas do que os próprios donos, outras mestiças e ainda outras verdadeiramente negras, [designadas] ‘pretas’ ou ‘negras’, pela repreensível propagação delas perpetuarem os cativeiros”.

 

Questionada sobre as razões da falta de estudos sobre os escravos, Mafalda Soares da Cunha, professora da Universidade de Évora e considerada a mais importante estudiosa da Casa de Bragança, não tem dúvidas: “A investigação histórica mais recente, incentivada pelas novas agendas historiográficas internacionais, começa a tratar de forma mais sistemática e menos dependente ideologicamente da questão da presença dos escravos na história de Portugal. Os resultados são manifestamente insuficientes, mas o tema deixou de ser maldito e silenciado como o foi no passado mais recente. Creio mesmo que desperta interesse entre as gerações mais jovens de historiadores que, de certa forma também entendem o estudo da escravatura como uma forma de participação nas lutas pelos direitos humanos. Mas ainda estamos num estádio muito embrionário.”

 

Fantasmas históricos, os escravos não são personagens principais. “O estudo de populações com pouco acesso à escrita e aos recursos de poder é sempre difícil. Não sendo actores reconhecidos pelo sistema político, pouco falam por si, a menos que colidam com o sistema instituído. As referências de época são muitas vezes indirectas e distorcidas e os conhecimentos desses grupos, e em particular dos escravos, exige sempre um esforço grande de desconstrução das visões dominantes da época e dos contextos em que se produziram as referências”, explica a especialista.

 

Há pouca informação, por exemplo, sobre os escravos agrícolas porque a sua existência não tinha outro interesse para a época senão como parte dos equipamentos de uma qualquer exploração agrícola. Mas como sublinha Mafalda Soares da Cunha, “eles existiam e agiam”. Num artigo na revista “Callipole”, Jorge Fonseca relata que o duque D. Teodósio I, em 1564, teria 48 escravos, dos quais 20 serviam na estrebaria, quatro na cozinha e na copa e quatro eram varredeiros, entre outras funções. A contabilização parece ser o mais longe que se consegue ir.


Quanto ao episódio dos reprodutores, relatado por Venturino, Mafalda Soares da Cunha desconhecia-o antes do contacto do Expresso e alerta ser necessário perceber o contexto do relato para compreender a intencionalidade da narrativa e a sua veracidade, mas conclui: “Não excluo evidentemente a possibilidade. A documentação que conheço da Casa de Bragança é totalmente omissa quanto a isso, mas a probabilidade de acontecer parece-me evidente.”

 

Perguntas & Respostas

 

Quando chegaram a Portugal os primeiros escravos africanos? Os primeiros escravos negros entraram em Portugal ainda no século XV, através de Marrocos, havendo registo de apreensões desde 1441, embora o uso de mão-de-obra escrava fosse largamente difundido desde o século XIV. Em 1444 teve lugar o primeiro carregamento de 235 escravos, trazidos do Golfo de Arguim, actual Mauritânia. O próprio Infante D. Henrique terá estado presente no primeiro leilão de escravos em Lagos, o passo inaugural para um importante negócio de exportação sobretudo para Sevilha, Cádis e Valência.

 

Quantos escravos existiam em Portugal no século XVI? Lisboa abrigava quase dez mil escravos, o que equivaleria a cerca de 10% da população da capital na altura. A maior parte dos escravos encontrava-se no Algarve, região seguida pelo Baixo Alentejo, Vale do Tejo e pelo distrito de Évora. No século XVII, o número diminuiu substancialmente devido ao desvio para o cultivo de açúcar no Brasil.

 

Qual a influência da procura de escravos no continente americano no seu preço? A partir de 1540, o aumento da procura de escravos para as plantações de açúcar nas Antilhas, primeiro, e depois no Brasil, fez com que o preço dos escravos aumentasse exponencialmente, tendo sido registada uma valorização de mais de 500% em três décadas, segundo o historiador António de Almeida Mendes.

 

Quais os escravos mais cobiçados pelo tráfico negreiro? Os escravos “minas”, originários da Costa da Mina, no Golfo da Guiné (Gana, Togo, Benim e Nigéria), eram os mais procurados nos mercados consumidores, devido à maior resistência física. Os “angolas” eram considerados mais frágeis e com uma maior tendência a cometer suicídio. Em 1644, um decreto do D. João VI autorizaria os comerciantes a comprarem directamente a mão-de-obra àquela região, como explica o historiador João Pedro Marques no livro “Portugal e a Escravatura dos Africanos”.

 

Quantos escravos morriam nas viagens nos navios negreiros? Cerca de um quarto dos escravos morria durante o transporte transatlântico. Outros, cujo número é difícil de precisar, morriam nas viagens do interior até aos portos de embarque. Alguns, ainda, não resistiam à espera pelo embarque nos navios. Chegados ao destino, a vida nas colónias também os matava, o que permitiria totalizar a morte acumulada em todo o processo num patamar superior a 70%.

 

Qual o maior destino mundial de escravos? O Brasil, entre meados do século XVI e até cerca de 1850, quando 42% do tráfico negreiro, o equivalente a cinco milhões de pessoas, terá partido de África em direcção ao território brasileiro. Estima-se que actualmente cerca de um terço da população brasileira descenda de angolanos. Os maiores traficantes mundiais de escravos foram os portugueses radicados no Brasil.

 


Portugal foi o primeiro país a acabar com a escravatura? Não. Em 1761, o marquês de Pombal, através de um alvará régio, acabou com o tráfico de escravos para a metrópole. A 10 de Dezembro de 1836, uma lei proibiu o tráfico de escravos nos domínios portugueses ao sul do Equador. A escravatura continuou no Brasil até 1888, quando o país já era independente. Portugal só a aboliu totalmente em 1875. Em 1794, o Haiti foi o primeiro país a abolir a escravatura na sequência de uma revolta de escravos, seguindo-se a Dinamarca em 1804.



Texto publicado na edição do «Expresso» de 5 Dezembro 2015

 



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 08:13
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