Terça-feira, 18 de Maio de 2010
BAFORDO

 

 

Do Dicionário Torrinha, edição de 1947, extraio que baforda é o nome atribuído a uma espécie de lança podendo também significar injúria. Não lhe conheço a etimologia mas confesso que, para meu gosto, é das palavras portuguesas foneticamente mais feias de que me lembro.

 

E de significado em significado, lá fiquei também a saber que bafordo era o nome por que eram conhecidos os torneios medievais no norte de Portugal, na Galiza, em Leão, etc. A esta palavra já lhe podemos reconhecer a etimologia mas não é pelo facto de mudar de género que deixa de ser do mais feio que aos meus ouvidos alguma vez soou na nossa doce língua.

 

Ambas soam a insulto. E dos piores! Mais ainda que hipotenusa.

 

E quando em 1140 os Exércitos de Afonso Henriques e de seu primo Afonso VII de Leão e Castela se encontraram em Valdevez para decidirem da vassalagem que deveria ou não ser prestada pelo português ao castelhano, conseguiram os eclesiásticos diplomatas em presença convencer os monarcas de que a Decisão Divina poderia ser a causa de um bafordo que substituísse batalha laica, desgastante e por certo aviltante para uma das partes.

 

Bafordo de Valdevez

http://farm4.static.flickr.com/3233/2868489439_d6ab91c884_o.jpg

 

Assim se fez e o resultado foi divinamente favorável a Portugal cujo Exército era bem menor que o seu contrário. Ficou Afonso Henriques dispensado de vassalagem e terá sido então que Afonso VII decidiu pôr fim ao uso do título de Imperador. E essa decisão terá sido de tal modo convicta que por morte deixou o Reino de Castela a seu filho primogénito Sancho – que viria a ser o III desse nome – e o Reino de Leão a seu filho Fernando, o II desse nome.

 

Mais: passados anos o Rei de Leão reconheceu ao Rei de Portugal a nobreza e o estatuto suficientes para tomar a sua filha Urraca em casamento.

 

Não terá sido por uma questão fonética que Fernando II rejeitou Urraca dando o casamento por findo mas sim porque o Papa assim o determinou com base no argumento de que eram parentes muito próximos (filhos de dois primos direitos) apesar de já terem um filho que viria a ser Rei de Leão com o nome de Afonso IX, o Baboso – lindo cognome…

 

Teias duma Nação nascente, a portuguesa.

 

Maio de 2010

 

Henrique Salles da Fonseca

 

BIBLIOGRAFIA: Mattoso, José – D. Afonso Henriques, pág. 179 – Círculo de Leitores, Ed. 2006



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 09:57
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2 comentários:
De Henrique Salles da Fonseca a 20 de Maio de 2010 às 07:00
RECEBIDO POR E-MAIL:

O Dr. Salles da Fonseca está muito sensível à fonética dos termos... históricos. Não vai significar com essas aversões que foi por amar mais o povo do condado portucalense do que o da Galiza que Afonso VI de Leão nos deu uma Tareja, reservando para Raimundo uma Urraca, que a mim me parece um termo bem nobre, pela ressonância guerreira. No nome mais suave da mãe Tareja se fabricou a raça branda de um povo. Por falta de timbre.
Berta Brás


De Henrique Salles da Fonseca a 20 de Maio de 2010 às 07:04
Contudo, foi com essa «falta de timbre» que este povo foi o primeiro a zarpar e o último a regressar.
E já por lá andamos de novo com a nossa maneira típica de viver por esse mundo além...
Só nós!
Henrique Salles da Fonseca


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