Sexta-feira, 30 de Abril de 2010
O TGV Lisboa-Porto

 

 http://www.observatoriodoalgarve.com/cna/Images%5Calfa_pendular2.jpg

O comboio Alfa Pendular na Estação do Oriente, em Lisboa

 

A secção de “Negócios” do “Sol” de 26-5-2007 publicou um quadro com os custos e duração das viagens entre Lisboa e Porto e Lisboa e Madrid, comparando os valores relativos ao automóvel, ao avião, ao comboio Alfa pendular e ao TGV.

 

Esses números deixaram-me algumas dúvidas, que gostava de ver esclarecidas. Os tempos de viagem apresentados para o avião são apenas, certamente, os tempos de voo. Como as pessoas normalmente não estão interessadas em contar apenas o tempo de voo, seria conveniente saber quanto é o tempo total, desde o centro da cidade até ao aeroporto, as demoras antes do embarque e, à chegada, a demora até receber a bagagem, e o percurso até à cidade do destino.

 

Consideremos os números, comparando apenas o Alfa e o TGV entre Lisboa e o Porto. O tempo de viagem indicado para o Alfa são 2 h e 45 m e para o TGV 1 h e 15 m. Na realidade, o Alfa faz grande parte do seu percurso a velocidade muito inferior aquela para que foi construído, presumo que por deficiência da via. Não compreendo, se é essa a razão, porque não está já a via reparada e em condições do comboio fazer o percurso à velocidade para que foi construído, um custo certamente muitíssimo inferior ao do TGV. Penso que a viagem do Alfa devia levar algo menos de 2 horas. Será que é mantida assim para justificar o TGV? Em condições normais, a diferença do tempo de viagem entre o Alfa e o TGV não deveria ser de meia hora ou menos?

 

O preço duma viagem de ida e volta é, para o Alfa, de 79 € e para o TGV é de 80 €, “dados fornecidos pela Rave”. Gostaria que me explicassem como é que há apenas a diferença insignificante de 1 € entre os dois custos, quando num caso os investimentos já foram feitos há muito, faltando apenas corrigir a via (se essa é a causa de não se viajar à velocidade possível) e no caso do TGV há que fazer um enorme investimento. Será que o valor indicado pela Rave vai depois aparecer multiplicado por um número alto ou é o Estado – todos nós – quem vai pagar os custos?

 

São dúvidas que eu gostava de ver esclarecidas.

 

 Miguel Mota

 

Publicado no “Linhas de Elvas” de 26-7-2007


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publicado por Henrique Salles da Fonseca às 09:01
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3 comentários:
De apmachado a 30 de Abril de 2010 às 10:56
Sobre os verdadeiros Custos Operacionais do TGV nada sei. Apenas posso afirmar que o que por aí se ouve sobre o transporte de mercadorias por TGV, só se forem Pastéis de Belém (para lá) e Tapas (para cá). Agora sobre os infortúnios dos Alfa (de seu nome Pendolinos, porque se inclinam nas curvas para manter a velocidade alta e compensar a força centrífuga) posso dizer algo, que é do conhecimento semi-público. Era necessário reconstruir a via Lisboa/Porto para que os comboios de Velocidade Alta (os Alfa/Pendolino) pudessem circular e exibir todas as suas vantagens. O Gabinete do Investimento (entre nós, as grandes obras têm sempre soluções empresariais à medida, sem que se saiba muito bem porquê) resolveu entregar o projecto técnico a uma empresa de engenharia (idem, para o outsourcing) especialista na matéria, retirando-o das mãos do Gabinete Técnico da CP, este sim, com longa e comprovada experiência no assunto. Resultado: (1) não ocorreu à empresa especialista que os Alfa teriam de "pendular" nas curvas e, em vez de afastar as vias (pelo menos, nas curvas), projectou-as paralelas (isto é, à mesma distância) de Lisboa até ao Porto; (2) se dois Alfa se cruzam numa curva à velocidade para que foram construídos, a distância entre eles é inferior à distância de segurança (e nada garante que eles circulem com igual velocidade, logo com igual inclinação); (3) se, em sentido contrário, circular um comboio "normal", as composições podem chocar; (4) por isso, os Alfa têm de abrandar quando "atacam" uma curva, mesmo quando em sentido contrário não passa ninguém; (5) por causa deste erro, alguns troços ficaram por reconstruir, pois não se justificava a despesa, sendo certo que os Alfa teriam de circular a Velocidade (relativamente) Baixa; (6) mesmo assim, o Custo Final do investimento na via excedeu em mais de 3 vezes o orçamento inicial. Para memória futura: a empresa especialista não sofreu qualquer penalização; ninguém foi para o olho da rua; como sempre, o contribuinte pagou (está a pagar), sem tugir nem mugir


De Francisco a 1 de Maio de 2010 às 22:39
Realmente o que está a fazer mais falta a Portugal, agora, endividado até... sempre(!), é fazer TGVs para o Porto, Madrid, Faro... e ondas curtas.
Porque não também para a Moita?
Assim, de facto, não dá!
Frasncisco Amorim


De Ricardo B a 2 de Maio de 2010 às 11:26
Olá,

o maior factor limitante para o Alfa é o facto de ter de partilhar a linha com comboios de passageiros e mercadorias muito mais lentos. Aliás, a linha está na sua maior parte completamente saturada.
É verdade que a linha não está toda em condições, mas dada a saturação, melhorar a linha não ia adiantar nada.
A solução tem mesmo de passar por uma 2ª linha.

Quanto ao preço... bom, há vários aspectos.
A manutenção dos Alfas não sai barata -- pendulação activa, pedaços de linha em mau estado, um uso infernal (só há 10 comboios Alfa que fazem em média >1000km/dia).
A manutenção da linha também não: se por um lado passam ali Alfas a 220 km/h, também lá passam comboios de mercadoria muito pesados.

Depois há a questão da oferta e da procura e da estratégia comercial.
Em termos de custo, um comboio vazio ou cheio tem +/- o mesmo custo. Logo, mais vale um passageiro que pague 5€ do que um lugar vazio.
O mesmo tipo de lógica também se aplica, em certa medida, à estrutura da empresa: mais vale um comboio meio cheio que um comboio e empregados parados.

A CP tem bastante procura e pouca oferta para os Alfas (poucos comboios e pouca capacidade na linha), o que faz com que se dê ao "luxo" de cobrar preços um bocadinho caros -- ao contrário do resto, a divisão de longo curso da CP consegue dar algum lucro.
E em termos de estratégia comercial, a CP já oferece alguns descontos para atrair mais clientes para o Alfa (cartão jovem, CP empresas, etc), mas não é muito agressiva nisso.

Com o TGV, espera-se que com mais capacidade de oferta e e a aplicação de estratégias de preço mais sofisticadas (do género das companhias aéreas low cost), teremos muito mais lugares disponíveis e com um preço _médio_ relativamente baixo -- provavelmente verás bilhetes comprados em cima da hora por preços horripilantes e bilhetes comprados com antecedência por tuta e meia.


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