Quinta-feira, 29 de Abril de 2010
SERÃO DE 24 DE ABRIL

Uma noite em cheio, a de 24 de Abril: primeiro, "Le plus grand cabaret du monde", na TV5, por Patrick Sébastien, que, sentado em mesas com convidados muitas vezes ligados aos números extraordinários do seu palco, palco fértil em proezas de uma extraordinária beleza corporal, de humor, de magia, vai brilhando nas suas capacidades de comunicador, de entrevistador, de cantor, de humorista vibrante e afável, que definem o seu espectáculo numa dimensão de encanto e sedução, também pelas qualidades de comunicação da gente elegante que ele apresenta.

 

 

 http://images.google.pt/imgres?imgurl=http://drx.typepad.com/psychotherapyblog/images/2008/02/23/paul_henreid_ingrid_bergman_humphre.jpg&imgrefurl=http://drx.typepad.com/psychotherapyblog/2008/02/photo-of-the-20.html&usg=__cWMSsuZPEWxyG3CRyGf9cVLUwfQ=&h=500&w=410&sz=141&hl=pt-PT&start=71&um=1&itbs=1&tbnid=hgiHBeZuweoniM:&tbnh=130&tbnw=107&prev=/images%3Fq%3DCasablanca%252BBergman%26start%3D60%26um%3D1%26hl%3Dpt-PT%26sa%3DN%26ndsp%3D20%26tbs%3Disch:1

 

Seguidamente, no TVMemória, "Casablanca", tantas vezes visto. Uma história de amor, concentrando ingredientes próprios de um verdadeiro amor: a ternura da paixão, no encontro de ocasião em Paris, antes da Ocupação, entre a jovem desconhecida (Ingrid Bergman, no papel de Ilsa Laszlo) e o fugitivo Richard (futuro Rick) (Humphrey Bogart), as raivas deste pela incompreensível traição daquela de não fugir com ele no comboio, como combinara, raivas armazenadas num sofrimento que traça um novo perfil de cinismo aparente a um Rick, dono de um bar em Casablanca. É neste bar que o casal Ilsa / Victor Laszlo, leader da resistência checa (Paul Henreid) se acolhem, na busca de dois vistos para, partidos de avião para Lisboa, daí embarcarem para os almejados Estados Unidos da América. E os sentimentos e as emoções irão desenrolar-se, na surpresa, na raiva, na negação dos vistos à mulher suplicante pelo seu marido perseguido, no infinito amor, na ofensa, pela ignorância das razões da traição de Ilsa em Paris (soubera, nesse dia, que o marido, prisioneiro num campo de concentração nazi, não morrera como ela julgara - e por isso se deixara envolver num novo amor - mas estava vivo e precisava dela, pelo que faltara ao compromisso de partir com o amado, no comboio da fuga). As lágrimas, de novo a ternura, a temerosa decisão de construção de um novo futuro dos dois, salvando, embora, o marido. A conversa do marido e do amante, o pedido daquele para que salve a mulher. E o cinismo e a raiva de Rick cedendo ante a nobreza do casal, cedendo o seu lugar na partida do avião, em truque mistificatório que o incriminará, mas que a sua própria nobreza pede.

 

Como pano de fundo desta história de amor, realizada por Michael Curtiz, em 1942, história romântica feita dos ingredientes apontados mas sobretudo de dedicação e generosidade de todos os intervenientes, a canção, interpretada por Sam (Dooley Wilson), que permanece no nosso ouvido, "As Time goes by", evocando os bons velhos tempos de Paris, do início desses amores inextinguíveis, porque "Sempre teremos Paris", na resposta do sacrificado Rick à comovida e perturbada Ilse.

 

Romântica história, história de renúncia e sacrifício, história de ternura, história de nobreza e contenção, de beleza e dignidade, de coragem, poderia servir bem de exemplo aos tempos conturbados que vivemos hoje, de separações e agressão constantes, de incontinência de atitudes, de jovens e menos jovens, incapacitados de medir as inconveniências de comportamentos menos ponderados, egoístas e cobardes, tempos em que nos habituámos a colher nos noticiários o indicativo constante de crimes não de amor mas de terrorismo, indignidade e bestialidade. De cobardia.

 

Berta Brás


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publicado por Henrique Salles da Fonseca às 10:14
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2 comentários:
De Henrique Salles da Fonseca a 29 de Abril de 2010 às 10:19
Gostei especialmente do seu texto porque, confesso, tenho uma rebuscada ignorância de tudo o que seja cinema. Contudo, numa passagem rápida por Casablanca, o guia turístico levou-nos ao hotel onde se situa o bar que serviu de cenário ao filme. E logo a Gerente-adjunta, portuguesa de Lisboa a estagiar ali para seguir carreira para outras paragens, nos informou que o filme Casablanca foi todo produzido em estúdio nos EUA e não houve um único momento filmado em Marrocos. Tudo cenário! Os donos daquele luxuoso hotel tinham-se visto da cor dos gatos pardos para reconstituírem o ... cenário. É claro que, à custa da aldrabice, o bar deste hotel é um must turístico de Casablanca e sempre há quem se deixe inebriar pelos vapores do local e tome um drink a imaginar-se ao lado da Bergman ou com ela nos braços...
Henrique Salles da Fonseca


De Henrique Salles da Fonseca a 29 de Abril de 2010 às 17:26
RECEBIDO POR E-MAIL:

Dr. Salles, se diz que não percebe de cinema eu também nada percebo. Os dados pontuais vou buscá-los aos livros ou à Internet. Mas as suas experiências servem para provar que o cinema é duplamente ilusão, o que não prejudica ninguém e até favorece o turismo aos que sabem aproveitar-se das circunstâncias favoráveis. Também nós, no nosso quotidiano real, vivemos de forte ilusão - dupla, múltipla... - e essa é que é "nuisible". Um abraço Berta Brás


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