Quarta-feira, 30 de Dezembro de 2009
ÉTICA LUSÓFONA E SENTIDO DE ESTADO – 8

 

 
6. E PORTANTO...
 
Se o poder dos órgãos de comunicação não for totalmente esclarecido, a democracia poderá não subsistir de forma verdadeiramente duradoura. Até porque enquanto prevalecer o critério de que «devemos oferecer às pessoas o que elas esperam», os programas serão cada vez mais medíocres e então, como Popper conclui, (...)só nos resta ir para o Inferno! (...).
 
E se não quisermos ser cilindrados pelo fatalismo infernal, recordemos Hegel quando ele diz que é necessário disciplinar a vontade natural incontrolada, conduzi-la à obediência de um princípio universal e, nesse enquadramento, facilitar a liberdade individual.
 
Por tudo isto eu digo que nos espera um século de glória ou de desespero conforme consigamos ou não dar esperança ao Mundo Lusófono...
 
·         ... Trazendo de volta os valores éticos de base étnica na dimensão individual e na colectiva devidamente harmonizados na nossa convivência pluri-cultural e internacional;
·         Se conseguirmos definir um novo código ético de conduta para a comunicação social;
·         Se conseguirmos impor aos governantes lusófonos que se rejam por um inultrapassável Sentido de Estado.
 
 
E como Georges Steiner afirma, “despertar noutro ser humano poderes e sonhos além dos seus; induzir nos outros um amor por aquilo que amamos; fazer do seu presente interior o seu futuro: eis uma tripla aventura como nenhuma outra”.
 
Conseguiremos?
 
Esperemos que sim pois não faz sentido viver longe da utopia.
 
                                    Com grandes golpes bato à porta e brado:
Eu sou o vagabundo, o Deserdado…
Abri-vos, portas d’ouro, ante meus ais!
 
Abrem-se as portas d’ouro, com fragor…
Mas dentro encontro só, cheio de dor,
Silêncio e escuridão – e nada mais!
 
Ao fim de 130 anos e tal, eis-nos novamente a bater às portas do “Palácio da Ventura”.
 
 
Mas o nosso não será um fim igual ao de Antero de Quental.
 
FIM
 
Bragança, 2 de Outubro de 2008 – VII Encontro da Lusofonia
 
 Henrique Salles da Fonseca
 
  
BIBLIOGRAFIA:
 
Bento XVI – “Carta sobre a educação” – Libreria Editrice Vaticana, Janeiro de 2008
Lipovetsky, Gilles – “O crepúsculo do dever” – Dom Quixote, 3ª edição, Outubro de 2004
Mandela, Nelson – “Longo Caminho para a liberdade. Autobiografia de Nelson Mandela”
Monografias.com – Ética, http://www.monografias.com/trabajos5/etica/etica.shtml#intro
Mumford, Lewis – “História das Utopias” – Antígona, 1ª edição, 2007                 
Popper, Karl; Condry, John – “Televisão: um perigo para a democracia” – Gradiva, 3ª edição, Fevereiro de 2007
Singer, Peter – “Um só Mundo – A ética da globalização” – Gradiva, 1ª Edição Fevereiro de 2004
Sloterdijk, Peter – ‘Palácio de Cristal’, -Relógio d’Água, 1ª edição, Fevereiro de 2008 (ética da responsabilidade)                    
Steiner, George – “As lições dos Mestres” – Gradiva, 2ª edição, Outubro de 2005
 

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publicado por Henrique Salles da Fonseca às 09:49
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1 comentário:
De Adriano Lima a 30 de Dezembro de 2009 às 20:16
Por razões da minha vida particular, assoberbado por um compromisso contraído, vejo agora que, por falta de tempo, perdi os episódios anteriores deste tema “Ética Lusófona e Sentido de Estado”. E tenho pena porque o tema e a competente abordagem que lhe mereceu o Dr. Salles da Fonseca bem mereciam toda a atenção dos leitores deste blogue. Assim, pelas razões acabadas de referir, só comecei a intervir no penúltimo episódio desta contenda, a qual é de toda a sociedade e reclama gritante e empenhada atenção das organizações políticas, cívicas e culturais e dos cidadãos em geral.
Conforme a citação de Popper mencionada no início do artigo, “se o poder dos órgãos de comunicação não for totalmente esclarecido, a democracia poderá não subsistir de forma verdadeiramente duradoura”. Julgo que mais do que esclarecer o poder dos órgãos de comunicação, é necessário um outro critério de exigência por parte dos Estados, para que um qualquer órgão de comunicação não veja a luz pela simples caução de um poder económico de suporte ou pelo voluntarismo básico de um grupo de jornalistas ou de pessoas que o julgam ser.
A comunicação social devia ser a mais leal parceira do regime democrático, um dos seus baluartes, não só como simples processo de intenção que facilmente se pode apregoar de boca de cheia, mas como compromisso sério e religiosamente cumprido e respeitado. O regime democrático é o único que confere real existência à comunicação social por lhe consentir um instrumento precioso ─ a liberdade de expressão. Os regimes não democráticos servem-se dos seus órgãos oficiais de comunicação e obviamente que neles as preocupações que assolam as páginas deste blogue não têm cabimento. Ora, como a comunicação social de um modo geral não tem consciência do seu verdadeiro papel nas sociedades democráticas, então pode dizer-se que estamos perante um paradoxo que tem de ser resolvido, uma vez que a verdadeira comunicação social só medra nas democracias e estas só sobrevivem com uma responsável comunicação social. Ou então será o regime democrático que terá de ser revisto na sua filosofia e nos seus princípios. Do que me convenço cada vez mais é que Portugal, independentemente dos governos que tenha ou venha a ter, não progredirá com uma comunicação social como a que temos. Servida por profissionais de reduzida cultura e escassa visão experiencial da realidade que os rodeia.







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