Terça-feira, 29 de Dezembro de 2009
O marketing brasileiro e a política populista de antigamente

 

 
Jan van Kessel  1626-1679
(Tropical birds in a landscape)
 
Palavra inglesa, especialidade americana, o marketing é termo moderno para identificar estratégia antiga. Manobra de que se utilizaram os nossos antepassados sempre que quiseram impingir alguma ideia, produto ou serviço, em resumo, quando quiseram “fazer a cabeça” de algum incauto, “cego” ou vaidoso.
 
Quando o homem precisou explicar para ele mesmo os fenómenos que caíam sobre a Terra e que o atingiam, inventou as lendas, idealizou os mitos, para responder à instintiva curiosidade e acalmar o espírito das dúvidas e incertezas. Com a evolução dos tempos e a sofisticação dos mitos e lendas, forjou lideres que mobilizaram e manipularam os povos, nasceu a política. Marketing e política se completaram, interagiram, para atender um objectivo, fosse ele particular ou colectivo.  
 
No Brasil, o emprego de atractivas palavras explicitando meias-verdades, para “se vender o peixe,” começou com a famosa carta de Pêro Vaz de Caminha quando, entusiasmado, escrevia a D. Manuel, o Venturoso:
(...) esta terra tem tantas e tão boas águas que em se plantando tudo dá..., . ignorando os outros aspectos, climáticos, geológicos, antropológicos, geográficos, por ele ainda não suficientemente conhecidos. Daí em diante todo o Português e seus descendentes acreditaram que esta é a terra do futuro, a terra da vez.... E quando ele deixou escapar, subtilmente, que as beldades indígenas tinham “as vergonhas saradinhas...”,  excitando o imaginário masculino, criou a ideia do paraíso terrestre, do embrionário sex-appeal das  brasileirinhas.
 
 Até mesmo o padre jesuíta, José de Anchieta, protector e redutor de índios, fazia propaganda duvidosa das “novas e maravilhosas terras”, dizendo que o homem no Brasil, chegando, nem precisava trabalhar porque “aqui os frutos estão prontos para a colheita”, os nativos, é claro. Os outros, os importados,  precisaram ser adaptados ao solo e cultivados muitos anos depois, após estudos e emprego de tecnologia.
 
Mas foram os aventureiros desbravadores e bandeirantes que deram o golpe marqueteiro final quando, astutamente, faziam chamariz dizendo que no Brasil “O ouro, a prata e os diamantes estão ali, ao alcance das mãos”! Mas não mencionavam onde estavam e a que preço iriam consegui-los...
 
Assim o país da riqueza, do Tosão de Ouro, foi ocupado, colonizado e construído,  apesar da distancia da metrópole portuguesa, do mar-oceano, das montanhas e rios caudalosos, dos animais ferozes e  peçonhentos dos capões e  florestas, dos ameríndios selvagens, do calor infernal, dos mosquitos, das doenças palustres tropicais, da falta de gente para qualquer obra e frente.  Só não faltou o marketing e a propaganda politiqueira que subsistem até hoje para promover, agora,  o governo brasileiro.
 
 Maria Eduarda Fagundes
 
Uberaba, 26 de Dezembro de 2009
 

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publicado por Henrique Salles da Fonseca às 09:44
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2 comentários:
De Henrique Salles da Fonseca a 29 de Dezembro de 2009 às 22:02
RECEBIDO POR E-MAIL:

Nós por cá também estamos bem servidos na questão do marketing. Aliás, é uma característica universal, dos tempos da maçã da Eva, que já então escondia astúcia e dolo, como o marketing dos bandeirantes. Falta-nos, é certo, essa pujança de flora e fauna humana apontada por Caminha e Anchieta e de mineralogia pelos bandeirantes, mas não nos alta igual "populismo governativo".
Berta Brás


De marketing online, web marketing a 24 de Novembro de 2010 às 10:25
Os brasileiros são os melhores marketeers políticos!


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