Sábado, 19 de Dezembro de 2009
ÉTICA LUSÓFONA E SENTIDO DE ESTADO – 2

 1 - Publicado em 16 de Dezembro de 2009

 

2- DONDE VIEMOS …
 
Desde que os homens vivem em sociedade – ou seja, desde sempre – que a regulação moral da conduta se mostrou necessária ao bem-estar colectivo. E se certas normas só se impuseram pela ameaça da ira divina, outras houve que nasceram da vontade profana de líderes políticos. Assim nasceu uma perene miscigenação entre os poderes temporal e religioso. Assim foi nas mais antigas civilizações (egípcia, suméria, chinesa, grega), assim foi até há bem pouco tempo com os Luíses franceses a justificarem o seu poder na origem divina, com a Inquisição que em Portugal só foi extinta em 1821. E apesar da Revolução Francesa, da laicização progressiva da sociedade, da revolução bolchevista e respectivo processo de ateização sistemática, assim é ainda hoje na Arábia Saudita e no Irão por onde não passaram essas vagas revolucionárias e onde vigoram verdadeiras teocracias monopolistas. Pior: unicitárias, punitivas e vingativas. Do nosso lado da Civilização temos a teocracia vaticana que, limitada geograficamente a uma ínfima parcela da laica Roma, define o dogma da Fé e orienta a moral de uma parte importante da Humanidade já sem a Inquisição e seu mais temido instrumento, a pira.
 
Ao percorrermos a História deparamos com uma pléiada de pensadores, todos circunstanciais, sendo que nem sempre os eternos e universais assumiram em vida os papéis mais relevantes. Quantas e quantas vezes o sofisma se fez passar por dogma, a falácia vingou como verdade absoluta, os facínoras foram louvados como heróis. Nem sempre foi rápido o reconhecimento do mérito e com frequência o foi apenas a título póstumo. Contrariamente aos Prémios Nobel, é com muita cautela e demorada ponderação que se proclamam os Santos da Igreja Católica e num nível bem mais prosaico, é com a apreciação de toda a vida das personagens que se cria a toponímia da cidade de Lisboa.
 
Seria fastidioso senão mesmo impossível resumir aqui o percurso da Humanidade pensadora pelo que bastará referir que foi por violentas convulsões, idealismos mais ou menos platónicos e por mares duramente navegados que...
 
(continua)
 
Bragança, 2 de Outubro de 2008 – VII Encontro da Lusofonia
 Henrique Salles da Fonseca

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publicado por Henrique Salles da Fonseca às 13:57
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1 comentário:
De Henrique Salles da Fonseca a 19 de Dezembro de 2009 às 23:10
RECEBIDO POR E-MAIL:

Tão verdadeiro entre nós essa dos "sofismas a passar por dogmas, a falácia vingando como verdade absoluta" que não há Excalibur que o impeça, nem Rei Artur e seus cavaleiros em preceitos e lutas de defesa dos oprimidos, etc, etc. , em Távola democraticamente redonda, puras patranhas só para inglês ver, e ainda agora talvez um pouco.
Berta Brás


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