Segunda-feira, 7 de Dezembro de 2009
LUSOFONIA – 8

 

 UM CONVITE AO SIGNIFICADO
 
O MODELO DO FUTURO E
O SIGNIFICADO DA PALAVRA – 2
 
 
 
 
A primeira pergunta que coloco é muito simples: haverá alguma alternativa plausível ao cenário de globalização em curso?
 
De resposta muito dúbia, parece mais fácil procurarmos um modelo próprio de desenvolvimento compatível com o que nos é servido do que estarmos a tentar mudar por nós próprios o rumo da História do mundo. Não temos hoje a importância relativa que tivemos no séc. XV mas também nunca tanto como hoje a decisão colectiva passa pelo somatório das decisões individuais.
 
E se não podemos discutir a História e o rumo que ela se prepara para tomar, entremos nesse barco e viabilizemo-nos dentro dele.
 
E é nessa tentativa de viabilização que as perguntas continuam:
  • Com que massa cinzenta poderemos contribuir para o desenvolvimento desta aldeia global?
  • Que teses académicas com inquestionável repercussão científica internacional são na origem escritas em português?
  • No ranking mundial de Universidades, em que lugares se colocam as instituições da Lusofonia?

Universidade de Évora - visit the school website

Universidade de Évora

 

  • Que estrangulamentos existem no mundo lusófono para que ainda hoje, séc. XXI adentro, continuemos sujeitos ao flagelo do analfabetismo?
  • Que forças gravitam na actualidade em torno das nossas elites: centrífugas como antigamente ou finalmente centrípetas?
 
Se não dermos respostas a estas questões, então não teremos lugar na História e não mais haverá centro, periferia nem palavra digna de nota.
 
Eis que, assim, o modelo do futuro
 
  • Passa pela transformação das elites em elementos agregadores das nossas sociedades não mais podendo constituir instrumentos da repulsa;
  • Passa pelas Diásporas a servirem o engrandecimento dos Centros;
  • Passa pela pluricidadania lusófona;
  • Passa pela vulgarização da palavra.
 
E se as elites têm que passar a congregar o resto das gentes, teremos que:
 
    • Banir os resquícios de corporativismo que ainda nos entorpecem a actualidade, v.g. as Ordens profissionais e seu imperial magistério;
    • Promover rapidamente a concorrência inter-universitária dentro de cada país, no espaço lusófono e no mundo inteiro;
    • Garantir uma claríssima elevação do nível médio cultural dos nossos povos;
    • Promover o analfabetismo adulto a “coisa” do passado.
 
E se as Diásporas devem passar a servir os Centros, isso significa que a emigração não mais deve continuar a ser uma tábua de salvação a que os deserdados se agarram avidamente, para passar a ser um instrumento de obtenção da dimensão empresarial que o mercado doméstico é incapaz de garantir.
 
E se a solidariedade não é palavra vã, então Portugal tem a obrigação histórica de promover um estatuto de acolhimento especial a todos aqueles povos que alguma vez governou por esse mundo além, tudo culminando num processo de pluricidadania lusófona, em clara fraternidade internacional.
 
E se “é a falar que a gente se entende”, então temos que fazer com que o Instituto Camões deixe de divulgar a nossa palavra apenas nas Academias e Universidades para passar a fazê-lo com as portas abertas directamente para a rua, que é onde os povos se cruzam.
 
Por tudo isto eu digo que o modelo vigente se esgotou.
Por tudo isto eu digo que não me preocupo mais com o “politicamente correcto”.
 
Felizmente, temos um grande sentido claustrofóbico, não cabemos no nosso Centro e, sem pretensões hegemónicas, levamos a nossa Cultura onde os caminhos do mundo nos conduzem. E é por não querermos a hegemonia que por vezes a obtemos, porque somos admitidos pelos que nos recebem, porque a nossa é uma perspectiva de vida, de a todos deixarmos viver, com todos vivermos e até com todos nos misturarmos em pé de igualdade, sem sobrancerias mas cujo grande problema da actualidade é, afinal, no território europeu, o da reposição demográfica. Assim, com a naturalidade da vida, vemos os factos que se nos apresentam.
 
E já que Cultura é a perspectiva com que se observa o facto, façamos com que onde nós estivermos esteja a Cultura Lusófona.
 
Este, o meu convite ao significado da saga dos filhos de Ofiuza, a terra da serpente.
 
 Henrique Salles da Fonseca
 
Bragança, 5 de Outubro de 2007 – VI Encontro da Lusofonia
 

tags:

publicado por Henrique Salles da Fonseca às 09:27
link do post | comentar | favorito
|

3 comentários:
De Henrique Salles da Fonseca a 7 de Dezembro de 2009 às 14:53
RECEBIDOPOR E-MAIL:

Boa tarde, CE Salles Fonseca:
Mais uma vez me vejo enriquecida com a análise contextual que o presente texto me induziu a estabelecer.
Muito oportuna essa análise, cujo alcance transcende a vivência temporal do cidadão comum e alcança o cidadão elista, profundamente comprometido com o espírito da lusofonia.
Parabéns!
O caminho que se percorre leva a resultados parciais positivos frente aos objetivos estabelecidos, principalmente no que tange à língua portuguesa e a sua introjeção na vida de cada ser social que a tem como língua oficial.
É preciso, urgentemente, extirpar o analfabetismo de nossas estatísticas.
Exemplifico o Estado do Paraná que estabeleceu o ano de 2010 para declarar o seu terrítório livre do analfabetismo. A Secretaria de Estado da Educação e todos os 399 municípios que compõem o Estado do Paraná estão juntos nessa batalha. A bandeira da extirpação do analfabetismo do território paranaense está, há tempos, hasteada, buscando, acirradamente, o seu arriamento.
Em Mandaguari-PR-BR temos batalhado em conjunto com toda a Sociedade Civil Organizada.
Afinal, a nossa língua, a bela língua portuguesa - " A última Flor do Lácio" -
merece que arregacemos as mangas e busquemos, inclusive, lutar para que penetre o espaço da ONU e se transforme em uma de sua línguas oficiais.
Abraços.
Saudações elistas.
CE Maria Inês Botelho-PRESINT


De Henrique Salles da Fonseca a 7 de Dezembro de 2009 às 18:35
RECEBIDO POR E-MAIL:

O seu optimismo de lutador peca por não ter em conta os nossos handicaps sociais, políticos, económicos... Teria que passar tudo por uma educação a sério, com famílias a sério, educandos a sério e não a nossa balda a sério...
Berta Brás


De Henrique Salles da Fonseca a 7 de Dezembro de 2009 às 18:44
Estamos a tempo de fazer isso tudo. O mal seria que não fossemos capazes de diagnostoicar esses problemas todos. Política não é o «dize tu-direi eu» a que os políticos profissionais habituaram os telespectadores mas sim o modo de transformar uma situação de partida noutra situação que constitua o objectivo.
A Educação não presta? Façamos uma à séria.
A Família está destruida? Tracemos uma política de protecção da família.
Os alunos portam-se mal? Reintroduzamos a disciplina.
Parece tudo muito fácil mas reconheço que seria necessário mudar de Governo.
No horizonte partidário que se nos oferece não encontro ninguém disponível para tais políticas. Creio que o Presidente da República terá que se inspirar na solução do General Ramalho Eanes (que foi buscar primeiros ministros fora da esfera partidária) antes que tenha que tomar opções ao estilo da do Marechal Carmona.


Comentar post

mais sobre mim
pesquisar
 
Outubro 2017
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
10
11
12
13

19
20
21

22
23
24
25
26
27
28

29
30
31


artigos recentes

PERU – 5

PERU – 4

PERU – 3

PERU – 2

PERU – 1

ESCRITORES ESQUECIDOS

LIDO COM INTERESSE - 19

LIDO COM INTERESSE – 73

ESTAREMOS TRAMADOS ENQUAN...

ÉTICA E INFINITO

arquivos

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Agosto 2006

Julho 2006

Junho 2006

Maio 2006

Abril 2006

Março 2006

Fevereiro 2006

Janeiro 2006

Dezembro 2005

Novembro 2005

Outubro 2005

Setembro 2005

Agosto 2005

Julho 2005

Junho 2005

Maio 2005

Abril 2005

Março 2005

Fevereiro 2005

Janeiro 2005

Dezembro 2004

Novembro 2004

Outubro 2004

Setembro 2004

Julho 2004

Junho 2004

Maio 2004

Abril 2004

Março 2004

Fevereiro 2004

Janeiro 2004

tags

todas as tags

links
Contador

contador de visitas para site
blogs SAPO
subscrever feeds